Jornal dos Desportos

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Modalidades

Crianas de Momedes inseridas na massificao

Gaudncio Hamelay | NO Lubango - 08 de Outubro, 2016

Namibe quer representar o pas nas competies internacionais

Fotografia: Jornal dos Desportos

Crianças e adolescentes de diferentes escolas do primeiro e segundo ciclos, bem como a de formação de professores, têm um novo "brinquedo" para se divertir nas horas pós-escolares. O ping-pong ganha a adesão a cada dia nos bairros periurbanos da cidade de Moçâmedes. Desde o lançamento do programa de massificação e de fomento de ténis de mesa, os bairros vivem momentos de alegria.

Às manhãs, as salas de diferentes escolas e em algumas áreas abertas das comunidades, os gritos das crianças emocionadas ecoam em meio a voz forte dos monitores. Todos querem aprender a manipular a raquete e a espera da vez parece uma tortura. Entre a paciência e a desistência, os treinadores são vencidos pela vontade de ensinar. É assim que a massificação e a expansão do ténis de mesa pinta o novo quadro de diversão das crianças e adolescentes da cidade de Moçâmedes, capital da província do Namibe.

Na Escola de Formação de Professores, os alunos da 12ª e 13ª classes "digladiam" por uma mesa. Mais de três dezenas de futuros profissionais em Educação Física constituem na principal força do programa de fomento do ténis de mesa. Com a conclusão da formação média, vão ingressar a lista de monitores.

Em declarações ao Jornal dos Desportos, Gustavo Nunes Carneiro, secretário-geral da Associação de Ténis de Mesa do Namíbe, assegurou que desde o lançamento do programa, no início do ano corrente, trabalham com "objectivos focalizados". O acompanhamento regular das escolas permite perspectivar "um desenvolvimento salutar". A província do Namibe vai ter uma participação mais activa nos campeonatos nacionais e internacionais, segundo Gustavo Nunes Carneiro.

“Queremos atingir uma determinada meta de forma que se justifique as sementes lançadas. Com o apoio do governo da província, garanto aos amantes da modalidade que vamos atingir grandes patamares do ténis de mesa mundial", prometeu.

A  modalidade de raquetes sobre a mesa movimenta centenas de crianças nos escalões de cadetes. Só sob a jurisdição da Associação de Ténis de Mesa do Namibe, dez crianças aprendem o ABC. Atlético do Namibe, Sporting do Namibe e Benfica do Namibe são os clubes que absorvem dezenas de crianças, das quais algumas do escalão de juniores.

A tendência da instituição reitora provincial é aumentar o número de praticantes. A falta de recursos humanos com competência condiciona o crescimento de atletas. Gustavo Nunes Carneiro realçou que em todo o país há défice de treinadores. Para colmatar a lacuna, a instituição provincial trabalha com a Federação Angolana de Ténis de Mesa na formação de monitores. "Não é fácil trabalhar com crianças no processo de massificação", justificou.

CLASSE FEMININO
À semelhança de outros desportos, o ténis de mesa também regista pouca adesão de meninas. O secretário geral da Associação do Namibe assinalou que "em 100 meninas inscritas apenas uma fica na modalidade". Desde o lançamento, nenhuma menina aderiu ao programa de massificação. Questões culturais e económicas podem condicionar a presença das meninas. Para desmitificar a situação, um trabalho de sensibilização está em curso nas escolas e nos bairros da capital do Namibe. 


HUÍLA
Namibe privilegia intercâmbios


Para conferir maior adesão dos petizes ao programa, Gustavo Nunes Carneiro defende a promoção de intercâmbios inter-provinciais entre a Huila e Namibe por manterem uma dinâmica de desenvolvimento do ténis de mesa. A troca de informações e realização de eventos vai proporcionar mais competência aos treinadores e aos atletas.

O secretário geral da Associação das terras da Welwitschia Mirabilis assevera que os dirigentes desportivos das duas províncias devem promover os torneios inter-provinciais e intercâmbios no capítulo de formação de diferentes actores da modalidade.

Juka Fernandes, presidente da Associação Provincial dos Desportos Individuais da Huíla, solidariza-se com o seu confrade do Namibe. O dirigente huilano afirmou que se devem criar as condições para a realização, cada vez mais, de intercâmbios com as províncias do Huambo, Benguela, Namíbe, entre outras. A promoção constante de torneios facilitam aos praticante melhorar as técnicas competitivas.

“Devemos realizar constantemente os torneios. Os jovens ficam sempre à espera de actividades inseridas em datas de efemérides, o que não é bom. Brevemente, vamos ao Namíbe para um outro intercâmbio”, prometeu Juka Fernandes.

As províncias da Huíla e do Namibe mantêm um protocolo de cooperação desportiva que perdura desde a independência nacional. A proximidade entre as capitais das duas localidades facilita na realização de eventos conjuntos.

CONSELHO
DE EX-CAMPEÃO

Elizandro André, ex-campeão nacional, aconselhou os atletas huilanos a dedicarem-se com afinco aos treinos para reduzir os níveis de competitividade dos atletas formados em Luanda, o principal pólo de desenvolvimento do país.

Em declarações ao Jornal dos Desportos, Elizandro André lembrou que os jogadores de Luanda são "muito fortes" porque "passam muitas horas a treinar". O modelo também serve para os atletas locais evoluir. O acompanhamento técnico é intrinsecamente importante no processo de evolução do atleta, segundo o campeão nacional.

Durante a troca de impressão com os mesatenistas huilanos, Elizandro André constatou que apresentam "grandes debilidades técnicas que devem ser debeladas com urgência".
GAUDÊNCIO HAMELAY | NO LUBANGO