Jornal dos Desportos

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Diageo compra a Force India

12 de Março, 2016

Empresa de bebidas comprou acções do fundador da Force Índia

Fotografia: AFP

O tiro de largada do Grande Prémio da Austrália, a primeira etapa da época'2016 ainda não foi dado no circuito de Melbourne, mas a Fórmula 1 volta a estar assombrada com problemas financeiros. As dívidas astronómicas assustam os responsáveis das equipas da grelha. Vijay Mallya magnata indiano e dono da Force India fugiu para Londres para evitar  a prisão no seu país natal, a India, por endividamento de 1,2 mil milhões de dólares norte-americanos.

A Força India vive uma pré-época recheada de competitividade e tudo aponta que vai ter uma época promissora, sonha com voos mais altos na F1. O optimismo da equipa não se estende ao seu dono. O empresário indiano e fundador da Força Índia passa por uma situação financeira delicada. Vijay Mallya pediu emprestado a um consórcio de 13 bancos do país 1,2 mil milhões de dólares e não dispõe de recursos para os devolver. Os prazos de pagamento expiraram, as taxas avolumam-se e uma única saída o pode salvar da cadeia: abandonar a Índia e passar um tempo indeterminado em Londres.

A medida extrema revelada pela Forbes é uma forma de driblar as leis indianas. Se permanecesse na sua terra natal, Mallya corria o sério risco de ser preso por causa das dívidas, punição prevista na legislação local. O presidente da Sahara, empresa parceira da Force India já está na cadeia por dever 3,7 mil milhões de dólares.

A situação de Mallya piorou rapidamente ao longo das últimas semanas. Na semana passada, a Suprema Corte da Índia tinha estipulado um prazo de duas semanas para que o magnata apresentasse motivos e razões para não ter o passaporte recolhido.

Recentemente, Mallya teve também de abrir mão às suas acções na Force India para tentar pagar as dívidas. Os seus 42,5 por cento na equipa foram vendidos a Diageo que é a empresa gigante do mercado de bebidas.

Mesmo assim, a Force India não se abala e continua com a intenção de crescer na F1. Depois de conquistar um inédito quinto lugar no Campeonato de Construtores de 2015, a equipa quer  crescer e promete disputa com Williams e Red Bull.

SAHARA ABRE
MÃO DAS ACÇÕES

A Sahara que é a principal parceira da Force Índia, está próxima de abandonar a F1. A companhia indiana está envolvida num escândalo financeiro que terminou com a prisão do seu presidente, vai ter de vender a totalidade das  acções na equipa (42,5 por cento) para pagar os credores e  reverter o péssimo momento actual.

A companhia trabalha justamente com serviços financeiros e de Tecnologias da Informação, acumula dívidas de aproximadamente 3,7 mil milhões de dólares norte-americanos. A situação levou o chefe da empresa Subrata Roy à cadeia em Março de 2014, de acordo com as leis indianas. Para a empresa resta vender vários dos seus activos avaliados aproximadamente em 108 milhões de dólares norte-americanos.

Além de colocar uma interrogação sobre a própria Force India a venda pode afectar o nome da equipa. Desde 2011, quando a parceria entre as duas partes começou, a equipa de Vijay Mallya passou a ter o nome oficial de Sahara Force India. Ainda é incerto se a nomenclatura da equipa vai mudar  na época'2016.

O resto das acções da Force India era dividido entre duas partes: uma delas é do próprio Mallya com 42,5 por cento (que vendeu a Diageo), enquanto a outra é do investidor Michel Mol que é dono de 15 por cento da representante indiana no mundial de F1.


VENDA DE ACÇÕES
Toto Wolff corta laços com a Williams


O chefe da Mercedes Toto Wolff vendeu o restante das suas acções a Williams. A participação do austríaco que era de 5 por cento foi comprada pelo executivo da área da saúde Brad Hollinger, na semana passada. O dirigente tinha negociado com o mesmo empresário outros 10 por cento das suas acções há dois anos.

Toto Wolff começou a investir na Williams em 2009 e posteriormente passou a desempenhar um papel mais activo na reestruturação administrativa da equipa inglesa a partir de 2011. Tornou-se director - executivo da equipa britânica no ano seguinte, antes de ser convidado para chefiar a Mercedes.
"Estou realmente surpreso como esse dia tem sido bastante emocionante para mim, por encerrar os meus laços com Frank e a equipa Williams", disse o dirigente.

Na sua alocução, Wolff assegurou que entrou na equipa com "a pura perspectiva do investimento" e de repente viu-se numa "posição mais activa," ao ajudar na reestruturação de "uma grande e independente equipa da F1".

"Estou realmente orgulhoso por ter feito parte disso e por ter dividido com eles a paixão verdadeira pelo desporto a motor", completou.

