Jornal dos Desportos

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Crise envolve críticas a Vettel

04 de Junho, 2016

O alemão tem tentado manter o optimismo nas últimas corridas mas é visível a decepção de ver a Ferrari a perder terreno para a Red Bull

Fotografia: AFP

“O carro está piorando", reclamou Sebastian Vettel via rádio logo após a classificação para o GP de Mónaco. O alemão tem tentado manter o optimismo nas últimas corridas, mas não esconde a decepção de ver a Ferrari perdendo terreno para a Red Bull, especialmente nas decisões da grelha de partida.

Afinal, a expectativa ferrarista antes do início da temporada era tentar ameaçar o domínio da Mercedes. Porém, desde que liderou a primeira etapa, na Austrália, o alemão vem coleccionando uma série de decepções.

Após seis etapas disputadas no campeonato, é apenas o quinto colocado e já tem 46 pontos de desvantagem em relação ao líder Nico Rosberg, enquanto a equipa Ferrari só tem nove pontos de vantagem em relação à Red Bull e viu a diferença cair significativamente nas últimas duas provas.

A pressão da imprensa italiana já começou. Após o GP de Mónaco, o Corriere della Sera disse que Vettel "é uma sombra triste em relação ao piloto que tomou as rédeas da equipa ano passado". Para a Gazzetta dello Sport, por sua vez, Vettel está "assumindo uma culpa que não é sua", pois o alemão "está lutando com um carro com o qual não dá para liderar corridas e contra uma Maranello fora dos trilhos."

PROBLEMAS
COM OS PNEUS


Já começou pressão para que Maurizio Arrivabene, chefe da equipa, saia do comando. Mas o dirigente vem preferindo apontar o dedo para os rivais, dizendo que Toro Rosso, Red Bull e Mercedes estariam "jogando com as pressões dos pneus e poderia ser interessante se conseguissem identificar isso", referindo-se a uma reclamação que começou na McLaren a respeito de um sistema com o qual estas equipes estariam burlando as pressões mínimas reguladas pela Pirelli.

O mau funcionamento dos pneus seria a principal causa da falta de rendimento da Ferrari em classificações.
"Foi a história de Barcelona e também de Mónaco", disse Arrivabene. "O problema é sempre a tarde de sábado, tem a ver com como nosso carro trabalha os pneus. Temos de tentar compreender, porque é absurdo que um carro tenha um desempenho no Q1 e no Q2 e depois seja incapaz de repetir no Q3. Falamos sobre a janela operacional dos pneus, mas estamos analisando o que acontece."

Para o italiano, as classificações ruins fazem com que a Ferrari acabe "encarando problemas que não são nossos" na corrida, lutando com carros inferiores. "Olhe o que aconteceu em Mónaco: para recuperar posições, tivemos de adoptar uma estratégia agressiva que nos colocou atrás de Felipe Massa - que não deveria ser nosso rival. A estratégia foi certa, mas é uma escolha que não teríamos de fazer se a classificação fosse melhor."

Além de resolver os problemas com as pressões dos pneus, a equipa planea introduzir mais uma evolução do seu motor na próxima etapa, no Canadá, dia 12 de Junho. A única dúvida é se será necessário gastar fichas de desenvolvimento para fazer a actualização.

REVELAÇÃO
Durabilidade do pneu ultramacio
surpreendeu equipas no Mónaco


Após longo período de Lewis Hamilton com o composto ultramacio, começaram a surgir dúvidas sobre a novidade. Segundo Flavio Gomes, o novo pneu não terá longa durabilidade em Montreal.

O rendimento e o não desgaste dos pneus ultramacios foi assunto no PADDOCK GP número 31, programa de debates do GRANDE PRÊMIO, transmitido na última terça-feira (31). A longa vida útil dos compostos roxos acabou favorecendo Lewis Hamilton no GP de Mónaco.  Gabriel Curty, comentarista do Paddock GP, lembrou que a Mercedes foi a equipa que mais testou o composto ultramacio durante a pré-temporada.

  “A grande questão disso tudo é que, nas voltas finais, não tivemos nenhum piloto de compostos mais duros mais rápidos”, disse Curty.
Flavio Gomes, apresentador do Paddock GP, comparou o traçado de Mónaco com o restante do calendário para explicar o motivo do baixo desgaste do composto.   “46 voltas em Mónaco equivalem a 20 voltas em circuitos tradicionais. Não tem curva de alta, acção lateral nos pneus, travagens fortes. Então, naturalmente, gastaria menos”, disse Gomes.
 A próxima etapa da F1 será o Grande Prémio do Canadá no próximo dia 12. Como em Mónaco, a Pirelli escolheu os seus três compostos mais macios para a etapa.

MOTOR
Honda quer actualizar
motor no GP do Canadá


Não é de hoje que a Honda deseja apresentar actualizações para o motor. Segundo o chefe da fornecedora de propulsores, é provável que para a etapa do Canadá, na próxima semana, o motor da McLaren tenha algumas mudanças.

A próxima etapa do calendário da F1 é na próxima semana, no Canadá, e a Honda pretende levar uma actualização do motor para lá. No entanto, ainda por algumas questões, o martelo só será batido neste final de semana.

 Diferente da temporada do último ano, 2016 tem sido bastante encorajador para a McLaren. No GP de Mónaco, Fernando Alonso terminou no quinto posto, enquanto Jenson Button foi o nono. Apesar dos bons resultados, a equipe não mostrou satisfação com o desempenho geral.

Hasegawa, chefe da Honda, agora pretende levar algumas melhorias para Montreal. “Não há dúvidas de que a potência é importante para o Canadá, que é um circuito travado. O consumo de combustível é também fundamental”, disse.

CONSTATAÇÂO
Director da Manor reconhece evolução


O director de corridas da Manor, Dave Ryan, sabe que a equipa melhorou exponencialmente de rendimento para a temporada 2016, ainda que siga no final do pelotão. O trabalho é de longo prazo, segundo ele, para se consolidar no meio do pelotão nos próximos quatro ou cinco anos. O objectivo deste ano em termos de resultado fica sendo não terminar em último no Mundial de Construtores.

Muito se discutiu durante a pré-temporada da F1 onde estaria a Manor durante a temporada 2016. Depois de uma mudança total no comando e trazendo o expatriado Dave Ryan de volta à F1 para comandar a operação, era claro que a equipa de Banbury tinha uma grande evolução. Restava saber o quanto. E houve, de facto, mas Ryan ainda sabe que a mesma melhora deste ano precisa ser aplicada no ano que vem para que a Manor chegue ao pelotão intermediário.

 Uma nanica em nível simplesmente de outra categoria nos anos anteriores da sua história, hoje a Manor segue no fim do pelotão, mas com capacidade de competir. Ainda não conseguiram colocar um carro no Q2 da classificação, porém. Com a equipa empurrada por motor Mercedes, o director de corridas sabe que há espaço para melhorar mais ainda nos próximos anos.

"Não há dúvidas que o carro desse ano é um passo gigante em relação ao ano passado. Ainda não estamos sequer perto. Esse ano nós  definitivamente podemos ser competitivos com alguns dos carros próximos a nós e o gap de desempenho que tivemos de tirar para isso foi imenso”, disse. “Mas precisamos da mesma evolução de novo. Não é uma área em particular, é em todas as áreas”, afirmou.

 Sobre esse ano em específico, porém, a meta é não terminar com a última colocação do Mundial de Construtores. A Sauber é a rival do momento, visto que nenhuma das duas equipas pontuou até aqui no campeonato.