Jornal dos Desportos

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Modalidades

Djokovic estuda adversário com vídeos

26 de Janeiro, 2015

.Novak Djokovic justificou que é seu trabalho "conhecer os colegas, jogadores", especialmente, se vai jogar contra eles, porque faz apenas o seu "dever de casa"

Fotografia: AFP

O número um do Open da Austrália, Novak Djokovic, revelou ser um pouco estudioso, mesmo depois de ser apelidado de "The Djoker" (alusão a joker, brincalhão, em português) no ténis masculino, pelas suas cómicas imitações dos seus colegas de circuito. O nível do conhecimento dos adversários surpreendeu a muitos, no último sábado, acostumados a ver jogadores limitados ao sorteio e não se importarem de estudar os seus potenciais rivais de quadra.

Depois de superar Fernando Verdasco por 7-6 (8), 6-3 e 6-4, Djokovic vai enfrentar Gilles Muller, de Luxemburgo, no próximo jogo. Em busca do quinto título no Open da Austrália, Djokovic disse que nunca enfrentou Muller, mas que já tem um dossier de informações a respeito do canhoto.
"Participa no circuito há muito tempo. Foi o melhor júnior do mundo, tem um grande saque, é canhoto, sobe à rede, tem um belo saque com slice e esse é o seu favorito", disse Djokovic, quando perguntado sobre o que sabia a respeito do jogador de 31 anos.

O número um do mundo acrescentou que Muller “sofreu um pouco com lesões nos últimos anos, mas tem jogado o seu melhor ténis nos últimos seis meses”.Novak Djokovic justificou que é seu trabalho "conhecer os colegas, jogadores", especialmente, se vai jogar contra eles, porque faz apenas o seu "dever de casa"

“Vir para a quadra e jogar da maneira que quero contra alguém que nunca enfrentei antes pode ser perigoso, por causa da incerteza sobre o que pode fazer em certos momentos. Este é o motivo pelo qual tenho de fazer o meu dever de casa, sentar com a equipa, preparar-me bem com vídeos de análise”, disse.

Djokovic não se preocupou em analisar Verdasco e sabia bem a ameaça do espanhol, que já integrou a lista dos dez melhores tenistas do mundo. Verdasco obrigou o seu compatriota Rafael Nadal a jogar uma partida de cinco horas, uma maratona de cinco sets, na meia-final de 2009 em Melbourne e levava uma pequena desvantagem para o sérvio nos seus confrontos na carreira, 6-4.

"Foi um grande desafio para nós os dois. Já esteve entre os dez melhores do mundo e é alguém que adora jogar nas quadras centrais, disputar grandes jogos. O momento decisivo provavelmente foi ter vencido o tiebreaker, mesmo tão disputado como estava. Estou feliz de ter passado em sets directos", acrescentou Djokovic.

EMOÇÕES
Grigor Dimitrov
destrói raquete


Andy Murray e Grigor Dimitrov protagonizaram ontem uma partida excepcional de ténis nos oitavos de final do Open da Austrália. O britânico levou a melhor em 3h35min e venceu o búlgaro por 3 sets a 1, com parciais de 6/4, 6/7 (5-7), 6/3 e 7/5. Com a vitória, o inglês classificou-se para os quartos de final e agora tem pela frente o australiano Nick Kyrgios, que mais cedo bateu o italiano Andreas Seppi. Com oscilação durante o jogo, Dimitrov chegou a quebrar a sua raquete em dois pedaços.

Andy Murray perdia o primeiro set por 3 games a 0, conseguiu uma viragem sensacional e fechou em 6/4. De game em game, o segundo set foi decidido no tie-break. Muito mais vibrante e com forte entrega em cada ponto, Dimitrov fechou em 7-5 e empatou a partida. No terceiro set, Murray não encontrou grandes dificuldades para bater o rival da Bulgária. Nas falhas de contra-ataque de Dimitrov, o britânico fez o seu jogo e fechou em 6/3.

Tudo caminhava para que o mesmo acontecesse no quarto set, já que Murray chegou a estar à frente por 3 a 0. No entanto, as oscilações do búlgaro possibilitaram que Dimitrov encostasse no placar. Com a cabeça quente, o número 11 do ranking mundial chegou a quebrar a raquete em dois pedaços, depois de ter o seu serviço quebrado. Experiente, Murray aproveitou o momento "inconsequente" do adversário e fechou a partida.

