Jornal dos Desportos

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Modalidades

Doha abre regao para o mtico Mundial

Antnio Ferreira - 26 de Setembro, 2019

Repblica Democrtica do Congo, dois pontos de uma vitria em seis jogos e, na ltima posio, sem pontos a equipa anfitri, o Nger.

Fotografia: Dr

As portas de Doha, Qatar, estão escancaradas para receber os mais míticos Mundiais IAAF 2019 - escusado será lembrar os excessos organizacionais -, que ocorrem pela primeira vez no mundo árabe, a partir de amanhã até 6 de Outubro próximo. Dez dias de frenesim, de pura adrenalina em que se esperam (estamos persuadidos disso) de novos recordes mundiais. Mais de 2000 atletas de mais de 200 países competem no que os organizadores prometeram ser o terceiro maior evento desportivo do mundo em distribuição de TV e o maior evento desportivo de 2019. Dúvidas? Poucas... Ao todo, os Mundiais registam o marco impressionante de inscrições de 1039 homens e 889 mulheres. Dos 44 vencedores individuais de dois anos atrás, 38 estão em acção e defendem os títulos em Doha com saliência para os 30 campeões da Liga Diamante, cuja lista oficial é conhecida hoje, após a reunião técnica do evento. Os Mundiais de Atletismo de 2019, que este ano celebram a sua 17ª edição, têm como cenário o Khalifa Internacional Estadium de Doha. Como nota, registe-se o facto de ser a segunda vez que vai ser disputada a nova prova feminina da Marcha de 50 km, a única prova do atletismo ainda não disputada por mulheres nos Jogos Olímpicos.Outra novidade destes mundiais é que primeira vez os atletas poderão exibir o nome dos patrocinadores das suas equipas nos seus kits de competição e que a prova de Maratona será disputada à meia-noite. Foi também estabelecido um número limite para os participantes de algumas provas, como 100 para a Maratona, 60 para a Marcha de 20 km, e 27 competidores para os 10000 metros, entre outras modificações decididas pelo Congresso da IAAF, realizado em Dezembro de 2018, no Principado do Mónaco. A participação da Rússia continua incerta, já que algumas exigências da Federação com relação a amostras completas de atletas daquele país e pendências financeiras com relação a apelações ao Tribunal Arbitral ainda não foram resolvidas. Falah, um atlético falcão, vestido de um uniforme na cor castanho-avermelhada da bandeira do Qatar, será a mascote do primeiro campeonato realizado no Médio Oriente. A cidade de Doha conquistou o direito de sediar a competição pelos votos dos membros do Conselho da IAAF, em Novembro de 2014, após uma disputa com as cidades de Barcelona (Espanha) e Eugene (EUA). No que aos nomes mais sonantes da modalidade diz respeito, primazia para a norte-americana Allyson Felix, a atleta mais medalhada da história do Campeonato Mundial da IAAF, e que terá a oportunidade de aumentar o seu recorde. A velocista dos EUA tem 16 medalhas (11 de ouro, três de prata e dois de bronze) e deverá também integrar a equipa de estafetas dos EUA de 4x400 metros planos. Dos prováveis participantes destaque igualmente para os velocistas Christian Coleman (9,79s), Justin Gatlen (EUA, 9,74s), Divine Oduduro (Nigéria, 9,86s), Akani Simbine (África do Sul, 9,89s), Yohan Blake (Jamaica, 19,26s nos 200m), Michael Norman (EUA, 43,45s nos 400m), Nijel Amos (Botswana, 1min41s89 nos 800m), Timothy Cheruiyot (Quénia, 3min28s41), Telahum Bekele (Etiópia, 12min59s98) e a armada etíope dos 10,000 metros, trio integrado por Hagos (26min48s95), Selemon Barega (26min49s46) e Yamif Kejelcha (26min49s99). Na lista das vedetas destes Mundiais destaque também para o barreirista norte-americano Grant Holloway (110, 12,98s), do bielorusso Maksim Nedasekau (salto em altura, 2,35m), entre outras renomeadas figuras da elite mundial.

