Jornal dos Desportos

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Despedida em grande

Silva Cacuti - 23 de Julho, 2016

O acto de entrega das bandeiras foi o momento mais alto da cerimónia oficial de despedida das duas delegações desportivas.

Fotografia: Kindala Manuel

Numa cerimónia pomposa, abrilhantada com música e dança do grupo folclórico Ballet Kilandukilo, a andebolista Luísa Kiala e a velocista Esperança Gicaso, as porta-bandeiras das Missões olímpicas e paralímpicas do Rio de Janeiro, receberam ontem as bandeiras com que ambas delegações vão desfilar nas cerimónias de abertura e de encerramento dos dois eventos desportivos.

A honra da entrega coube ao Vice-Presidente da República, Manuel Vicente. O acto de entrega das bandeiras foi o momento mais alto da cerimónia oficial de despedida das duas delegações desportivas.

Obedecendo ao ritual para essas ocasiões, todos os porta-estandartes das anteriores Missões estiveram presentes. A bandeira passou pela mão de todos, desde Fernando Lopes até chegar às mãos de Marcelina Kiala, a porta-estandarte da última edição. A ex-andebolista Marcelina entregou a bandeira ao Vice-Presidente da República que, de seguida, a entregou à guarda de Luísa Kiala. O mesmo ritual se fez com a delegação paralímpica.

Luísa Kiala entra para a história do olimpismo como a 12ª porta-estandarte angolana, depois de Fernando Lopes, em 1980 (natação); Hélder Neto, 1988 (judo); Jean Jacques da Conceição, 1992 (basquetebol); Palmira Barbosa, 1996 (andebol); Nádia Cruz, 2000 (natação); Ângelo Victoriano e Elisa Torres, 2004 (basquetebol e andebol); João Ntyamba e Filomena Trindade 2008 (atletismo e andebol); Marcelina Kiala e Maria de Fátima "Faia", 2012 (andebol e judo).

No desporto adaptado, Esperança Gicaso é a sexta da história. Na estreia em Jogos Paralímpicos, em 1996, Ângelo Londaka foi o porta-estandarte. Seguiram-se André Augusto (2000), Estefânia Matias (2004), José Armando Sayovo (2008) e Maria da Silva (2012).

A Missão angolana comporta 48 elementos que vão entrar para a vila olímpica. Desses, 26 são atletas divididos pelo andebol (15), vela (3), remo (2), natação (2), atletismo (2), tiro (1) e judo (1).

Outros 22 elementos são oficiais, nomeadamente, chefe de Missão; adjunto do chefe de Missão; dois oficiais administrativos; três médicos; dois fisioterapeutas; sete chefes de delegação (1 por cada modalidade); seis treinadores.

Hermenegildo Leite, do atletismo, é a mais jovem da Missão angolana, com 16 anos de idade, enquanto o atirador Paulo Silva, de 52 anos, é o mais velho dos atletas.


MOBILIDADE E SEGURANÇA
Simulação resulta em êxito


O tempo, esse recurso não renovável e perecível, está a tirar o sono à organização dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, Rio de Janeiro 2016, que se esmera para que a excelência seja a divisa principal da XXXI Olimpíada. A cidade ganhou novas infra-estruturas desportivas e sociais, que tiveram nota máxima nos testes simulados de mobilidade, segurança e cerimónia de abertura.

O ensaio deixou os mais cépticos com margem mínima para comentários pouco abonatórios, à boa imagem da cidade e quiçá do país, pois desfez todo um conjunto de dúvidas que pairavam um pouco por todo o mundo, em relação à segurança, mobilidade e a cerimónia de abertura.

O teste envolveu mais de duas mil pessoas, visou a avaliação das rotas de chegada e partida de 250 autocarros, que vão transportar os atletas, voluntários, árbitros e organizadores que participam na cerimónia de abertura, no dia 5 de Agosto.

