Jornal dos Desportos

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Modalidades

Dificuldades condicionam trabalho na Huíla

Gaud?ncio Hamelay - Lubango - 10 de Junho, 2017

Huíla é pioneira na implementação do basquetebol em cadeira de rodas no país

Fotografia: Nuno Flashi

A falta de sede própria para funcionar, incentivos para os atletas, meios de transporte, recursos financeiros e material desportivo são entre outras dificuldades, as que afligem a Associação Provincial dos Desportos Adaptados da Huíla.

Apesar disso, a Associação dos Desportos Adaptados da Huíla está apostada no relançamento de novos atletas, através do trabalho de pesquisa aos municípios e na escola do ensino especial situada no Lubango, para captação de talentos para a prática das modalidades de atletismo, futebol de onze com muletas, basquetebol e voleibol em cadeira de rodas, em ambos os sexos. 

Actualmente, três modalidades, mormente atletismo, basquetebol em cadeira de rodas e o futebol de salão auditivo, encontram-se em funcionamento.

O secretário-geral da Associação Provincial dos Desportos Adaptados da Huíla, Eduardo Samuel José,  pontualizou estar numa fase de reestruturação dos atletas e de renovação das modalidades praticadas.

O dirigente desportivo explicou que se está na fase de reestruturação dos atletas, porque os actuais estão próximos da idade de aposentação, não garantem segurança para o futuro.

“Estamos numa fase de reestruturar a própria Associação, em termos de atletas, porque temos apenas três modalidades em funcionamento: atletismo, basquetebol e futebol de salão auditivo. Agora, estamos a perspectivar o futebol de onze com muletas. Nós estamos na fase de reestruturar os atletas, porque os que temos já não garantem segurança para o futuro”, disse.

Apontou estar o seu organismo a pesquisar na escola do ensino especial, na cidade do Lubango, e em alguns municípios da província onde foram identificados atletas que podem valer para o futuro, sobretudo, na Matala, Quilengues, Caluquembe e Caconda.

Eduardo Samuel José anunciou que vão reformular o basquetebol em cadeira de rodas, por estar a decair.

Garantiu envidar esforços para reconquistar o lugar que a província da Huíla já granjeou em anos transactos, e reconheceu a necessidade de um estudo de novos atletas para essa modalidade, que não é fácil encontrar praticantes que adiram à prática do basquetebol em cadeira de rodas.

“Em suma, estamos numa fase em que daqui há 4 anos teremos os novos valores para o desporto paralimpico na Huíla”, perspectivou Eduardo Samuel José.

Disse que na modalidade de atletismo conta com atletas auditivos, T46 (amputados), T20 e T11 que trabalham em número muito reduzido, totalizam 35 praticantes, em ambos os sexos e 16 no basquetebol em masculino.

“Queremos aumentar o nosso número habitual para termos no mínimo 60 praticantes em atletismo, depois escolhermos os melhores para participar em competições provinciais e nacionais”, asseverou.

 O secretário-geral afirmou que ainda não começou a fazer o trabalho de campo e avançou estar a realizar o levantamento dos atletas existentes, que podem fazer parte da equipa de futebol de onze com muletas.

Sustentou haver alguns elementos identificados para ver se é possível lançar o futebol com muletas.

 “Já temos 4 técnicos masculinos e 3 técnicos femininos formados para garantir o desenvolvimento do futebol com muletas”, indicou.

 “Temos vários problemas na Associação. Por isso, vamos arranjar um padrinho a nível dos empresários da província, para ver se mudamos o actual quadro da falta de incentivos para os atletas. Os próprios treinadores trabalham a custo zero. Temos muitos problemas no futuro para tratar na Associação”, citou.


BASQUETE BOL EM CADEIRA DE RODAS
Huíla é pioneira do desporto adaptado no país


A província da Huíla foi a pioneira na implementação da prática da modalidade de basquetebol em cadeira de rodas, e futebol com muletas, a nível do país, lembrou ao Jornal dos Desportos, Eduardo Samuel José.

