Jornal dos Desportos

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Modalidades

Dirigente defende unidade da família

Julio Gaiano, Benguela - 24 de Janeiro, 2015

Responsável lamenta ao facto de existirem no seio da família andebolista pessoas determinadas a inviabilizar todo um processo

Fotografia: Jornal dos Desportos

O presidente da Federação Angolana de Andebol, Pedro Godinho, caracterizou o estado do andebol desenvolvido em Benguela como preocupante e pediu o envolvimento das forças vivas da província no sentido de intervirem no assunto e evitar que o pior aconteça.

O presidente da Federação teceu tais declarações à margem da realização do campeonato de andebol juniores, em ambas as classes, que Benguela organiza desde a passada terça-feira, 20, com o final marcado para o dia 30 do corrente. O Pavilhão Gimnodesportivo Matrindindi, em Benguela, acolhe o desafio da final das referidas competições.

 “As rixas que, nos últimos anos assistimos, envolvendo responsáveis do andebol estão a contribuir para o declínio da modalidade na província. Repare que, nos últimos tempos, as equipas de Benguela deixaram de rivalizar-se como tal, à semelhança das congéneres de Luanda. O pior de tudo é que as outras províncias, como o Huambo, as Lundas e o próprio Namibe estão a aproximar-se dos níveis competitivos das equipas de Benguela. É, deveras, preocupante para quem conhece o histórico do andebol desta província”, comentou.

Pedro Godinho vai mais longe ao afirmar que enquanto existirem pessoas com a cultura divisionista no seio da família do handebol local, a modalidade arrisca-se a definhar-se e cair numa perigosa letargia, com as consequências que dali podem resultar.

“Não encaremos esta situação de ânimo leve. É preciso trabalhar e buscar soluções no sentido de se recuperar a mística perdida no tempo. Benguela é dona de um andebol característico e que sempre esteve presente na alta-roda do desporto nacional e internacional, pelos seus atletas e equipas”, lembrou.

Todavia, lamenta ao facto de existirem no seio da família andebolista pessoas determinadas a inviabilizar todo um processo que se quer estável e produtivo.

“Custa-me crer que o andebol benguelense só está neste estado porque alguns tiram proveito disto. Ou seja, quanto mais divididos estiverem os benguelenses, melhores para eles. Já que é desta forma que conseguem manipular e fazer das suas em desfavor da modalidade na província”, lamentou.

Presentemente, evoluem na província de Benguela duas equipas seniores femininas (Electro e CPPL) e cinco juniores femininos (Electro, CPPL, Académica, Nacional e Pérola Negra). O Inter de Benguela é a única equipa júnior masculino de facto. Um grupo de amigos de andebol do Lobito tenta revitalizar uma equipa masculina, mas por falta de dinheiro o projecto está ameaçado.

Entretanto, o presidente da Federação Angolana de Andebol (FAAnd), Pedro Godinho, disse que o factor geográfico pesou na escolha de Benguela poder albergar os campeonatos nacionais de andebol juniores em ambas as classes (masculino/feminino), podendo desta feita concentrar o maior número de equipas no certame.

“Julgamos ser uma decisão que pode beneficiar as equipas envolventes em matérias dos gastos financeiros. Na verdade, faz parte da política de trabalho definida pela nossa direcção, que passa por congregar o maior número de equipas num evento de que podemos tirar o maior proveito possível daquilo que é andebol nacional”, precisou.

Pedro Godinho acrescentou ser a estratégia da FAAnd despertar a atenção e o interesse dos governos provinciais bem como da classe empresarial local a apostar mais e apoiar na revitalização da modalidade nas suas respectivas provinciais.  Benguela está dentro dessa estratégia de trabalho gizado pela sua direcção.


Desejo
Pedro Godinho
pondera abandonar


O presidente da Federação Angolana de Andebol, Pedro Godinho, manifestou a pretensão de poder abandonar a carreira desportiva e dedicar-se, em tempo integral, a sua vida profissional e com a família, logo que termine o seu mandato a acontecer em Dezembro de 2016. 

O dirigente considera suficiente os dois mandatos (de quatro anos cada) na liderança dos destinos do andebol no país e espera que os outros façam melhor ou pelo menos que dêem continuidade ao projecto levado acabo pela sua direcção.

