Jornal dos Desportos

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Ecclestone "namora" África do Sul

04 de Setembro, 2015

Patrão comercial da F1 quer garantia de financiamento para continuar a dialogar

Fotografia: AFP

O futuro da Fórmula 1 está ameaçado e os detentores dos direitos comerciais procuram novos mercados para sustentar a maior competição automobilística do mundo. É nesse diapasão que, Bernie Ecclestone, chefe supremo da F1, manifestou o interesse de ver a competição outra vez no continente africano.

Em 1993, disputou-se a última corrida da F1 do continente africano. Na prova disputada no circuito de Kyalami, na África do Sul, Alain Prost abriu o caminho para o tetracampeonato com uma vitória. Depois disso, a África só teve a oportunidade de receber a F1 em algumas exibições, mas jamais foi palco de outra corrida da categoria.

Bernie Ecclestone, chefão da F1, mostrou-se interessado em trazer a competição de volta à África. O britânico de 84 anos condicionou o regresso ao segundo maior continente do planeta a um bom acordo financeiro. Sem isso, nada feito.

Bernie Ecclestone falou ao site ‘South Africa’s Eyewitness News’ sobre os planos que tem para a África do Sul na F1.

“Se alguém sentar à minha frente hoje, com uma caneta, e querer assinar um contrato, então podemos ter uma corrida no ano que vem. Este é o caso de alguém financiar isso e dizer: ‘vamos fazer isso acontecer’”, disse o dirigente.

A África do Sul foi sede do Campeonato do Mundo de 2010. E uma das praças mais importantes do Mundial foi a turística Cidade do Cabo, que foi sugerida para ter uma corrida disputada num circuito de rua, nos mesmos moldes do que vai acontecer, em 2016, em Baku, capital do Azerbaijão. Ecclestone está crente que uma eventual prova na cidade do Cabo não deve acontecer. O dirigente mostrou-se irritado por ter participado de várias reuniões com autoridades locais sem que isso trouxesse qualquer resultado produtivo.

"Há uma grande oportunidade de ter outra reunião e outra conversa que, no fim das contas, não vai resultar em nada. Tivemos várias sugestões sobre o local da prova e uma das mais sensatas foi a cidade de Cabo", disse.

O empresário inglês sustentou que "uma corrida de rua na cidade de Cabo deu indicativo de manter uma conversa progressiva; infelizmente, não foi adiante". Face à situação, "alguém deve falar sobre isso, posicionar-se e comprometer-se".

Entre as principais praças, que acolhem a Fórmula 1 desde o início, o circuito de Monza está perigo de constar do calendário da prova época. Nesse fim de semana, membros do governo italiano e representantes empresariais vão reunir com Bernie Ecclestone para renegociar o Grande Prémio de Itália, em Monza.

O mesmo não aconteceu com Nuremberg. Os proprietários do circuito alemão não renegociaram o acordo e Bernie Ecclestone retirou o Grande Prémio da Europa. Na presente época desportiva, os alemãs são obrigados a viajar para diferentes palcos do mundo para acompanhar "o brilho" da sua representante, a Mercedes.
A França e Portugal são outros países europeus que perderam os direitos de acolher um Grande Prémio da Fórmula 1 por falta de financiamento.

MERCEDES
Título alivia grande pressão a Lewis Hamilton


Nesse ano, o ritmo de classificação de Lewis Hamilton é simplesmente destruidor. Em 11 Grandes Prémios, o bicampeão mundial colecciona dez pole position. O sucesso é o resultado de um amplo estudo para corrigir os pontos fracos de 2014.

A performance arrasadora de Lewis Hamilton em 2015 impressiona. Embora seja beneficiado por contar com o Mercedes W06, de longe o melhor carro da grelha, o britânico de 30 anos sobra em relação ao companheiro Nico Rosberg, que obteve apenas uma pole em Barcelona.

A título de comparação, no ano passado, o alemão largou 11 vezes na pole em 19 Grandes Prémios disputados, enquanto Lewis partiu da posição de honra em sete oportunidades.

