Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Ecclestone alega inocência em tribunal

27 de Abril, 2014

O chefe da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, de 83 anos, negou as acusações de corrupção contra si em Munique

Fotografia: AFP

“Tenho confiança, o sol brilha”, disse um sorridente Ecclestone aos jornalistas, ao entrar na sala do tribunal, de fato escuro, gravata preta e camisa branca. “O senhor Ecclestone nega as acusações”, escreveu seu principal advogado, Sven Thomas, num texto destinado aos juízes e tornado público após o início do julgamento. “A suposta corrupção não se realizou”, ressaltaram.

O magnata pode ser condenado a até dez anos de prisão se for considerado culpado por um suborno de 44 milhões de dólares em 2006 e 2007 ao banqueiro alemão Gerhard Gribkowsky - que trabalhava para o banco público Bayern LB - para poder concluir a venda dos direitos da F1 ao fundo de investimento CVC Capital Partners.

A CVC comprou por 839 milhões de dólares os direitos da F1, até então nas mãos do Bayern LB. Durante o julgamento, a defesa indicou que Ecclestone comunica-se apenas por meio dos seus advogados. Ele responde, porém, aos argumentos que forem apresentados por Gribkowsky contra ele, numa audiência prevista para 9 de Maio.

Ecclestone chegou ao tribunal num carro com vidros escuros e seguiu directamente para o estacionamento subterrâneo, escapando da multidão de fotógrafos e cinegrafistas.

No seu texto, os advogados de Ecclestone classificaram de “inexactas, mentirosas e imprecisas” as declarações de Gribkowsky no seu julgamento em Junho de 2012.

O multimilionário sempre alegou inocência e negou-se a entrar num acordo, que lhe tinha evitado um julgamento. O patrão da FI diz ter sido vítima de uma chantagem, enquanto Gribkowsky garante que se tratou de suborno.

Em Junho de 2012, Gribkowsky foi condenado a oito anos e meio de prisão por corrupção e fraude fiscal por não ter declarado os milhões recebidos. Durante o julgamento do banqueiro, Ecclestone, convocado na qualidade de testemunha, admitiu o desembolso, mas apresentou-o como uma forma de “preço do silêncio” para que Gribkowsky não fizesse revelações comprometedoras sobre o seu património ao fisco britânico.

“Hoje, o perdedor sou eu, porque as pessoas me denigrem, sem saber realmente do que se trata”, declarou Ecclestone há alguns dias em entrevista à emissora de televisão alemã ARD.

O juiz Peter Noll, que preside ao julgamento de Ecclestone, é o mesmo que condenou Gribkowsky. Ao ler a sentença do banqueiro, o magistrado declarou que Ecclestone tinha “levado o condenado ao crime”. Para preparar melhor sua defesa, o chefe da F1 afastou-se da gestão da categoria. Ele tem de comparecer no tribunal de Munique duas vezes por semana. Para que possa continuar a acompanhar as corridas no mundo todo, o julgamento é às quartas e quintas-feiras. As audiências estão previstas para até meados de Setembro.

“Se ficar provado que Ecclestone é responsável por actos penalmente condenáveis, vamos demiti-lo”, advertiu o co-fundador da CVC Donald Mackenzie, perante a Alta Corte de Justiça britânica no ano passado.

Em entrevista publicada quarta-feira no jornal especializado em Economia “Handelsblatt”, o director-executivo da equipa Mercedes, Toto Wolff, também garantiu que o julgamento é acompanhado de perto.

“Vamos ver agora o que acontece exactamente”, declarou Wolff. “É claro que pensamos no futuro da F1. Temos de fazer isso”, acrescentou.

Ex-piloto, Ecclestone comprou em 1971 a Brabham, fundada por Sir Jack Brabham. A equipa conquistou dois títulos mundiais com Nelson Piquet (1981, 1983). As últimas estimativas situam sua fortuna pessoal em cerca de quatro mil milhões de euros.

Rei da F1, ele também é uma figura controversa. Em 2005, teve de se desculpar por comentários sexistas sobre as mulheres pilotos de Fórmula 1 e em 2009 considerou Adolf Hitler de “eficaz”.


Breve


Schumacher desperta do coma
O ex-piloto alemão Michael Schumacher acordou do coma em que estava há quase quatro meses, avançou sexta-feira a televisão alemã RTL. No entanto, a porta-voz do antigo piloto é mais contida na informação divulgada. “Há pequenos progressos que nos alegram muito e também nos dão muitas esperanças”, afirmou a porta-voz Sabine Kehm. “Este tipo de situação já era previsto. A recuperação é demorada e difícil”, observou a porta-voz, prometendo dar mais detalhes quando o piloto recuperar totalmente. Ao fim de quase quatro meses em coma, Schumi reconheceu a mulher, de acordo com o veiculado por Sabine Kehm.