“Acho que da minha parte já não tenho mais nada a dar para o andebol. Dei o meu máximo e os resultados falam por si. Ganhámos tudo que podíamos ganhar nas competições africanas tanto por clube como pelas selecções (nas três categorias). Somos uma voz ouvida na Confederação Africana de Andebol (CAHB). Por isso, chegou a altura de deixar o lugar para os outros que podem trazer coisas novas com as suas ideias. Preciso descansar e dedicar o tempo com a minha família e apostar mais na minha vida profissional (…)”, frisou.

Questionado se esta posição tem a ver com alguns males entendidos levantadas contra a sua pessoa e que terão mexido com a sua reputação e pessoas que lhe são próximas, no caso de filhos e esposa, sobretudo, Pedro Godinho assegurou ser uma decisão, simplesmente, sua e que foi bem premeditada, examinada e a que conta com o apoio da sua família e de seus amigos.

 “Sou coerente comigo mesmo, por isso, decidi não mais fazer parte da família do andebol, assim que terminar este mandato. Não tenho porque acusar quem quer que fosse. Reconheço que neste lugar, somos alvos de todo o tipo de chacotas e inclusive cenas de barbárie. Portanto, o importante é que desempenhei o meu trabalho com zelo e dedicação em prol da nação, o resto que fique à conta dos observadores que seguiram a nossa trajectória enquanto presidente da federação”, concluiu.
 Júlio Gaiano, em Benguela


Nacional   Júnior
Presidente  aponta
favoritos da prova


Pedro Godinho aponta as equipas de Luanda como as favoritas na conquista do título em disputa nos “nacionais” de andebol em juniores disputados em Benguela, mas que podem enfrentar algumas dificuldades no confronto com equipas locais,  sobretudo na classe feminina, onde o equilíbrio é, relativamente notável.

 “Na condição de presidente da federação, gostaria que todas equipas envolvidas na prova triunfassem. Infelizmente, não é possível. Uma equipa terá de vencer e as demais procurar posicionarem-se nos melhores lugares possíveis. Por isso, vai ser um despique a se ter em conta, com as equipas de Luanda, creio, melhores preparadas, a rivalizarem-se com as de Benguela. As equipas do Namibe têm feito bons campeonatos e podem surpreender”, referiu.

Vinte e sete equipas, 14 masculinos  e 13 femininos, em representação das oito províncias, designadamente, Benguela, Namibe, Moxico, Luanda, Malanje, Lunda-sul, Uíge e Cabinda participam da 35ª edição dos campeonatos nacionais de andebol em juniores masculinos e femininos. O 1º de Agosto é detentor do ceptro em ambas as classes.


Meta
Ricardo aposta na massificação


O novo director de Benguela da Juventude e Desportos, João Ricardo, disse nesta quinta-feira que pretende elevar a província ao estatuto de segunda praça desportiva do país, através da aposta forte na massificação de modalidades.

O responsável, recentemente empossado no cargo, pelo governador de Benguela, Isaac Maria dos Anjos, em substituição de Pedro Garcia, apontou que a prioridade recai para o fomento de modalidades individuais que já se praticam na província e com tradição nas escolas e clubes.

Antigo técnico das selecções nacionais de andebol, João Ricardo frisou que seu “cavalo de batalha” será a criação de uma simbiose entre as direcções provinciais da Juventude e Desportos e da Educação, Ciência e Tecnologia, pois as escolas são suporte técnico para o desporto numa determinada região.

“As escolas servem para orientação do desporto de forma técnica, científica e pedagógica para que a massificação desportiva seja guiada de forma harmoniosa”, frisou o novo responsável pelo pelouro da Juventude e Desportos, avançando que vai cumprir à risca as políticas traçadas pelo Governo para este sector, para que Benguela tenha um desporto orientado.

No capítulo da Juventude, promete dar continuidade aos diversos programas existentes no sector, tal como constava da agenda do seu antecessor, e também fazer diagnóstico de outras preocupações vitais dos jovens, para que em conjunto com outros sectores da vida socioeconómica se dirimam todas as celeumas.