Jornal dos Desportos

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Ecclestone pondera colocar Brasil fora da época 2017

13 de Novembro, 2016

Chefe da Fórmula 1 duvida da continuidade do circuito de Interlagos nas provas do Mundial de Fórmula 1

Fotografia: AFP

O GP do Brasil corre riscos de ficar de fora do calendário 2017 do Mundial de Fórmula 1, segundo o director executivo da categoria, Bernie Ecclestone. De acordo com o octogenário, questões financeiras seriam os principais empecilhos para a realização da etapa brasileira.

Questionado sobre as chances de o Brasil receber a F1 no ano que vem, o britânico deu um indicativo longe de ser positivo para os fãs da categoria no país. “Eu não apostaria o meu dinheiro nisso, talvez colocaria o seu”, afirmou o dirigente de 86 anos, sempre arisco nas suas respostas.

Ecclestone também refutou ter pedido financiamento federal para a realização do GP Brasil ao presidente Michel Temer, com quem teve uma reunião na última quarta-feira, em Brasília.

“Eu não pedi nada a ele. Apenas quis encontrá-lo e ver como ele se sente sobre as coisas em geral. Ele acha que a F1 foi boa para o Brasil, ou não? Provavelmente tem sido boa para São Paulo. Se é boa para o resto do Brasil, quem sabe? Eu não tenho ideia do que ele pode fazer como presidente.

Este país vive um momento político conturbado. Ele assumiu o cargo recentemente”, contou Bernie, explicando os factores económicos que podem inviabilizar a corrida em pista nacional.

“Eles gastaram muito dinheiro para ter os Jogos Olímpicos e o Campeonato do Mundo, e São Paulo sofreu um pouco com isso. O promotor tentou seguir com a corrida e, a lucrar ou não, não saíram no prejuízo. Então, no fim, quem saiu a perder fomos nós, porque eles não podem nos pagar”, esclareceu. Por fim, Bernie Ecclestone ainda criticou o atraso na reforma no Autódromo de Interlagos, onde acontece hoje o GP Brasil, que pode culminar com Nico Rosberg como campeão da temporada 2016. “Deveria ter ficado pronta há quatro anos, nosso contrato com eles aponta que deveria ter sido assim”, completou.

Além da corrida brasileira, que integra o calendário da categoria desde 1972 de forma ininterrupta, o GP da Alemanha também corre sérios riscos de não acontecer no ano que vem por conta de problemas comerciais, na avaliação do chefe da F1. Uma reunião do Conselho Mundial de Automobilismo, marcada para o fim de Novembro, deverá definir tais incógnitas.

BUTTON

Entretanto, o piloto inglês Jenson Button, campeão mundial de Fórmula 1 em 2009, anunciou há cerca de dois meses que não continuará no circuito em 2017 para tirar um ano sabático do desporto. Profissional há 17 anos e já bastante experimentado no Autódromo de Interlagos, o britânico disse ainda não ter pensado na despedida temporária da categoria e que espera uma melhoria no desempenho da sua McLaren na prova de hoje. “É uma pista com muita história, certamente, sinto-me muito bem aqui, ganhei o meu primeiro ponto aqui. É um lugar especial para mim, é bom estar no Brasil”, contou, calmamente, o sexto colocado do GP de 2000, ano de estreia dele na Fórmula 1, quando Interlagos ainda figurava no começo da temporada.

Apenas o 15º colocado atualmente no Mundial de Pilotos, Button assegurou que o ano ainda está longe de terminar na sua cabeça. Lembrando que terá pela frente também o GP de Abu Dhabi, marcado para o dia 27 deste mês, ele preferiu deixar os discursos antes do “até logo” para a próxima ocasião.


PILOTO DINAMARQUÊS
Magnussen reforça equipa da Haas


A Haas F1 Team anunciou a contratação de Kevin Magnussen como segundo piloto da equipa para o Mundial de 2017, juntando-se assim ao francês Romain Grosjean. Com 24 anos, o dinamarquês vai substituir o mexicano Esteban Gutiérrez, que deixará a escuderia norte-americana.