Todavia, para acautelar hipotéticos empecilhos no dia da cerimónia de abertura, durante o ensaio foram testados vários painéis de mensagens variáveis – entre fixos e móveis – com informações às alterações no trânsito, rotas alternativas e condições do tráfego. A isso, a organização acresceu reboques para desobstrução de vias, em caso de acidente ou avaria de algum veículo.

O Centro de Operações Rio monitorou no teste a área do evento, que permitiu optimizar a programação dos semáforos, para garantir a fluidez do trânsito e adaptá-lo às novas condições, após a implantação de bloqueios nas vias de acesso ao Estádio do Maracanã e no centro.

O teste simulado da operação de segurança, o terceiro realizado para a cerimónia de abertura, reuniu instituições dos governos federal, estadual e municipal. Além do Maracanã e do Centro, o ensaio estendeu-se a diferentes pontos e vias da Zona Sul e da Barra da Tijuca, que envolveu mais de 700 veículos, entre motos, carros, autocarros, ambulâncias e helicópteros.

No total, cerca de 3.300 profissionais de segurança pública vão trabalhar na região do Maracanã, no dia da cerimonia de abertura dos Jogos Rio 2016.
A Força Nacional de Segurança faz a segurança do perímetro interno e de todas as instalações. A Tribuna de Honra passa por vistorias e equipas da Polícia Federal hão de actuar para garantir a segurança dos Chefes de Estado.

No dia 24 de Julho, o Rio de Janeiro conta com a activação completa do Centro Integrado de Comando e Controlo (CICC), com todas as forças e instituições a actuarem de forma integrada, 24 horas por dia, sete dias por semana. Aproximadamente, 47 mil profissionais de segurança vão trabalhar durante os Jogos Olímpicos. 
ANTÓNIO FERREIRA


ORIENTAÇÃO
Presidência recomenda profissionalismo no Rio


O Vice-Presidente da República, Manuel Vicente, recomendou ontem a todos os integrantes das Missões desportivas angolanas aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro, Brasil, que ao representarem o país o façam com patriotismo e profissionalismo.

Manuel Vicente falava em representação do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, na cerimónia de entrega da bandeira da República às duas Missões, que marcou a despedida oficial dos representantes angolanos ao maior evento desportivo do planeta.

"De todos se espera patriotismo e profissionalismo e que os mesmos se revelem no quotidiano - o diálogo e o zelo constituem a matriz do bom desempenho que todos os dirigentes desportivos devem buscar e mostrar e que têm subjacente responsabilidade", disse.

A cerimónia foi presenciada pelos Ministros da Juventude e Desportos, Gonçalves Muandumba; das Relações Exteriores, Georges Chicoti; pelo embaixador de Angola no Brasil, Nelson Cosme; vice-governadora de Luanda, Juvelina Imperial, e presidente do Comité Olímpico Angolano, Gustavo da Conceição, entre outros dirigentes desportivos e convidados.

Ao se dirigir especificamente aos dirigentes desportivos, o Vice-Presidente Manuel Vicente apelou que "sejam um exemplo neste domínio".

Sublinhou que "a participação de Angola nestas olimpíadas nunca foi posta em causa, não obstante as dificuldades que vivemos".

"Angola, nosso país, gosta de honrar os seus compromissos", frisou.

"Por outro lado, é de realçar a importância que o nosso Executivo e muito particularmente o nosso Presidente da República, atribui ao desporto, a relevância e o lugar que o mesmo tem no país, junto do nosso povo, bem como no nosso continente", destacou.

A terminar, desejou que o espírito olímpico lidere as actividades da missão.

