Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Decises tcticas definem o pdio

31 de Maio, 2016

Lewis Hamilton agradeceu a compreenso de Nico Rosberg em Monaco

No dia que o número 44 do carro de Lewis Hamilton virou a 44ª vitória da carreira do piloto britânico, o Principado de Monaco testemunhou uma corrida "suis generis".

Pela primeira vez, um Grande Prémio começou com um safety car. A chuva na abertura da prova obrigou as equipas a tomar decisões tácticas difíceis. A Mercedes teve de ordenar a Nico Rosberg deixar a passagem a Lewis Hamilton.  

A ordem foi dada tarde. A direcção liderada por Toto Wolff atribuiu a responsabilidade ao tricampeão mundial e arriscou a estratégia. No final, a vitória da Mercedes ofuscou a Red Bull.

Em reacção à vitória, o chefe da Mercedes revelou que foi difícil para a equipa dar a ordem por um motivo simples: Todo o final da semana, enfrentaram "dificuldades para aquecer os pneus". Por outro lado, quando se aperceberam da fuga de Daniel Ricciardo, "o momento ficou claro".

O dirigente assegurou: "se não revertêssemos a situação, certamente perderíamos a corrida". Depois, justificou: "Demoramos para tomar a decisão, porque esperamos o aquecimento do pneu, mas isso não aconteceu".

Toto Wolff assegurou que Nico Rosberg não refutou a decisão, porque sabia que não tinha um bom ritmo. Por essa razão, aproveitou para apoiar a atitude do seu piloto, que terminou apenas em sétimo lugar.

"Se tivéssemos um boné vermelho do Niki Lauda, iria tirá-lo. Foi uma grande jogada de equipa por compreender a situação", disse.
Depois de livrar Hamilton do tráfego do seu companheiro, a equipa tinha de arriscar para colocá-lo à frente de Ricciardo, que já estava a 13 segundos na liderança. "O único jeito de tentar vencer a corrida era apostar na manutenção em pista, enquanto Ricciardo trocou os pneus de chuva pelos intermédios. A decisão foi a mais acertada", disse.

Depois do pit stop do Ricciardo, que não foi bom, Lewis Hamilton só controlou a corrida. No seio da Mercedes, havia a tensão por saber se colocaram o pneu de pista seca uma volta antes do que deveria. Wolff revelou que o pensamento unânime dentro da colectividade era: "Se havia alguém que conseguiria fazer isso seria o Lewis. E foi isso que lhe deu a vitória".

HAMILTON AGRADECE
"GENTLEMAN” NICO

Na reunião na Mercedes horas após a corrida, no último domingo, Lewis Hamilton agradeceu a Nico Rosberg pelo gesto considerado de cavalheiro.
“Disse-lhe: ‘obrigado por ser um gentleman’”, confirmou o vencedor do GP de Monaco em entrevista à emissora britânica Sky Sports.

O tricampeão mundial explicou a ordem da Mercedes imposta a Rosberg em Monaco. “Chegamos a um acordo. Quando a equipa te pede para acelerar e você não conseguir cumprir, isso dificulta as oportunidades da equipa vencer a corrida. Temos esse acordo”, comentou.

Na visão de Lewis, Monaco era uma corrida decisiva para dar a volta por cima na época. “Cheguei aqui a pensar: ‘tenho de vencer’. Não sabia se poderia vencer, mas a chuva abriu uma janela de oportunidade. Estava no limite o tempo todo”, lembrou o piloto.

Por outro lado, Nico Rosberg sabia que não podia fazer muita coisa. Contudo, mais até do que a decepção por se ver forçado a abrir passagem para o rival, o desempenho do W07 em Monaco foi o mais doloroso.

“A impressão no carro, uma completa falta de confiança, foi o que mais doeu. A segunda coisa foi apenas uma consequência do que era bastante óbvio: não tinha ritmo para vencer”, lamentou.

POLÉMICA
Marcus Ericsson pede desculpas à Sauber

Há pouco mais de sete meses, Felipe Nasr e Marcus Ericsson enroscaram-se durante a disputa no Grande Prémio dos EUA, em Austin e levaram uma chamada pública da chefe da Sauber, Monisha Kaltenborn. A mesma situação aconteceu durante o GP de Monaco.