 O secretário-geral da Associação provincial dos Desportos Adaptados da Huíla, revelou que neste momento a modalidade de basquetebol em cadeiras de rodas movimenta 18 atletas.

 Destes atletas,  uns já não estão a fazer o seu treino como antes, por isso, trabalham com regularidade apenas 15.

 No futebol com muletas, sustentou Eduardo Samuel José “também fomos pioneiros nessa modalidade a nível do país,  estamos a fazer pesquisa de novos atletas para o futebol com muletas,  prometemos participar no próximo nacional”.

 Disse existir um número reduzido no sector feminino. Por este motivo, explicou que a Associação local está a direccionar a atenção na escola do ensino especial do Lubango, para a captação de valores talentosos para a prática desportiva, em ambos os sexos.

 “Vamos trabalhar com a escola do ensino especial onde existe muitas crianças abandonadas. Para o efeito, vamos tentar para que em todas as modalidades no basquetebol e atletismo possamos ter alguns atletas para aumentar no número preciso, principalmente no atletismo, porque neste momento só estamos a trabalhar com 6 atletas femininas”, anunciou.

 Argumentou que pelo facto do género feminino estar pouco participativo, estão a fazer um trabalho com a escola do ensino especial onde há muitos valores ou muitas crianças ávidas de praticar desporto.

 Eduardo Samuel José garantiu que a escola do ensino especial vai ser o viveiro para adquirir o género feminino, e  participar tanto no atletismo ou em outras modalidades.

 A implementação do voleibol em cadeiras de rodas, assegurou Eduardo Samuel José é um projecto em curso, embora, o professor que  se formou na Inglaterra nesta área, estar ainda ausente da província.

 Para a concretização do desiderato, vão promover uma acção de formação com objectivo de formar outros elementos, interessados em trabalhar no desporto adaptado.  “Temos um técnico formado na Inglaterra, o professor Tino, que trouxe alguns materiais e manuais para formar os nossos monitores. Com isso, vamos reactivar aquelas modalidades que não se fazem sentir na Associação”, proferiu.


 LUANDA
Huilanos confirmam participação
em nacionais de atletismo e basquetebol


Corredores das classes de T11, T20, T47 e auditivos intensificam a preparação com vista a participação no campeonato nacional de pista, em atletismo, em ambos os sexos, que vai decorrer de 20 a 24 do corrente mês, em Luanda.

A confirmação é do secretário-geral da Associação Provincial dos Desportos Adaptados da Huíla, Eduardo Samuel José. O dirigente esclareceu que essa prova estava inicialmente prevista para a segunda quinzena de Maio.

“Estamos a preparar-nos para este campeonato, para o qual fomos notificados a representar a província, com 2 atletas da classe T11, 2 em T20, um T47, um auditivo e três guias que totalizam 10 pessoas, incluindo o técnico”, frisou.

Declarou que a preparação dos atletas da modalidade de atletismo sob orientação técnica de Augusto Diogo “Seco”, decorre sem sobressalto.

Apontou que os aspectos técnicos, tácticos, de intensidade, séries rápidas cronometradas, dominam as sessões de treinos.

Eduardo Samuel José afirmou que os praticantes do basquetebol trabalham em sessões bi - diárias no campo polivalente do Tchioco, diante de inúmeras dificuldades devido a escassez de material.

“O material para o basquetebol em cadeira de rodas é escasso. Ainda, estamos a fazer uso daquele material recebido há três anos, que requer  manutenção. E, por falta de recursos financeiros, estamos a remediar com as cadeiras existentes, porque a Huíla não está na primeira liga de basquetebol, mas na segunda divisão”, referiu.

Informou que os atletas que praticam actualmente o basquetebol, uns são novos, e os outros antigos.

Disse que alguns dos atletas que estão a trabalhar no município de Caconda, só vêem juntar-se aos demais, aquando da convocação para a selecção provincial para o respectivo treino.

Eduardo Samuel José assegurou que com a participação nos nacionais de atletismo de pista e de basquetebol, a Huíla pretende lançar novos valores que despontem no desporto adaptado localmente.