Jornal dos Desportos

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Consternação e dor pela morte do Camarada Agostinho Neto

16 de Setembro, 2015

A triste notícia do falecimento do doutor António Agostinho Neto em Moscovo foi um duro golpe para todos os angolanos

Fotografia: Jornal dos Desportos

A triste notícia do falecimento do primeiro Presidente da República Popular de Angola, doutor António Agostinho Neto em Moscovo, às 16h30 (hora local), do dia 10 de Setembro de 1979, foi um duro golpe para todos os membros da delegação angolana que participavam nos X Jogos Universitários Mundiais.

A delegação desportiva nacional dos jogos académicos e países participantes na altura presentes no México foram surpreendidos com a comunicação, que causou consternação e dor pelo prematuro desaparecimento físico do líder máximo da nossa Revolução, o Camarada Presidente António Agostinho Neto.

Um nó formou-se de imediato na garganta daqueles que tinham  naquele momento, e naquele país tão distante do nosso, a tarefa de mostrar os frutos da nossa Revolução, das opções que orientam a nossa República Popular de Angola perante os desportistas de quase todo o Mundo. A perda irreparável do guia imortal da revolução angolana exigiu da caravana nacional a preparação do regresso à Pátria. Uma grande parte da comitiva até já tinha deixado o México e  foi surpreendida pela notícia, quando desembarcava no aeroporto de Lisboa.

Muito consternados  e trazendo no peito a dor da perda irreparável do Fundador da Nação e do MPLA - Partido do Trabalho, os angolanos presentes no México foram de imediato colocar a bandeira de Angola a meia haste, acto que foi imediatamente seguido pela representação da República Popular de Moçambique, numa demonstração da sua solidariedade com o sofrimento do Povo angolano. Mais tarde, muitos outros países africanos e de outros continentes arrearam também as suas bandeiras.

Como é evidente, o nosso País deixou de participar nas competições devido ao Luto Nacional que, entretanto, havia sido decretado em Angola.
Um livro de condolências foi aberto num dos apartamentos que a delegação ocupava e foram muitas as mensagens que ali ficaram registadas, assinalando quase na sua maioria o pesar pelo desaparecimento do revolucionário consequente que a África germinou.

FIGURA
TREINADOR DE FORMAÇÃO
PAULO VICTOR


Os desafios que o futebol nacional enfrenta nesta altura, no que concerne à formação de talentos para que possam defender as cores da bandeira nacional, levam os profissionais angolanos a arregaçar as mangas. Um nome muito conotado nesta área é Jeremias Filomena "Paulo Victor", antigo guarda-redes do Interclube, FC Cabinda, Independente do Tombwa e Atlético Sport Aviação (ASA).
 
Vice-campeão nacional, vencedor da Taça de Angola e da Super Taça pelo ASA, Paulo Victor é o convidado da edição da semana do Herói Nacional, Agostinho Neto, do Jornal dos Desportos, do ANGOLA 40 ANOS, a assinalar a 11 de Novembro. Com apenas seis anos de idade (hoje com 46), que análise faz em prol do contributo prestado pelo desporto aos longo dos 40 ANOS da Independência

Nacional a assinalar a 11 de Novembro?
A experiência de vida que tenho, em particular pelo mundo desportivo, concretamente no futebol onze dá-me essa liberdade para falar com propriedade. Ou seja, tive a honra de seguir a carreira profissional num país independente, tendo mais abertura em comparação à realidade do passado. Portanto, nesta altura corria nas veias a vontade de seguir as pegadas dos grandes nomes do nosso futebol, tais como Domingos Inguila, João Machado, Laurindo, Ndunguidi Daniel, Paiva, Napoleão Brandão, Joaquim Diniz "Brinca n´areia" e tantos outros craques que o país deu, antes e depois da proclamação da nossa liberdade.

Seguir a carreira profissional num país independente ajudou a realizar o seu sonho enquanto guarda-redes?
Através da convivência com os mais velhos que citei, conseguíamos enxergar uma nova era. Isto é, o angolano sentir-se bem consigo mesmo e ajudar o país a crescer. Pois bem me recordo que depois da proclamação da independência, muitos desportistas regressaram da diáspora. O que levou à descoberta e massificação do desporto, jogar e identificar-se com as cores da bandeira nacional.
 
Hoje, na veste de treinador de formação numa das academias do país, prevalece ainda a paixão pelo desporto?
Se tal não fosse, hoje não seguiria a carreira de treinador. Por isso digo de pés juntos que prevalece sim. Este sucesso só é alcançado com espírito de equipa, num país que já vive 40 anos de independência e mais de dez anos de paz. Dois factores promissores para o desenvolvimento de uma pátria, tal como a nossa.

Como é visto Paulo Victor no desporto?

A minha passagem enquanto atleta teve nota de destaque que me deu a oportunidade de ser convocado e treinar pela Selecção Nacional, apesar de não ter tido a honra de vestir a camisola da nossa bandeira em jogo oficial. E como treinador estou a dar os primeiros passos, desde Portugal, onde treinei equipas distritais da terceira Divisão, como por exemplo o Odivelas FC e a Selecção da Comunidade Angolana em terras lusas. E faço referência ao convite do professor Oliveira Gonçalves em me ajudar a formar novos talentos para um dia vê-los a defender os Palancas Negras.

O que mais o marcou ao longo destes anos de independência nacional?
O crescimento do país leva-nos a acreditar no futuro. Tenho a dizer que ainda na década de 80, quando realizámos os Segundos Jogos da África Central em Luanda, marcou-se uma nova imagem na história organizativa e desportiva na Angola independente. Um outro pormenor foi o Afrobasket de 1988, a participação da Selecção Nacional no mundial da Alemanha em 2006.
HERMÍNIO FONTES

ACERTO
“Municipal” de futebol
segue no fim de semana

Semanas antes do luto que se viveu no país, devido à perda irreparável do primeiro Presidente de Angola, o futebol ganhava espaço através do Campeonato Municipal de Futebol em Luanda. Nos vários campos da cidade capital prossegue sábado e domingo a 13ª jornada da competição municipal, com os encontros a seguir descriminados.

Edel - Saúde e Perdidos - Cuca, no São Paulo (grande) a partir das 15h30; no S. Paulo: Juventude do Prenda - BCR; no Golf: Siga - Kubaza; no Atlético: Bancada - Merenguinhos da Ilha; no "4 de Fevereiro": Tigres de Angola - Técnicos; nos CTTA: Bela Vista - Naturais.

No domingo: Nzinga - Escola e Terra Nova - Ambaka, no S. Paulo (grande); Santos de Calomboloca - Ases, no S. Paulo (pequeno); no Golf, Atu Zemba - Fabimor e Nelito Soares - Indepentes do Golf; no Atlético, Textang - Onze Bravos da Samba; no "4 de Fevereiro", Independentes do Rangel - São Paulo e, nos CTTA, Cazenga - Vitória do Sambizanga.

JOGOS EM ATRASO
A organização do Campeonato Municipal de Futebol, tendo em conta o excesso de trabalho da agenda na altura, na qual alguns desafios se atrasavam, alterou os dias da competição de forma a actualizar, passando para terça, quarta e quinta-feira. Terça - feira: - no S. Paulo (grande), a partir das 9h30, Cuca - Juventude do Prenda e Banca - Saúde; quarta - feira: no S. Paulo (grande) S. Paulo  - Atu Zemba e Fabimor - Siga; na quinta - feira; também no São Paulo, Bela Vista - Nelito Soares e Golf - Merenguitos.