Jornal dos Desportos

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Modalidades

Cubano resgata regatas em Cuba

06 de Dezembro, 2016

Para mim, vela é uma diversão. Também velejei de forma intensa, em busca de melhores performances para equiparar-me aos melhores.

Fotografia: AFP

O velejador Augie Diaz não desistiu de Cuba, ainda que as suas opiniões sobre o local sejam as piores diante de um passado de perdas de família, em meio à consolidação do sistema comunista. O desporto ainda mantém uma aproximação entre ele e a ilha caribenha. Campeão mundial de Star em 2016, o cubano naturalizado norte-americano que cresceu em Miami, após o pai um o ex -iatista Gonzalo Diaz deixar o país insatisfeito, com o que o atleta chama de falta de liberdade.

Com a morte de Fidel Castro, Augie viu uma oportunidade de resgatar a prática da vela, considerada um desporto de elite no solo onde nasceu. Negoceia com o governo um plano de recuperação da marina de Matanzas, ao Leste de Havana, assim como a doação de barcos para não deixar a modalidade acabar.

"A vela era um desporto tradicional em Cuba. Esta é uma história triste. Há muita água, mas com a decadência económica por lá, o dinheiro parou de chegar. Há muitos bons velejadores, mas não têm recursos, e a marina está num desastre", disse Augie, durante a Star Sailors League Finals.
Aos 62 anos, o atleta é uma referência no mundo da vela.

Terminou de competir em Nassau (Bahamas) em 11º lugar, ao lado do norte-americano Arnis Baltings, Diaz foi um dos nomes mais reverenciados durante a cerimónia de atribuição de prémios, aplaudido de pé pelos colegas. Detentor de outros seis títulos mundiais de Snipe, assim como de um bronze nos Jogos Panamericanos de Toronto (Canadá) e uma prata nos Jogos Pan de Guadalajara (México) na mesma classe, Augie regressou a Cuba em duas ocasiões após a mudança da família.

A última visita aconteceu em Novembro. As conversas com o governo deixaram-no optimista. Conta que doou embarcações a Cuba, mas acabaram desviadas para o município de Caibarién, contra a sua vontade. "O meu interesse não é ganhar dinheiro. Só quero que as pessoas tenham melhores condições. Hoje, a população é pobre. Não celebro a morte de ninguém, mas vejo um novo começo para Cuba", declarou o velejador, formado em engenharia mecânica pela Universidade de Tulane, nos EUA.

TÉCNICA E CLIMA
Desde que começou a ter os primeiros contactos com o Brasil, graças ao pai, Augie Diaz sentiu que algo o inspirava nos velejadores daquele país. Com o tempo, o atleta fez parceiros e amigos, em especial Bruno Prada e Henry Boening, o Maguila.

"Os  brasileiros têm um nível técnico alto e isto é só um primeiro aspecto. Há um clima de amizade muito grande, que pude conhecer especialmente com o Bruno Prada e Henry. Foi sempre muito divertido velejar com eles. Sempre conciliam muita intensidade com diversão ao velejar. Para mim, vela é uma diversão. Também velejei de forma intensa, em busca de melhores performances para equiparar-me aos melhores.