OPENDA AUTRÁLIA
Maria Sharapova
elimina chinesa


O primeiro confronto válido dos quartos de final do Open da Austrália foi definido entre Maria Sharapova e a chinesa Shuai Peng. A cabeça de série número 2, Sharapova, precisou de apenas 74 minutos para eliminar Peng, com parciais de 6/3 e 6/0. A russa aproveitou cinco das 12 oportunidades para quebrar o saque da adversária asiática, que cometeu um total de 29 erros não forçados.

Depois de vencer com facilidade a chinesa Shuai Peng, a russa Maria Sharapova enfrenta a canadiana Eugenie Bouchard por uma vaga na meia-final do Grand Slam. Eugenie Bouchard eliminou a romena Irina Camelia-Begu ao vencer por 2 sets a 1, com parciais de 6/1, 5/7 e 6/2. A canadiana de apenas 20 anos encaixou 33 winners, dez a mais que a adversária, e conseguiu quebrar o saque da rival em sete oportunidades.

Maria Sharapova tem uma vantagem confortável no confronto directo com Eugenie Bouchard. Em três jogos disputados desde a época de 2013, a russa permanece invicta. A jovem canadiana venceu apenas um set diante da adversária, na meia-final de Roland Garros 2014

Nadal vence
sul-africano


O espanhol Rafael Nadal mostrou-se modesto com a avaliação da sua campanha no Open da Austrália, apesar de todas as conquistas que somou na sua vitoriosa carreira. O canhoto de Mallorca garantiu ontem a vaga nos quartos de final do torneio, ao derrubar o sul-africano Kevin Anderson, um gigante de dois metros e três centímetros de altura, por 7-5, 6-1 e 6-4. O desempenho em Melbourne deixou-o contente.

“Chegar aos quartos de final é um grande resultado para mim. Vim para a Austrália, depois de ter caído na estreia no Qatar e sem jogar muitas partidas nos últimos sete meses. Sou um dos oito e isso é a coisa que importa”, declarou. O espanhol não quis fazer uma avaliação mais específica da sua forma física actual e rechaçou a ideia de colocar em números o quão perto do 100 por cento está.

“Isso não é matemática, não dá para colocar em números e não importa no final. De qualquer maneira, era muita arrogância da minha parte dizer que ganhei sem estar em boa forma”, observou o actual número três do mundo. No duelo com Anderson, o canhoto de Mallorca teve um primeiro set dos mais complicados e só conseguiu desfazer-se na partida depois do 5/5, quando escapou de quatro break-point contra si.

“É um facto que tive sorte de levar o primeiro set, pois o meu adversário estava muito perigoso. Kevin foi muito agressivo desde o começo e foi para as bolas vencedoras em qualquer golpe”, disse Nadal. O espanhol avaliou que “há sempre problemas; existem aqueles pontos chaves que podem mudar o rumo da partida”. “Joguei dois forehands bem no fundo, tive alguns bons serviços, especialmente o ace”, referiu.

O espanhol comemorou a sua evolução em Melbourne. “Estava a jogar melhor do que nos dias anteriores, com melhor ritmo nas pernas e nos forehands. A maneira como evolui o meu nível foi a coisa mais importante”, avaliou. Nadal negou qualquer tipo de favoritismo depois de conseguir alcançar com propriedade a segunda semana do Open da Austrália.

“Nunca falei sobre isso na minha carreira, especialmente num momento em que estou a voltar e tenho pela frente um adversário duro como Tomas Berdych, que começou a época muito bem em Doha”, disse.

Nos quartos de final, Rafael Nadal tem pela frente o checo Tomas Berdych, que derrotou o australiano Bernard Tomic, por 6-2, 7-6 (3) e 6-2. Nadal tem um histórico de 18 vitórias e três derrotas contra Berdych. A sequência vitoriosa iniciou-se após perder a última vez em Madrid em 2006. Em 40 sets disputados ganhou 37. Mesmo assim, o espanhol não se vê como favorito a um lugar nas meias-finais. “Não importa o que está no passado”, disparou o terceiro melhor do mundo.