Jornal dos Desportos

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Dibaba quer mais recordes

11 de Fevereiro, 2017

Etíope Diababa corre atrás de novos recordes mas ainda não conseguiu uma medalha de ouro em Jogos Olímpicos

Fotografia: AFP

A celebração do seu 26º aniversário teve algo de especial para a etíope Genzebe Dibaba na passada quarta-feira. A atleta comemorou a data com um novo recorde mundial em pista coberta com uma nova marca nos 2000 metros, durante o meeting na Catalunha, em Sabadel, superando o recorde de Gabriela Szabo, que já durava desde 1998.

O atletismo está no sangue da sua família, e a atleta correu os dois mil metros em 5.23,75 minutos, melhorando em quase sete segundos uma marca que tinha sido estabelecida ainda antes de ela mesmo ter nascido. Aliás, a velocista da Etiópia  está talhada para bater marcas fixadas ainda antes da sua data de nascimento, como aconteceu  há um ano. Depois de ter completado o 25.º aniversário, Genzebe bateu o recorde mundial da milha feminina, que durava há 26 anos, ao cumprir a etapa de Estocolmo em 4.13,14 minutos. No mesmo ano tinha fixado nova marca mundial nos 1500 metros - 03.50,07 minutos no Mónaco, e foi ainda medalha de ouro na distância nos Mundiais de Pequim.

Já com sete marcas mundiais no palmarés, Genzebe propõe-se agora a metas mais ambiciosas e tenciona bater três recordes no mesmo mês, ela que também já estabeleceu novos registos nos 3000 e 5000 metros. No dia 24, em Madrid, a sua tarefa é tentar destronar o nome maior do atletismo moçambicano: Maria de Lurdes Mutola, campeã olímpica em Sydney nos 800 metros e que detém há 18 anos o recorde mundial dos 1000 metros em pista coberta. A organização do evento em pista coberta, na Villa de Madrid, não faz por menos e publicou, nas imediações do Centro Desportivo Municipal Gallur Madrid, cartazes com a imagem da atleta a publicitar o evento: "Recorde mundial a bater: 2.30,94 nos 1000 metros", pode ler-se, o que sugere desde logo que a expectativa não está em descobrir quem vence a prova, mas sim de quanto tempo Dibaba vai necessitar para a conquistar.

Genzebe Dibaba é uma das melhores atletas da actualidade, mas até 2020 tem algo garantido na sua carreira: não terá, pelo menos até aos Jogos de Tóquio, a ambicionada medalha de ouro olímpica, uma tradição na família Dibaba. Tirunesh e Ejegayehu contam com medalhas olímpicas no currículo e são as irmãs mais velhas de Genzebe. A elas há a acrescentar a prima Derartu Tulu, que também foi campeã olímpica. Tirunesh é o nome mais consagrado, pois arrecadou três medalhas olímpicas - foi ouro nos 5000 e nos 10 000 m em Pequim, em 2008, e revalidou o título dos 10 000 em Londres.

No caso de Genzebe, as duas experiências olímpicas tiveram sabor amargo. Em Londres 2012, a atleta lesionou-se na primeira eliminatória dos 1500 metros e foi afastada da competição. No Rio de Janeiro, Genzebe conseguiu finalmente uma medalha olímpica, mas com um sorriso amarelo: foi prata nos 1500 metros, tendo ficado a 1,35 segundos do título olímpico da queniana Faith Chepngetich Kipyegon. Para já, vai-se preparado para Tóquio ao ritmo dos recordes.


MEIA-MARATONA
Jepchirchir alcança novo máximo mundial


A queniana Peres Jepchirchir bateu ontem o recorde do mundo da meia maratona, ao cumprir os 21,0975 quilómetros em 1:05.06 horas, em Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos. Jepchirchir retirou três segundos à anterior marca, que pertencia desde 15 de Fevereiro de 2015 à sua compatriota Florence Jebet Kiplagat. A nova recordista mundial da meia maratona bateu também o recorde mundial dos 20 quilómetros, com o tempo de 1:01.40 horas. Na meia maratona de Ras Al Khaimah, Jepchirchir superou as compatriotas Mary Keitani (1:05.13) e Joyciline Jepkosgei (1:06.08), que completaram o pódio da corrida.

O também queniano Bedan Karoki Muchiri venceu a prova masculina, com o tempo de 59.10 minutos, a segunda melhor marca de todos os tempos, à frente do etíope Yigrm Demelash (59.19) e do seu compatriota Augustine Choge (59.26).