Jornal dos Desportos

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Modalidades

Domínio de Angola no Zonal IV no Lubango

Gaud?ncio Hamelay, no Lubango - 02 de Maio, 2017

Ausência de muitos países tirou competitividade ao torneio que a cidade do Lubango albergou

Fotografia: Arão Martins| Edições Novembro

A selecção nacional de boxe sénior masculina, aos somar seis medalhas de ouro e duas de prata, conquistou na noite de domingo, no pavilhão Multiuso da Nossa Senhora do Monte, na cidade do Lubango, o título do Campeonato Africano da modalidade da Zona IV, que contou com a participação de pugilistas de Angola (anfitriã), Zimbabwe e África do Sul.

 Os sul-africanos quedaram-se na segunda posição, com duas medalhas de ouro, seis de prata e uma de bronze. A selecção do Zimbabwe, apesar de ter chegado tardiamente ao local da competição, isto é um dia antes do fecho da compita, conseguiu com muito esforço arrebatar uma medalha de ouro, uma de prata e cinco de bronze em masculino.

 A fúria, determinação, garra e concentração, foram alguma das virtudes que contribuíram para o domínio total dos pugilistas angolanos no último dia de competição que os sagrou como novos campeões da região destronando desde modo a poderosa África do Sul.

 Com a lição bem estudada e empolgados, os pugilistas angolanos subiram domingo ao ringue, prontos para “desforrarem-se” das derrotas averbadas no segundo dia de competição. Deste modo, o pugilista angolano Miguel Kembo, conquistou a medalha de outro ao derrotar o seu adversário zimbabueano Trade Matanhire, na categoria dos 49 g, por decisão unânime.

 Noutro combate da noite, o zimbabueano Wiseman Tshuma perdeu diante do sul-africano Siyabulela Mphongoshe nos 52 kg, por decisão unânime.  No combate dos 56 kg, Manuel André (Angola) conquistou o outro fruto da vitória alcançada frente ao zimbabueano Casper Mnkandla, por decisão unânime.

Para sagrar-se campeão da zona nos 60kg, Francisco Gomes (Angola), com “punhos de ferro”, bem certeiros, não precisou de terminar o primeiro \"round\" para levar de vencido o seu adversário Zibusiso Nyoni (Zimbabwe), por RCC, depois de desferir fortes golpes na face do adversário que os deixou a sangrar. Na categoria dos 64 kg, Brendon Denes (Zimbabwe), conquistou a medalha de ouro ao surpreender no ringue o sul-africano Asanda Gingqi, com triunfo por decisão unânime. O pugilista angolano Raimundo Vidal que vinha já galvanizado de uma vitória no primeiro combate, derrotou impiedosamente no segundo round por RCC, o zimbabueano Reeman Mabvongwi na categoria dos 75 kg.

Nos 81 Clever Sithole (Zimbabwe) perdeu frente ao angolano Menayami Mbimbi, por decisão dividida. No combate que envolveu os dois angolanos, Naftal Goma ganhou por decisão unânime o companheiro Pamelo Nsioma, na categoria dos 69 kg. Enquanto nos 91 kg, Carlos Massia (Angola) levou da melhor defronte ao seu compatriota Tumba Silva, ao vencer por decisão dividida. 

Enrique Carrión, técnico principal da selecção nacional de boxe em seniores masculinos era um homem feliz no final da prova por ter alcançado os objectivos traçados fruto do título conquistado e superioridade patenteada sem contestação no dia do encerramento do espectáculo dos socos rijos, ganchos, reptos, suingues, entre outros “ingredientes” que envolve um combate.

 Afirmou que esperava alcançar resultado satisfatório, mas com a presença de pugilistas de outros países com particular realce o Botswana e Namíbia.
 “Queria que estivessem presentes todas as equipas da zona IV, para que depois não digam que derrotamos apenas a África do Sul e Zimbabwe. Por isso, não podemos mais dar um passo atrás porque para frente é o caminho da selecção nacional de boxe em masculino. Estávamos preparados para enfrentar todos os adversários nesta competição”, disse.

O treinador  considerou o Campeonato Africano da Zona IV de muito positivo e argumentou que já haviam trabalhado para este fim. Por este motivo, realçou, Enrique Carrión, cumpriu -se o objectivo que era conquistar o primeiro lugar.

 O técnico nacional de boxe, voltou a lamentar o facto de não ter havido a participação de mais países da zona como a Namíbia, Botswana, entre outros que a última hora, desistiram de participar.  “O nosso objectivo era se estivesse estes países ganhar o primeiro lugar. Não estiveram presentes, o que lamentamos, mas ganhamos de todas as maneiras. A equipa estava preparada para lutar com todos os que viessem”, destacou Carrión visivelmente emocionado pela conquista pela primeira vez do troféu da zona IV.

 Garantiu que daqui em diante vai aprimorar mais um pouco a selecção nacional para competir no africano do Congo Brazzaville, marcado para este mês de Maio.  Enrique Carrión, adiantou que para o campeonato africano de boxe que se avizinha, não pretendia levar todas as categorias. “Assim, levaremos 8 categorias. Creio que vamos reforçar a preparação visando o africano do Congo Brazzaville”, salientou.

