Jornal dos Desportos

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Elementos do COI criticam organização

05 de Agosto, 2016

O Rio de Janeiro enfrenta graves problemas desde o trânsito às águas poluídas

Fotografia: AFP

O Comité Rio2016 foi criticado na quarta-feira por elementos do Comité Olímpico Internacional (COI), devido a problemas na preparação dos Jogos no Rio de Janeiro, que começam na sexta-feira, noticiou a imprensa brasileira. Elementos da entidade máxima do movimento olímpico criticaram os planos de segurança e de transporte, as finanças e a poluição e alertaram que uma parte das obras ainda não foi concluída.

O COI dedicou parte da sua reunião anual, na quarta-feira, a ouvir o último relatório da Rio2016 sobre o maior evento desportivo do mundo.

"Filas muito, muito, muito longas têm-se formado, com espera de até 45 minutos e nem começámos o evento. Isso poderá criar muita frustração", afirmou Pierre-Olivier Beckers, membro do COI desde 2012, citado pela imprensa brasileira.

O belga acrescentou que o tempo perdido tem deixado "atletas e treinadores nervosos", porque precisam de chegar atempadamente aos treinos e a eventos.

"Tivemos muitas dificuldades para ter acesso aos locais. O trânsito é muito ruim. Vocês têm alguma medida ainda para solucionar isso?", questionou, por seu turno, o suíço Denis Oswald, membro do COI desde 1991.

O príncipe Albert do Mónaco perguntou: "O que é que vocês tem feito para garantir que as águas sejam limpas?"

A decoração dos recintos desportivos foi igualmente alvo de críticas, com o holandês Camiel Eurlings a afirmar que apenas 15% dos cartazes e sinais estão instalados.

Já o presidente do comité, Thomas Bach, admitiu que "é prematuro fazer elogios e é cedo para comemorar".

Na segunda-feira, o mesmo responsável tinha dito que o facto de o Brasil viver uma crise "sem precedentes" tornou a preparação dos Jogos Olímpicos num desafio.

Nesse dia, Thomas Bach deu também conta dos pedidos que tem feito, nos últimos meses, a vários grupos para que entendam a crise no Brasil e não façam muitas exigências.

Segundo a imprensa brasileira, na reunião do COI da última quarta-feira, a Rio2016 reconheceu falhas graves a serem resolvidas, em parte devido a problemas financeiros.

A organização dos Jogos Olímpicos deste ano informou ainda que parte das obras apenas será concluída quando o evento começar.


RECUPERADA
Bandeira roubada
nos jogos de Antuérpia


São o símbolo dos Jogos Olímpicos modernos e fazem parte do imaginário de qualquer um, mas sabia que a bandeira original, apresentada nos Jogos da Antuérpia de 1920, foi roubada?

É branca, tem cinco círculos de cores diferentes que se entrelaçam em representação dos cinco continentes e deve ter uma proporção de 2×3 metros. Só é hasteada de quatro em quatro anos, mas faz parte do imaginário de todo o mundo. A bandeira dos Jogos Olímpicos modernos simboliza o maior evento desportivo do mundo.

Foi criada em 1914, mas por causa da Primeira Guerra Mundial, que levou ao cancelamento dos Jogos de Berlim de 1916, foi hasteada pela primeira vez em 1920, nos Jogos Olímpicos da Antuérpia, Bélgica. Foi nesse ano que o Brasil, país que recebe este ano os Jogos Olímpicos, se estreou no evento desportivo, tendo levado para casa três medalhas (uma delas de ouro, na modalidade de tiro). A bandeira original esperou muito até ser exibida pela primeira vez ao público, mas por pouco tempo: nesse ano acabaria por ser roubada e escondida do olhar dos fãs.

Durante cerca de 80 anos ninguém sabia do seu paradeiro até que, em 1997, numa reunião do Comité Olímpico norte-americano, Harry Priestes, confessou que tinha sido ele o autor do crime, conta o ABC. Tinha 101 anos na altura e era o único atleta que participara nos Jogos da Antuérpia que ainda estava vivo. Tinha disputado a modalidade de salto de trampolim e levou para casa, os Estados Unidos, uma medalha de bronze.

A confissão veio depois de ter sido inquirido por um jornalista se sabia que a bandeira olímpica tinha sido estreada naquele ano e que nunca mais ninguém a tinha visto. Priestes admitiu que não sabia que aquela era a primeira bandeira a ter sido hasteada, mas quanto ao seu paradeiro já podia ajudar: estava em sua casa, na mesma mala que levou para a Antuérpia.

Contou que fê-lo por uma brincadeira com um colega da delegação olímpica norte-americana, Duke Kahanamoku. Feita a aposta, Harry trepou o mastro de cinco metros e roubou a bandeira. Foram perseguidos pela polícia, mas Priestes contou que tinham uma vantagem sobre os agentes: eram atletas olímpicos. . E ele ficou com o troféu e o com a aposta ganha.A bandeira só foi devolvida em 2000.