Angola apurada para o Mundial IHF

A Selecção Nacional Andebol de Cadetes Femininos venceu a RD Congo por confortáveis 32-20, na partida de confirmação da medalha de prata para as comandadas de Fernando Luís e, em consequência, a qualificação para o Mundial IHF, em 2020, na República da China. A conquista da medalha de prata é acima de tudo a resposta adequada à positividade das políticas no campo da formação do elenco federativo encabeçado por Pedro Godinho, o actual presidente de direcção da Federação Angolana de Andebol e os seus pares, chamados a enfrentar novos desafios, domínio de novas competências e na procura continuada de um patamar de excelência, no que tange ao seu capital humano e a sua valorização, mormente, atletas, técnicos, dirigentes, funcionários e todo um “staff”, em que na actual conjuntura sócio-económica se colocam grandes constrangimentos às organizações, que as tornam prementes fazer face a essas mesmas dificuldades. Escusado será dizer que a luta para “oferecer” as melhores condições de trabalho tem sido uma constante, conquanto não é fácil gerir os orçamentos tão exíguos com um manancial de competições, de cuja aposta os frutos são visíveis. As nossas meninas estão de parabéns e muito contribui para o crescimento da equipa nacional a união, a amizade e o espírito de sacrifício, a fórmula mágica para com escassos recursos se edificasse um grupo coeso e capaz de superar as adversidades. Há grande proximidade dentro e fora de campo e isso tornou o grupo mais forte. De prata ao peito, Angola orgulha-se deste punhado de meninas que nunca viraram costas à luta, mesmo nas situações mais adversas. Ganhar é viciante e quem ganha gosta de trabalhar mais, sente-se motivado para trabalhar mais e melhor e continuar a colher frutos. Quem joga de Angola ao peito tem sempre outra responsabilidade e outra motivação extra em relação aos outros oponentes e arrisca-se a ser campeão ou, na melhor das hipóteses a ficar com a medalha de prata ou bronze. Angola acabou por perder com o Egipto e falhar o assalto ao lugar cimeiro do pódio, num prélio em que se cometeu demasiados erros, falhas demasiadas de bolas fáceis, com algumas ocasiões em que as bolas foram ao poste ou à trave. A jogar com equipas deste nível, os erros pagam-se caro. Frente às egípcias fica um amargo na boca neste jogo, porque Angola tinha valor para fazer mais do que fez, embora a vitória do Egipto não esteja em discussão. O segundo lugar, a consequente conquista da medalha de prata e o apuramento ao Mundial IHF 2020 é uma dádiva para as pupilas de Fernando Luís. Quanto ao balanço geral da competição, realçar que Angola teve uma prestação acima da mediana, praticou-se um andebol de alto nível e mostrou que pode ombrear com qualquer selecção do continente e arredores, por isso, o trabalho feito só tem de deixar orgulhosos todos os que gostam de andebol. Uma palavra a todos os clubes e treinadores pelo trabalho realizado e também a todo o staff técnico e administrativo, bem como a direcção da Federação por ter permitido a realização de uma preparação com tanta qualidade. Este resultado só traz mais responsabilidade e a um maior compromisso de todos os agentes envolvidos para que os resultados deste nível sejam recorrentes, sendo caso para dizer BEM HAJA ANGOLA! O Egipto sagrou-se campeão africano, escrevendo história nesta prova, sem derrotas e com uma qualidade de fazer inveja. Surpreendentemente, a Tunísia acabou na terceira posição e ficou com a medalha de bronze, beneficiando na classificação final do seu melhor coeficiente de desempate relativamente à Guiné Conacri, quarta, ambas com 7 pontos. Como o resto é mesmo resto, nos postos imediatamente a seguir ficaram a Argélia, quinta classificada com quatro pontos em seis prélios, penúltima posição para a República Democrática do Congo, dois pontos de uma vitória em seis jogos e, na última posição, sem pontos a equipa anfitriã, o Níger.