Toto Wolff acrescentou que o plano de vender a sua parte da participação foi acordada a longo prazo com a empresa Daimler em 2013, mas "é sempre importante encontrar o investidor certo que esteja a fazer isso pelas razões certas". E a escolha de Brad Hollinger "é essa pessoa".

A equipa inglesa é controlada por Frank Williams, que possui pouco mais de 52 por cento das acções. Hollinger vai tornar-se o segundo accionista com cerca de 15 por cento, seguido por Patrick Head que tem 9,3 por cento. A equipa possui quase 4 por cento do negócio. O restante das acções à volta de 20 por cento ainda é negociado pela Bolsa de Valores de Frankfurt, na Alemanha.

"É um dia de emoções misturadas. Toto tem sido uma parte importante da nossa equipa. Veio para Williams num momento de instabilidade e ajudou-nos a estabilizar o navio", afirmou Claire Williams, chefe - adjunta da equipa de Grove.


SAUBER
Funcionários recebem  salários


A Sauber confirmou que fez os pagamentos de salários dos funcionários referentes ao mês de Fevereiro e que não tem dúvidas de que vai disputar a primeira etapa da época'2016 da F1, que acontece entre os dias 18 e 20 de Março, em Melbourne.

Por conta de problemas financeiros, a equipa suíça foi incapaz de cumprir os pagamentos salariais do mês passado para os cerca de 300 funcionários, só uma parte recebeu em dia.  Porém, na quarta-feira, a equipa comandada por Monisha Kaltenborn confirmou que encontrou uma solução para garantir o salário dos empregados. A informação é da revista inglesa 'Autosport'.

A Sauber atravessa um período particularmente complicado e foi uma das três equipas da grelha que pediu a Bernie Ecclestone, o patrão comercial da classe raínha do automobilismo mundial,  o adiantamento dos pagamentos relativos ao campeonato passado. A equipa exige mais recursos e tenta firmar acordo com um patrocinador - máster para compensar as despesas com o pessoal.

No momento, o principal patrocinador da equipa é o Banco do Brasil, cuja marca é a que tem a maior exposição no carro azul e amarelo.

 A instituição financeira também é o principal patrocinador da carreira do jovem brasileiro Nasr.

Recorda-se que em 2015, a Manor surgiu na grelha, em substituição da Marussia.


MAIOR POTÊNCIA
Equipa McLaren
pressiona Honda


A performance da McLaren nos testes colectivos em Barcelona superaram a do ano passado, mas o motor da Honda não entrega a potência que se espera para se aproximar das outras equipas de fábricas em termos de velocidade. A confiabilidade mostrada pelo novo carro contrasta com o défice de potência do novo motor.

O director de corridas da McLaren Éric Boullier chamou para si a responsabilidade pelo desenvolvimento do novo MP4-31, mas disse que “não pode fazer promessas” sobre a unidade de potência da fornecedora japonesa. O engenheiro francês atira a pressão para os ombros da Honda.

Nesta semana, Éric Boullier revelou que o nível de comunicação com a Honda melhorou significativamente. O novo chefe da fábrica do projecto da Honda para a F1, Yusuke Hasegawa, que assumiu a posição de Yasuhisa Arai, fala inglês.

“Do lado da McLaren estamos dentro do cronograma. Quanto ao motor ainda não, mas há bons sinais de progresso na Honda, ao menos pudemos começar a desenvolver o carro na segunda semana de testes, o que não foi possível no ano passado”, afirmou Boullier em entrevista à revista alemã ‘Auto Motor und Sport’.

O responsável assegurou que o carro ainda não está onde querem e o motor ainda não alcançou os números que tinham planeado para 2016.
"Não estou a dizer que vamos bater a Mercedes, mas podemos melhorar de forma incrível”, acrescentou para de seguida reafirmar a pressão da McLaren para cima da Honda.

Questionado pela publicação se concorda com Fernando Alonso quando disse que a McLaren pode lutar por pódios ainda em 2016, Boullier respondeu de forma positiva, mas tratou de alertar o espanhol de que todos na McLaren e não apenas o bicampeão querem ver a equipa britânica de volta ao topo do desporto.

“Acho que é possível. Até agora cumprimos com o que foi prometido. Ele vê as simulações, o que estamos a planejar e que agora são completamente transferíveis para a pista”, disse o engenheiro.

Eric garantiu que querem vencer, "não só Alonso," "a McLaren deve vencer. Se a Honda pode alcançar um certo nível neste ano e pudermos ter um dos melhores carros da grelha, Fernando vai voltar a divertir-se. Fui contratado pela McLaren para garantir que vamos colocar o melhor carro na pista. O carro é responsabilidade minha, quanto ao motor não posso fazer promessas”, completou, ‘lavando as mãos’ sobre o trabalho da Honda neste começo de 2016.