"Em nome de Sua Excelência o Presidente da República, Eng. José Eduardo dos Santos, desejo aos atletas e toda a comitiva que os acompanha que façam uma boa viagem, que o espírito olímpico vos acompanhe e que, uma vez mais, sejais os nossos dignos representantes e honreis a nossa bandeira e a nossa Angola", terminou.
Silva Cacuti



OBJECTIVO
Sonho da medalha olímpica


Os integrantes da Missão olímpica, tal como todo e qualquer atleta no mundo, também tem o sonho da medalha olímpica, mas não é uma realização que possa anteceder a certos pressupostos ligados à formação de quadros e aglutinação de vários factores, defendeu Gustavo da Conceição, presidente do Comité Olímpico Angolano.

No momento em que passava a mensagem da Missão, Gustavo da Conceição realçou o espírito de sacrifício demonstrado pelos atletas durante a preparação para o Rio de Janeiro

"Também temos o sonho da medalha olímpica, mas reconhecemos com toda a humildade que, para o tornar mais facilmente realizável, o associativismo desportivo precisa de mais e melhores quadros; de formação curricular e não curricular; de contar mais e melhor com o desporto escolar...", disse.

Gustavo da Conceição ressaltou ainda a determinação do grupo para dar o melhor de si a fim de honrar o bom nome do país.

"Este grupo completou a fase de preparação em que trabalhou de forma árdua, deu grande prova de criatividade e de persistência na sua capacidade de ultrapassar as dificuldades e está aqui para garantir que tudo farão para honrar o bom nome de Angola, defender até à exaustão as cores da nossa bandeira e procurar suplantar as marcas, os tempos, os recordes nacionais e pessoais que existem", disse.

Na mesma linha, Leonel da Rocha Pinto, presidente do Comité Paralímpico Angolano, disse que, mais uma vez, "os atletas paralímpicos vão para uma Missão com o objectivo de honrar o nome do país".

O também presidente do Comité Paralímpico Africano, revelou que os atletas paralímpicos vão beneficiar de estágios em Cabo Verde e no palco da competição, onde pretendem chegar com antecedência. 
Silva Cacuti

Ofertas
Jornalistas estrangeiros
convidados a doar livros


Os jornalistas estrangeiros, atletas de delegações olímpicas e paralímpicas e oficiais de arbitragem estão convidados a transportar na mala um livro, que ajude os brasileiros e em especial os cariocas a conhecer um pouco mais sobre os seus países de origem. As doações são entregues no Rio Media Center, no balcão de credenciamento.

As publicações devem abordar as culturas dos países, de tempos passados e actuais, e estar na língua nativa. É uma oportunidade ainda de atletas e jornalistas autores, deixarem as suas obras como legado, aos moradores e visitantes da cidade.

A acção “Livros do Mundo” é uma iniciativa da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro – através da Superintendência da Leitura e do Conhecimento – em parceria com o Rio Media Center. O projecto vai enriquecer o Espaço Mundo, uma secção especial da Biblioteca -Parque Estadual que contempla os grandes clássicos da literatura internacional no idioma original.

Credenciais de acesso

As credenciais de acesso ao Rio Media Center, que passa a funcionar durante 24 horas a partir do dia 27, começam a ser entregues aos jornalistas nos dias 25 e 26 de Julho, no Rio Media Center (RMC). Preferencialmente, o próprio credenciado retira o documento no balcão do RMC.

Junto com a credencial é entregue também o kit de informação, uma sacola com material útil para os jornalistas. O kit de informação inclui o Guia do Jornalista, com dados sobre a estrutura do Rio Media Center, os serviços oferecidos às áreas de informação e contactos importantes para os profissionais de imprensa. O guia também está disponível no site do Rio Media Center, oferece ainda dicas de como obter informações sobre a mobilidade e material diverso para uso jornalístico.  Além da entrada no próprio Rio Media Center, a credencial permite acesso à área destinada à imprensa no Boulevard Olímpico,  sites instalados no Porto Maravilha, no Parque Madureira e no Centro Desportivo Miécimo da Silva, em Campo Grande e à Casa Brasil, local do Governo Federal, na nova Praça Mauá.                
ANTÓNIO FERREIRA