"Desde que começámos a pensar em pilotos que o Kevin Magnussen está na nossa lista. Ele conquistou bastante num curto período de tempo e sentimos que pode alcançar ainda mais connosco. A nossa segunda temporada trar-nos-á diferentes desafios e sentimos que a dupla Kevin e Romain vai ajudar-nos a desenvolver o nosso carro e ao nosso crescimento", adiantou Gene Haas, o fundador e o presidente da Haas F1 Team.

Já Magnussen mostrou-se também feliz pelo acordo. "Esta é uma oportunidade fantástica e estou muito satisfeito por fazer parte da Haas F1 Team. Obviamente, estou confiante nas minhas capacidades”.


EM INTERLAGOS
Rosberg supera
Lewis Hamilton 


No terceiro e último treino antes da definição do grid de largada do GP Brasil de Fórmula 1, a disputar-se hoje a partir das 19 horas, Nico Rosberg foi o mais rápido entre os 21 pilotos que foram ontem à pista do Autódromo de Interlagos, amanhecido com temperaturas bem mais amenas em relação às da última sexta-feira.

Mesmo sob uma fina neblina e com a pista bastante húmida, o alemão levou a Mercedes à liderança, com o tempo de 1min11s740, o melhor do final de semana até o momento.

A sessão de testes começou com o asfalto bastante húmido em determinados trechos, principalmente na recta principal, onde a neblina se fazia sentir com mais intensidade. Líder dos dois treinos da ensolarada e quente sexta-feira, Lewis Hamilton foi o primeiro a andar com pneus macios (de faixa amarela), mas escapou na curva e só foi voltar ao traçado na parte final da actividade, quando registou a segunda melhor marca, com 1min11s833.

A Ferrari de Sebastian Vettel apareceu em terceiro lugar, sendo a única a alcançar a casa de 1min11s, além das Mercedes. Atrás do tetracampeão, apareceu o seu companheiro de escuderia Kimi Raikkonen, que terminou à frente dos carros da Red Bull de Max Verstappen e Daniel Ricciardo, quinto e sexto colocados, respectivamente.

Líder do Mundial de Fórmula 1, Rosberg possui 349 pontos contra 330 de Hamilton, o seu único perseguidor. Dessa forma, o alemão conseguirá o título de forma antecipada caso vença o GP brasileiro no domingo, além de diversas outras combinações até um possível sexto lugar. Caso isso não aconteça, ele terá uma última chance no GP de Abu Dhabi, marcado para o dia 27 deste mês.

Toto Wolf telefona
ao pai de Verstappen


A disputa pelo título de piloto da Fórmula 1 está a mexer com a Mercedes. O acidente de ontem, que envolveu os carros prateados, é visto como uma das estratégias de Nico Rosberg para impedir a "derrota" diante de Lewis Hamilton.

Às vésperas do Grande Prémio do Brasil, que hoje se disputa, o mundo tomou conhecimento da intromissão dos dirigentes da Mercedes no título. Totto Wolff telefonou a Jos Verstappen para o antigo piloto falar com o filho no sentido de Max não se intrometer na luta pelo título entre Nico Rosberg e Lewis Hamilton com alguma manobra em pista.

A Red Bull já reagiu indignada com o que chamou de uma intromissão do director da Mercedes na equipa pela manipulação de um dos seus pilotos.
"Só queria dizer ao pai dele, que conheço há muito tempo, que seria uma pena se Max interferisse na luta pelo título com uma manobra sem pensar", afirmou Wolff à Auto Motor und Sport, com os ataques de Max Verstappen à posição de Rosberg no GP do México ainda na cabeça de muita gente.

A Red Bull reagiu pela voz do seu conselheiro desportivo.

"Isto está cada vez mais absurdo. Se o senhor Wolff quer algo de nós, deveria pôr-se em contacto com as pessoas da Red Bull e não com o pai dele", afirmou à publicação alemã Helmut Marko, com indignação: "Nunca vi intromissão semelhante. Telefonar ao pai de um piloto para manipulá-lo é uma má atitude".

Wolff defendeu a bondade do seu comportamento: "Max confia no seu pai, é a única pessoa que ouve. Há uma espiral de notícias negativas sobre o Max e ele não o merece.