Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Eficácia

01 de Dezembro, 2016

Selecção Nacional desbrava o melhor andebol o continente

Fotografia: Kindala Manuel

Três jogos e igual número de vitórias é o saldo da prestação da selecção nacional sénior feminina de andebol à entrada da quarta jornada da primeira fase do 22º Campeonato Africano das Nações sénior feminino, que decorre em Luanda desde 28 de Novembro. A última vitória foi alcançada ontem, diante dos Camarões, a quem Angola bateu por 30-14, quando ao intervalo vencia por 16-5.

Mais do que ganhar, a equipa nacional mostrou ontem uma nova faceta do que pode fazer ao implementar mais rigor nos sistemas defensivos 6X0 e 5X1. Esta opção táctica do conjunto nacional rendeu resultados desde o início e desbaratou todas as opções ofensivas da equipa camaronesa. Com esta postura, as compatriotas de Mano Dibango levaram mais de nove minutos a marcar o seu primeiro golo.

Mas a bravura defensiva angolana não estava a ser correspondida pelo ataque angolano que cometia excessivas falhas técnicas. A defender bem e marcar perto de 65 por cento dos ataques, a selecção nacional chegou a vantagem de 11 golos ao intervalo. No reatamento, foi uma continuidade da ideologia defensiva de Angola. Neste período, as camaronesas levaram mais tempo para visar a baliza à guarda de Bá. Demoraram 12  minutos.

Angola chegou aos 20-5. A assistência, mais de cinco mil, exultava. Era o acerto de contas. Angola, bem comandada por Natália Bernardo, com 10 golos, cobrava com juros o susto que levou das camaronesas na final dos Jogos Africanos de Brazzaville'2015. Desde o início, as camaronesas apostaram no jogo truculento. Esta postura levou à expulsão de uma das suas atletas a meio da segunda parte.

Antes, na sequência do jogo excessivamente físico, a Pivot Albertina Cassoma teve de abandonar a quadra e ser entregue à equipa médica. Filipe Cruz deu-se por satisfeito. À passagem do minuto 20, descansou as principais unidades do plantel e deu tempo de jogo a jovens como Vilma Nenganga, Dalva Peres e Liliana Venâncio. A guarda-redes Bá foi distinguida melhor jogadora em campo.

GRUPO A
Costa do Marfim afunda RDC


A selecção do Congo Democrático, vice campeã continental, não conseguiu travar ontem as investidas da Costa do Marfim e perdeu por 27-33 em jogo pontuável para a terceira jornada do grupo A do Campeonato Africano sénior feminino de andebol, que decorre no pavilhão Multiusos de Kilamba, em Luanda.

Nos primeiros minutos do jogo, as congolesas democráticas denunciaram alguma apatia no ataque e na finalização das jogadas. A equipa não conseguiu gerir a ausência da sua maior estrela, Cristiane Mwasesa, que cumpriu castigo aplicado no jogo anterior. Depois de algum tempo, adaptou-se ao jogo.  A Costa do Marfim marcou o primeiro golo. Era a equipa mais destemida e com maior precisão no ataque. Sentia-se o forte desejo de inverter o cenário do seu primeiro jogo, em que perdeu frente aos Camarões por 17-22.  

O jogo prosseguia. As adversárias lutavam para liderar o marcador. O jogo ficou equilibrado. As congolesas conseguiram pressionar e chegaram ao empate por 14-14. O resultado persistiu até o intervalo. No tempo complementar e, já mais acauteladas, o combate continuou com as costas-marfinenses a pressionarem mais. Em reacção, as congolesas-democráticas utilizaram a defesa mista nas finalizações. Valeu a intervenção da guarda-redes da Costa do Marfim que defendeu grande parte dos remates. O jogo terminou com a vitória suada da selecção da Costa do Marfim por 33-27. Foi a selecção mais rápida no contra-ataque e aproveitou os erros do RDC.

ROSA NAPOLEÃO
VITÓRIA APERTADA
Tunísia treme diante do Congo

Com muita sorte e determinação, a selecção da Tunísia venceu por apenas um golo, 26-25, o Congo na terceira jornada do grupo B do 22º Campeonato Africano das Nações feminino sénior de andebol que decorre no pavilhão Multiusos de Luanda. O jogo ficou marcado por muita intensidade e com jogadas espectaculares. As guarda-redes estiveram em evidência e animaram os escassos adeptos presentes. O equilíbrio foi uma constante, embora as tunisinas estivessem a dois ou três golos de vantagem.

Com sete títulos continentais em campo, dos quais quatro para as vizinhas de Angola e três para as actuais detentoras do troféu, assistiu-se ao jogo mais equilibrado da prova até agora. O segundo tempo foi o mais equilibrado. O Congo aplicou-se mais e conseguiu quatro golos em quatro ataques, que lhe permitiram empatar a 17 golos. A partida estava relançada.

Com uma claque organizada e ruidosa, as congolesas obrigaram as campeãs em título a correr mais em busca do resultado favorável. Para evitar a surpresa da jornada, as coisas começaram a ficar fáceis para a Tunísia, quando a pivot congolesa Kaelle Itoua foi expulsa por jogo violento. As campeãs continentais iniciaram a fuga.

No lado contrário, a vontade de vencer continuou. Com defesas mais apertadas, a guarda-redes da Tunísia, Samira Arafaoui, foi a mais feliz ao parar várias jogadas. Mesmo assim, nos segundos finais, o Congo teve a possibilidade de empatar a partida, mas desperdiçou o ataque a 11 segundos do final.