EM FEMININOS
De Deus fica no lugar mais alto do pódio


A pugilista angolana de apenas 17 anos, Glória de Deus, ao conquistar a única medalha de ouro no africano de boxe da zona IV, foi a salvadora da selecção feminina que durante os três dias de competição averbou apenas sucessivas derrotas. Para arrebatar a medalha “preciosa” para o orgulho dos angolanos (as), Glória de Deus enfrentou e derrotou com a graça de “Deus”, a pugilista zimbabueana Caroline Dube na categoria dos 75 kg, por decisão dividida.

 No final do tocar do \"gong\", Glória de Deus, não escondeu a sua alegria por ter conseguido alcançar a primeira vitória na selecção nacional feminina. Sem conter a emoção, Glória de Deus, explicou que a vitória foi difícil porque competiu com uma adversária bem dotada técnica e fisicamente.
“Estou muito feliz pela conquista da medalha de ouro neste zonal. Fiz muito trabalho para poder conquistar. Não deveria combater neste zonal por ser menor de idade porque tenho 17 anos. Mas tentei falar com os meus treinadores para poder entrar nesta competição. Treinei bastante para esta prova. Mas graças a Deus, o presidente da federação angolana de boxe, depois aceitou que eu combatesse. Assim, participei e consegui a vitória”, disse emocionada.

 A pugilista prometeu daqui em diante continuar a treinar bastante para dar o seu melhor em outros compromissos que se avizinham, especialmente no campeonato africano de boxe a decorrer no Congo Brazzaville neste mês de Maio.

Reconheceu que o nível técnico e competitivo do torneio, foi satisfatório, apesar de ser a sua primeira participação em eventos internacionais.
“Foi muito graças à Deus e estou sem palavras, bem como muito emocionada. A minha caixa, está a apertar devido ao clima que não me favoreceu muito durante o combate”, afirmou.

Indicou que os seus treinadores, colegas, familiares e o público presente, deram-lhe muita força para conquistar o troféu. “Por isso, dedico essa vitória a eles”, destacou.

De Deus começou a praticar a modalidade de boxe com 15 anos, ha cerca de três anos sob influência do pai e representa o Interclube de Angola.
 “Nunca quis ser praticante de boxe, mas por influência do meu pai por gostar desta modalidade aderi. Já várias vezes quis também desistir, mas cá estou. A minha mãe é contra este tipo de desporto. Todavia, apoia-me. Almejo no futuro ser uma grande pugilista e conquistar troféus internacionais. Este é apenas um começo”, confessou. Glória de Deus disse ter conquistado várias vitórias na modalidade a nível de Luanda no campeonato provincial e em torneios realizados sobretudo do Março Mulher em boxe.

 Na categoria dos 60 kg, o ouro ficou com a sul-africana Zanele Kebeni, ao derrotar a angolana Nadine Mbaki, por 2-1.  A outra angolana, Suzana Estêvão, contentou-se com a medalha de prata ao perder perante a sul-africana Sibongile Tyokolo, por decisão dividida. No entanto, o título de campeão africano por equipa recaiu a selecção da África do sul que levou no cômputo geral na bagagem três medalhas de ouro e um de prata, enquanto a equipa nacional conquistou uma medalha de ouro e três de prata. Já o Zimbabwe, saiu contente com uma medalha de ouro e uma de prata.   
           
SUBIDA AO PÓDIO
Angolanos manifestam
satisfação pelo dever cumprido


Os pugilistas angolanos participantes no zonal IV de boxe, realizado na cidade do Lubango, consideram terem saído com o sentimento do dever cumprido com a conquista pela primeira vez na história do país do título africano da região. Francisco Gomes, campeão africano da zona IV na categoria dos 60 kg, referiu que o troféu foi alcançado num campeonato muito forte e competitivo principalmente no primeiro dia de provas.

 Aclarou que o primeiro atleta que defrontou era muito forte, assim como o segundo, mas conseguiu alcançar bons resultados
 “Avalio de forma positiva esse campeonato. Agora, como campeão da zona,tenho muitas responsabilidades sobre a minha pessoa e a pensar já no Africano do Congo Brazzaville onde vou com o pensamento centralizado apenas na conquista da medalha de ouro e depois em Setembro outra medalha no Mundial de boxe”, garantiu.

 Avançou que os pugilistas zimbabueanos que integraram apenas no último dia da prova vieram dar outro ritmo competitivo ao torneio em masculino e femininos. Acrescentou ter sido uma pena os curtos dias de combates protagonizados ao longo do zonal IV.

 “Por isso, tornou a competição mais renhida. Neste último dia Angola esteve mais brilhante do que no primeiro e no segundo dia, porque queríamos vencer em nossa casa”, realçou.  Para Raimundo Vidal, capitão da selecção masculina e campeão africano da zona na categoria dos 75kg, Angola, como país organizador, preparou muito bem este evento,  manifestando porém a sua tristeza pela não presença de outras selecções.

“Mas é para dizer que, fazem falta os que estão presentes..Quanto à avaliação, vencemos por equipa e individualmente também triunfamos. Somos campeões da zona e estamos satisfeitos. Tenho a agradecer muito o governo provincial da Huíla pela hospitalidade. Não esperava tanto calor do público, dirigentes. E estou muito feliz por isso. Também agradecer a federação angolana da modalidade pelo esforço feito em trazer este evento ao nosso país”, louvou. Raimundo Vidal sublinhou que agora há que pensar no campeonato Africano do Congo Brazzaville, visto que nesta prova aparecem muitas selecções por categorias, o que torna mais difícil ganhar.