Jornal dos Desportos

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Daniel Teklehaimanot o pioneiro de África

16 de Julho, 2015

Primeiro ciclista africano é da Eritréia

Fotografia: AFP



A realização de um sonho, de infância, é dos pontos altos de qualquer profissional. Daniel Teklehaimanot está no topo. Aos 26 anos, o ciclista africano fez história na quinta-feira ao envergar a camisa branca com bolinhas vermelhas, dada ao melhor montanhista do Tour de France. O atleta da Eritreia ainda se tornou o primeiro africano a liderar a categoria da mais tradicional competição do ciclismo.

Teklehaimanot tornou-se o principal nome da MTN-Qhubeka, a primeira equipa africana a competir na Volta a França. O mais curioso de tudo isso:2015 é o ano da sua estreia na competição.“Não posso acreditar. Sonhava desde pequeno ter esta camisola. É um dia que nunca me vou esquecer. É um grande passo para o ciclismo africano”, declarou depois de vestir a camisola pela primeira vez - que a manteve em posse até o início da décima etapa.

O eritreu pode não ser do primeiro escalão no desporto, mas é considerado um dos pioneiros do ciclismo africano. Teklehaimanot começou a andar de bicicleta, quando tinha cerca de dez anos de idade. Aos 16 anos , já assistia à Volta a França e comentava com os seus amigos como ia gostar de ter a camisola de melhor montanhista.

Em 2009, foi seleccionado para fazer parte de um programa de desenvolvimento da União Ciclística Internacional (UCI), para atletas promissores de regiões sub-representadas no desporto. Passou pela equipa GreenEdge entre 2012-2013 - quando problemas burocráticos o impediram de fazer várias provas na Europa - e assinou no ano passado com a MTN-Qhubeka.

“Temos vários ciclistas na Eritreia; as pessoas amam o ciclismo, é um desporto popular”, descreveu Teklehaimanot ao jornal “The Guardian”.E com razão de ser. A Eritreia foi colónia da Itália. No século XIX, os italianos trouxeram as primeiras bicicletas e ajudaram a estabelecer o “Giro da Eritreia” em 1946. Bicicletas viraram comuns na capital do país, Asmara.

A própria geografia do país também ajuda a explicar o sucesso em provas com inclinações. A capital fica a mais de dois mil metros de altitude.
“A geografia explica muito, por que somos tão bons, mas também trabalhamos duro”, afirmou Teklehaimanot.O ciclista também faz parte de um grupo de desportistas, que tem a confiança do presidente do país, Isaias Afewerki, que está no poder desde 1993, quando o país se tornou independente da Etiópia depois de 30 anos.

No último mês, Teklehaimanot e Merhawi Kudus, que também está na Volta a França, voltaram para a Eritreia para competir no campeonato nacional.
Com tanto sucesso e pioneirismo, Teklehaimanot, agora, vai procurar lutar pela camisola que tanto ama. Resgatá-la de Chris Froome não vai ser obra do acaso. Na terça-feira, o britânico foi o mais rápido no primeiro trecho da montanha entre Tarbes e La Pierre-Saint-Martin, numa extensão de 167 quilómetros.