Jornal dos Desportos

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Divisão de lucros equilibrada

13 de Abril, 2016

Equipas esperam para mudar modelo de divisão de lucros

Fotografia: AFP

Depois de duas provas escaldantes, a Williams está com elevadas performances na pista, que aumentam as receitas na presente época, em contraste com os resultados da época passada. A equipa de Grove está ciente de que a Fórmula 1 é um desafio financeiro, em que as equipas construtoras são capazes de investir quantias enormes para alcançarem o sucesso.

A situação das equipas independentes como a Williams, fica mais difícil se tiver em conta a actual divisão de lucros e prémios da categoria. As equipas como a Ferrari e a Mercedes levam ainda mais dinheiro devido à contribuição histórica na F1.

O sistema fez com que as equipas como a Force India e a Sauber fossem até à União Europeia  reclamar sobre a situação. Para a Williams não há muito que fazer a curto prazo, devido ao Pacto de Concórdia, um memorando assinado por todas as equipas da grelha e que rege a situação financeira actual da categoria.

Sobre a distribuição de prémios na F1, Claire Williams que é vice-directora da equipa de Grove disse que não olha para a questão com prioridade no momento, justamente por estar de mãos atadas.

"A nossa filosofia é que se não pode fazer nada sobre algo, simplesmente, não se preocupa com isso. Não podemos fazer nada sobre a divisão de lucros", disse.

Claire Williams ressaltou que tentaram muitas vezes, assim como outras equipas entrar "nestas conversas" e citou uma passagem de Bernie Ecclestone que dá conta da assinatura do actual Pacto da Concórdia sob esses termos: "Não podemos fazer nada sobre isso".

"Temos muitas coisas com as quais devemos preocupar-nos na Williams. Não há porque nos preocuparmos com algo que está além do nosso alcance", afirmou.

Claire assegurou que precisam de esperar a vez. As negociações do novo Pacto da Concórdia devem ser iniciadas após 2020. "Espero que a revisão e a redistribuição de lucros estejam entre os tópicos a serem discutidos", disse.

TRABALHAR
EM CONJUNTO 
 

Questionada se estava optimista quanto à possibilidade das equipas trabalharem em conjunto para assegurar uma divisão mais equilibrada, Claire Williams mostrou-se optimista, porém, preferiu não apostar todas as fichas nisto.

A filha de Franck realçou que para "a Fórmula 1 ser um sucesso, especialmente no aspecto financeiro, o desporto deve ter uma plataforma igualitária".
Embora o tamanho do prémio histórico recebido pela Ferrari cause desconforto nalgumas equipas, a dirigente crê que seria um erro não aceitar tal contribuição caso isso impeça a F1 de continuar em frente.

"Não vejo o prémio extra que a Ferrari recebe como um empecilho, mas não é algo maravilhoso se precisarmos de aceitar isto como condição para ter um novo acordo. De qualquer forma, não imagino a Ferrari ver todas as equipas a receberem fatias iguais dos lucros", afirmou.

REDUÇÃO DE CUSTOS
Embora se tenha conformado com a divisão de rendimentos, não deve mudar tão cedo, a dirigente está optimista quanto à redução de custos. As fabricantes das unidades de potência concordaram em reduzir os preços para 2018.

"Creio que os resultados actuais mostram que a F1 está numa posição financeira relativamente saudável, mas isso não quer dizer que não tenhamos trabalho a fazer. Como equipa, estamos sempre a tentar ao máximo encorajar o controlo de custos na F1, precisamos de manter esta posição", disse.

Claire sustentou que "com o advento das unidades de potência veio o aumento de custos". Em 2018, todos vão ver uma redução significativa desses custos e esperam ter alguma diminuição em 2017.

"É uma luta contínua. Creio que há equipas com orçamento maior do que o nosso, mas isso sempre existiu durante os 40 anos. Acreditamos ter um orçamento saudável. Precisamos de trabalhar duro para trazer mais dinheiro, mas temos o necessário para fazer o que precisamos de fazer dentro do desporto", completou.