Jornal dos Desportos

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Domenicali apresentou demissão na Ferrari

15 de Abril, 2014

Após três corridas, a formação de Maranello é apenas a quinta classificada no Mundial de Construtores, atrás de Mercedes, Force India, McLaren e a Red Bull.

Fotografia: AFP

Stefano Domenicali apresentou ontem a demissão do cargo de director da Ferrari, de acordo com a confirmação oficial da equipa. O seu sucessor é Marco Mattiacci, presidente e director executivo da operação da Ferrari na América do Norte, um homem sem qualquer experiência na área da competição automóvel e muito menos da F1.

Numa nota oficial, o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, agradeceu os serviços prestados por Dominicali à equipa.  “Agradeço a Stefano Domenicali não apenas pela sua constante contribuição e empenho, mas pelo grande senso de responsabilidade que soube demonstrar até hoje sobrepondo os interesses da Ferrari aos seus próprios. Tenho estima e afecto por Domenicali, que vi crescer profissionalmente nestes 23 anos de trabalho juntos e por isso desejo sorte e sucesso para o seu futuro”, disse


Montezemolo também falou sobre o substituto de Domenicali. "Quero ainda desejar um bom trabalho a Marco Mattiacci, um gerente de valor que conhece bem a equipa e aceitou com entusiasmo este desafio”, afirmou. Mattiacci ocupava a presidência da Ferrari nas Américas e passou por diversos cargos na empresa italiana, mas fora da Fórmula 1.

Após entregar a demissão, Domenicali falou ao site da revista “Autosport” sobre sua saída. “Existem momentos em especial que acontecem na vida profissional de toda a gente, quando alguém precisa de coragem para tomar decisões difíceis e agoniantes. É tempo para uma mudança significativa. Como chefe, eu assumo a responsabilidade pela nossa situação actual”, disse o agora ex-diretor da Ferrari.

Domenicali entrou para a Ferrari em 1991 e assumiu a liderança da equipa em 2008, após a saída de Jean Todt e da conquista do último título, com Räkkönen (2007). Sob seu comando, a equipa italiana não conquistou nenhum título.

A Ferrari ficou marcada por erros em momentos cruciais da sua gestão. Massa foi directamente prejudicada em 2008, por exemplo, pelo sistema então implantado de luzes nas boxes para avisar aos pilotos o tempo certo de arrancar. No GP de Singapura daquele ano, Massa arrastou a mangueira de abastecimento de combustível e perdeu a hipótese de vencer a prova. Massa perdeu o título para Lewis Hamilton por um ponto. O mais recente dos erros aconteceu nos treinos livres do GP do Bahrein. O espanhol Fernando Alonso deixou as boxes para abrir uma volta com três pneus de um conjunto, e um de outro, foi obrigado a regressar imediatamente após a saída.

A situação piorou no Bahrain, com Alonso em nono,  à frente de Kimi Räikkönen décimo na corrida,  para depois, nos testes que se seguiram ao terceiro GP da temporada, a equipa ter sido forçada a encerrar os trabalhos mais cedo devido a problemas mecânicos no F14T, designação do carro de 2014 que é cada vez mais apontado como um “flop” de muitos milhões.

A Ferrari é uma das equipas que mais sofreu com a mudança de regulamento da Fórmula 1 em 2014. Com a troca dos antigos motores V8 para os V6 Turbo, a equipa viu as rivais que usam as unidades de potência da Mercedes muito mais adiantadas neste início de temporada. Após três corridas, a formação de Maranello é apenas a quinta classificada no Mundial de Construtores, atrás de Mercedes, Force India, McLaren e a Red Bull.