Jornal dos Desportos

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Dirigentes associativos precisam de formação

09 de Outubro, 2014

Isabel Major defende que as federações devem promover a formação de dirigentes

Fotografia: Jornal dos Desportos

A falta de formação da maioria de dirigentes desportivos do país tem sido dos entraves para o sucesso do desporto nacional, considerou o antigo capitão da equipa de basquetebol do 1º de Agosto, Herlander Coimbra. Em declarações à “Angop” sobre a formação em dirigismo desportivo, Herlander Coimbra afirmou que o desporto nacional devia ter dado outro passo, mas falta alguma qualidade aos  dirigentes que o país possui.

“Não basta ter sido responsável de uma empresa pública ou privada ou ainda desportista, para gerir um clube ou grupo desportivo, são realidades diferentes. O desporto tem aspectos muito sensíveis que devem ser abordados com delicadeza e conhecimento” referiu o ex-internacional angolano.O antigo basquetebolista apontou a gestão de recursos humanos e a capacidade de diálogo como dois factores chaves, para quem pensa ser gestor desportivo.Herlander Coimbra disse que as acções formativas organizadas pelo Comité Olímpico Angolano (COA), deviam ser obrigatórias e que o Ministério da Juventude e Desportos devia ser mais exigente e rigoroso para os que querem ser dirigentes desportivos.

Para si, o imediatismo na conquista de títulos a que muitos dirigentes se propõem, também é um erro. Nos dias de hoje, é necessário que se faça um estudo aprofundado, para que os resultados cheguem no momento certo. “Estes são factores que alguns dirigentes não dominam e nem sequer escutam os técnicos”, realçou.Cinco vezes campeão africano pela Selecção Nacional, Herlander Coimbra tem 46 anos de idade, capitaneou a equipa no Afrobasket de Nairobi (Quénia), em 1993 e actualmente é técnico das camadas jovens do 1º de Agosto.

FEDERAÇÕES DEVEM
PROMOVER CURSOS


A antiga secretária-geral da Federação Angolana de Basquetebol (FAB), Isabel Major sugeriu a necessidade das Federações nacionais promoverem formação em dirigismo desportivo, para permitirem o melhoramento em gestão de infra-estruturas e capital humano. Reagindo a propósito do tema formação em dirigismo desportivo, a antiga basquetebolista sublinhou que a realização frequente de cursos a esse nível, vai oferecer para além da experiência pessoal, fundamentos pedagógicos e mecanismos de gestão dos recintos desportivos.

Isabel Major explicou que o país está a evoluir, quer a nível de resultados competitivos quer de infra-estruturas, daí ser indispensável que os agentes que gerem o desporto nacional, se mantenham  cada vez mais informados para responderem à demanda.Isabel Major exerceu o cargo de vice-presidente da FAB em 1991, salientou que o desporto é um sector que envolve vários ramos, que requerem contínuosrefrescamentos formativos para ajudar a monitorizar a relação interpessoal neles existentes.Isabel Major já foi igualmente presidente da Associação Provincial de Basquetebol de Luanda, no quadriénio 2008-2012, ocupou também  o cargo de directora do gabinete técnico do Mistério da Juventude e Desportos.


ODETH TAVARES
Formação de gestores é a chave da expansão


A presidente da Associação Mulher e Desporto (AMUD), Odeth Tavares apontou a formação em dirigismo desportivo como factor importante para a evolução e desenvolvimento do desporto nacional.

A antiga guarda-redes da Selecção Nacional acrescentou ser indispensável que se criem mecanismos para que os fazedores e gestores do desportos tenham acesso à formação no sector, como forma de aumentar os níveis de abordagem administrativa e profissional em prol do crescimento do desporto no país.

Explicou que um dirigente que possui formação consegue facilmente gerir todos os recursos injectáveis no clube, Federação ou infra-estrutura, utilizando métodos que podem estimular os seguidores a trabalharem para a massificação das modalidades.

Odeth Tavares assegurou ainda, que o processo funciona como indicador pedagógico que  permite regular determinadas situações, colocar em primeiro lugar o bem-estar e posicional das modalidades que estiverem em causa.

Odeth Tavares terminou a carreira no 1º de Agosto, já militou nos clubes desportivos da ENANA e ASA e foi várias vezes campeã africana pela selecção de Angola.