A equipa suíça deu a Nasr uma ordem para permitir que Ericsson fizesse a sua ultrapassagem por considerar o dono do carro número 9 mais rápido que o brasileiro. Contudo, no fim da volta 51, o sueco tocou no companheiro de equipa na curva Rascasse, resultando no abandono de ambos e abriu nova crise na Sauber, cuja situação já não é das mais fáceis.

Monisha veio a público para dizer que o novo incidente entre os seus pilotos é inaceitável e bradou. “Ambos estavam errados. Para ser sincera, não é uma questão de satisfações. Somos uma equipa e todos sabem as suas responsabilidades”, bradou.

Marcus Ericsson concordou: “Claro que sim! 100 por cento”. E o sueco foi além ao pedir desculpas à Sauber. Embora tenha evitado falar no nome do seu companheiro de equipa, Ericsson deixou claro que, na sua visão, o incidente poderia ter sido evitado se Nasr tivesse cumprido a determinação da Sauber.

“Acho que isso é muito decepcionante para toda a equipa e peço desculpas a toda a equipa pelo que aconteceu. Precisamos sentar, discutir, esclarecer as coisas, garantir que vamos para Montreal lutar juntos como equipa para marcar pontos e que isso nunca mais aconteça de novo”, declarou.

Na explanação, Ericsson disse "na F1, a disputa entre companheiros de equipa é sempre difícil; é uma competição muito acirrada, mas que não deve terminar assim".  Ericsson explicou a situação que culminou com o abandono dos dois pilotos da Sauber em Monte Carlo.

“Estava a chegar, 3 ou 4s (mais rápido) por volta, fiquei preso atrás dele e pedi à equipa sobre o que fazer.
Disseram-me que estavam a pedir para trocar a posição e disseram-me isso por sete ou oito voltas. Infelizmente, isso não aconteceu. Depois de sete ou oito voltas, disse à equipa: ‘Estamos a perder muito tempo aqui’”, recordou.

O sueco relembrou que a equipa tinha "muito ritmo, ao menos 2s por volta mais rápido no carro", mas que não puderam usar. Perante, a lentidão, tentou fazer a manobra por conta própria.

"Tive a luz verde do meu engenheiro para tentar a ultrapassagem e tentei naquela curva ultrapassar Valtteri Bottas no começo da corrida, quase o acertei e correu tudo bem.

Pensei que fosse um bom lugar, porque vi que Nasr estava a sofrer muito no último sector”, disse.
Marcus disse que lamenta por não tiver a mesma sorte à semelhança com Bottas. Contudo, "o incidente poderia ser evitada se ordens fossem seguidas".

INCIDENTE MÔNACO
Monisha critica Nasr e Ericsson


A Sauber não aceitou muito bem o incidente entre Marcus Ericsson e Felipe Nasr no GP de Monaco. Para Monisha Kaltenborn, chefe da equipa, a situação é inaceitável e os pilotos devem pensar não apenas em si mesmos.

Na volta 51 da prova no Principado, o brasileiro recebeu uma ordem para deixar o seu companheiro ultrapassá-lo. No entanto, não acatou o pedido e quando o sueco tentou tomar a sua 15ª posição, chocaram-se e abandonaram a disputa.

Para a dirigente da equipa, o que aconteceu foi inaceitável e que os dois deveriam pensar na equipa e em todos que trabalham duro para fazer com que se conquistem pontos.  “Ambos estavam errados. Para ser honesta, isso não é sobre as suas satisfações, somos uma equipa e todos sabem as suas responsabilidades”, opinou.

Monisha Kaltenborn completou a sua zanga: “É sobre a equipa e termos tantas pessoas que trabalham duro para que consigamos conquistar pontos e mostrarmos bom desempenho. Esses dois jovens rapazes devem estar cientes das suas responsabilidades e sei que estão”.

Kaltenborn ainda afirmou que todos tiveram uma séria conversa e está com esperança de que o episódio não vai repetir-se.  “Tivemos uma conversa todos juntos e deixamos tudo claro. Tenho a certeza de que isso não se vai repetir”, contou.

Expelindo mágoa,  Monisha Kaltenborn disse que "isso é frustrante e apenas inaceitável".
"Acredito que não vamos ter essa conversa novamente. Tem um piloto que disse que o maior oponente no traçado é o companheiro, o que é justo, mas têm a responsabilidade com a equipa; isso foram relembrados”, encerrou.

O acidente, no entanto, não saiu barato para o sueco Ericsson. O piloto do carro número 9 foi punido com perda de três posições na grelha de partida do Grande Prémio de Canadá no dia 10 de Junho.