Lewis Hamilton entende que 2014 foi um ano difícil, cercado de pressão e pontos fracos a evoluir. Um deles foi o desempenho na classificação. Depois de muito trabalho para corrigir as deficiências, Lewis faz uma época quase perfeita e aliviado por não sentir a pressão que lhe abateu no ano passado. O britânico caminha a passos largos para o tricampeonato.

Dono de 48 poles na carreira, Lewis Hamilton está a 17 de alcançar a marca do seu ídolo, Ayrton Senna. No entanto, nos quesitos vitórias e títulos, o piloto da Mercedes está muito próximo de igualar o brasileiro tricampeão do mundo. Em 159 Grandes Prémios disputados, dois a menos em relação a Senna, Hamilton soma 39 vitórias, duas a menos em relação a Ayrton. Lewis está a oito passos (ou menos) de igualar a sua grande referência nas pistas e chegar ao terceiro título.
Em entrevista à revista britânica ‘Autosport’, Hamilton disse que o trabalho desempenhado neste ano é resultado de uma avaliação constante do seu trabalho para melhorar.

“A pessoa está a ajustar-se sempre e tenta melhorar. Isso nunca tem fim. Vou conduzir sempre bem, não importa o que aconteça. Nesse ano, tenho forçado um pouco mais na classificação e está a funcionar", disse.

O líder do campeonato mundial considera-se muito mais forte mentalmente em relação ao ano passado. Hamilton disse que já não convive com a pressão de lutar por um título após o grande período de seca. "A partir da conquista de um título mundial e estar num nível elevado, o piloto solta-se de um nível maior tensão, especialmente, depois de uma série de anos sem título", disse.

Lewis Hamilton ressaltou que "o ano passado foi difícil" e estava "um pouco infeliz" com algumas situações. "Foi um ano complicado mentalmente", lembrou.
O bicampeão mundial assegurou que tem conseguido "curtir" a condução nesse ano e "tudo se torna melhor".

"Não sinto essa intensidade, quando se trata de fim de semana de corrida. Não sinto nenhuma pressão. Passei muito tempo a analisar o meu ano (passado) e as áreas em que queria melhorar na presente época. Mais do que nunca, sei do que sou capaz de fazer", frisou.

GP DA ITÁLIA
Red Bull troca motor em Monza


Daniel Ricciardo e Daniil Kvyat vão perder dez posições na grelha de largada do Grande Prémio da Itália de F1, no próximo domingo. A dupla da Red Bull vai enfrentar mais uma punição na época, porque a equipa taurina decidiu trocar o motor dos seus carros. Assim, tanto Kvyat como Ricciardo vão usar o sexto motor no lendário circuito de Monza.

Quem também deve sofrer uma punição por troca de motor é Carlos Sainz Jr, da co-irmã Toro Rosso. O propulsor do espanhol apresentou problemas em Spa-Francorchamps e comprometeu a corrida. Assim, em teoria, apenas Max Verstappen deve manter-se para Monza sem perder dez posições na grelha.
Em entrevista ao site da revista britânica ‘Autosport’, Christian Horner, chefe da Red Bull, confirmou que a equipa vai efectuar a troca, o que vai acarretar na punição aos seus pilotos.

“Vamos sofrer uma punição neste fim de semana com os dois carros. Estamos sem quilometragem com as unidades actuais e precisamos fazer a actualização com a sexta unidade de força, no quadro do programa até o final da época", declarou o britânico.

Num discurso contrário ao da Renault, Chris Horner assegurou que "Monza é uma pista que permita colocar o pé embaixo a 75 por cento, apesar de não ser um circuito forte no ano para a equipa".

O director de operações da fábrica francesa, Rémi Taffin, está crente que os motores construídos em Viry-Châtillon vão apresentar boa performance, como aconteceu há duas semanas em Spa-Francorchamps, outro circuito de alta velocidade.