GRUPO A
Congolesas e camaronesas agitam a jornada

Sem angolanas e tunisinas, que cumprem dia de folga, ganha notoriedade a partida que vai opor as equipas dos Camarões e da República Democrática do Congo para a quarta jornada do grupo A. Duas equipas habituadas à zona intermédia da tabela classificativa, mas que andam com tendências distintas nas últimas edições. Os Camarões são os mais experientes. Em 14 presenças africanas, têm cinco pódios.

O último dos quais é a prata conseguida em 2004 no campeonato do Cairo, quando perdeu a final para Angola por 31-20. De lá para cá, tem variado o 5º e 7º lugares. As congolesas estrearam-se com o último lugar, 8º, no campeonato de 1992. Voltaram a aparecer em 2002. De lá para cá, têm melhorado as prestações. Nas duas últimas edições, estiveram no pódio. São as vice-campeãs e detêm um obrigatório favoritismo. 

É no campo que precisam argumentar o seu favoritismo. Depois da derrota na jornada de ontem, diante da Costa do Marfim, que se seguiu a outra infringida pelo Senegal, quase nada resta do famigerado favoritismo. As congolesas, mesmo com um grande número de fãs por cá, vão fazer pela vida! Precisam vencer as camaronesas e esperar pelas contas para saber se avançam para a segunda fase da prova.

As camaronesas não vieram a Luanda para brincadeiras e mostraram isto no seu jogo inaugural, diante da Costa do Marfim, em que venceram por esclarecedores 22-17. Ontem, no jogo com Angola, foi perceptível a gestão do plantel feita pelo técnico camaronês, a perspectivar o jogo de hoje, mais importante para as suas ambições. Na última jornada da fase preliminar, amanhã, a adversária das congolesas vai ser a selecção nacional.

O regresso de Mwasesa Cristine, activo do 1º de Agosto, que cumpriu castigo no segundo jogo, pode ser um factor motivacional para o grupo congolês.
Noutro jogo do grupo, o Senegal, que venceu de forma sensacional a vice-campeã RDC, na jornada de abertura, vai medir forças diante da Costa do Marfim. Vai ser um jogo pelo segundo lugar, já que cada contendor tem uma vitória, conseguida, curiosamente, sobre a RDC.
SILVA CACUTI

GRUPO B
Guiné Conacri
enfrenta Argélia

Depois da derrota sofrida frente a selecção do Congo por 19-25, no jogo da segunda jornada, a selecção da Argélia entra hoje no pavilhão Multiusos do Kilamba determinada a levar vantagem diante da Guine Conacri, que também perdeu na estreia diante da Tunísia por 22-34. A partida, que vai contar para a quarta jornada do grupo B, reserva muitas surpresas. São duas equipas com baixo nível técnico, mas diferenciadas no histórico.

Por isso, o favoritismo recai para a selecção da Argélia, uma equipa com 14 presenças na elite da competição continental. Apesar da fraca exibição e ingenuidade no jogo frente o Congo, as argelinas fizeram suar as adversárias. Conseguiram anular uma diferença de oito golos, chegando perto do empate. O técnico da selecção da Argélia, Semir Zuzo, referiu que a sua equipa fez o seu trabalho e vai continuar. O descanso de ontem favoreceu as argelinas que o aproveitaram para a recuperação das jogadoras e para se ajustar os erros até então cometidos.

As guineenses-conackry entram na partida com rótulo de desfavorecidas. É uma equipa que carece de estruturação e a sua defesa é vulnerável. É a segunda participação da Guiné Conackry num Campeonato Africano das Nações sénior feminino, depois de se estrear em 2014, na Argélia. Apesar da lentidão das adversárias, as guinenses não têm arcaboiços para suportar os ataque das argelinas.
 ROSA NAPOLEÃO

ANGOLA
Descanso esquisito


A rotina das atletas da selecção nacional não tem nada de fácil. Ela inclui uma alimentação cuidada, treinos, observação e jogos. É desgastante tanto para o corpo como o espírito. Quando as vemos jogar, a ideia que temos é de que é fácil o seu trabalho. Então nos colocamos a sugerir as melhores opções.

"Devia fazer um passe. Melhor seria se rematasse. Ahhhhh, que absurdo ela fez". Comentamos, na nossa condição de adepto. Não sabemos da missa a metade! Hoje, a selecção nacional cumpre dia de folga.  Procuramos saber como a selecção vai gastar este dia e a resposta que tivemos de Ilídio Cândido, vice-presidente da Federação Angolana de Andebol e coordenador da selecção, não é concisa.

Certo é que as atletas não vão ter o dia para se refastelar. O programa pode começar com um treino ligeiro em sessão única ou bi-diária, a depender dos planos do seleccionador. Pode também incluir uma tarde livre, de passeio colectivo ou simplesmente deixarem-se ficar nos quartos do Hotel Diamante, para, à noite, serem chamadas a assistir uma sessão de vídeo onde vão analisar o comportamento em campo da República Democrática do Congo, sua próxima adversária. Tudo, menos "descanso" no verdadeiro sentido da palavra. O dia de folga para as "pérolas" apenas significa que não descem à quadra do Pavilhão do Kilamba para jogar.
SILVA CACUTI

DADOS
INEMA com três registos até ao momento


Uma lesão no tornozelo de uma das guarda-redes do Senegal durante o jogo que a sua selecção perdeu com Angola por 18-31, foi o caso clínico mais relevante registado pelo corpo médico de serviço no Pavilhão Multiuso, no segundo dia do Africano sénior feminino de andebol.  A informação foi prestada pelo responsável da equipa do INEMA (Serviços de Emergências Médicas de Angola), que reportou ter registado uma contusão no lábio, na mesma equipa, e uma queda de cabeça na selecção costa -marfinense. Em declarações à Angop , o coordenador da referida equipa, Ezquiel Tchica, acrescentou que no primeiro caso a jogadora teve de ser transferida para um hospital para realizar um “raio x”.