Jornal dos Desportos

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Equatoriano é aplaudido de pé

06 de Agosto, 2017

Mo Farah puxou um ritmo alucinante no Mundial de Atletismo, em Londres.

Fotografia: AFP

Nem todo mundo conseguiu acompanhá-lo. O equatoriano Bayron Piedra já estava completamente fora do pelotão  na terceira volta. Depois de 6 mil metros, já havia se tornado um retardatário.

“Não imaginava que isso fosse acontecer. Eles passaram no quilómetro três em 8min11s. Perdi muito contacto e tive de correr sozinho, acabei por me desmotivar. É difícil correr sem ninguém que te ajude a ditar o ritmo. A pessoa fica sozinho na pista”, disse Piedra, de 34 anos.

Atleta olímpico em 2004 nos 400m e em 2008 nos 1.500m, Bayron dedica-se às provas mais longas. Rio\'2016, conquistou um importante 18º lugar na maratona. Este ano, a vaga para o Mundial veio depois de ganhar o Campeonato Sul-Americano, em Assunção, que classificava os seus campeões para Londres.

Na final da última sexta-feira, a primeira do Mundial, era o único atleta sul-americano. Além dele, havia ainda dois corredores da Oceania (um da Nova Zelândia, outro da Austrália) e, de resto, absolutamente todos os rivais são nascidos na África, mesmo os que competiram por EUA, Bahrein, Canadá, Turquia e Grã-Bretanha.

O próprio Mo Farah é, originalmente, da Somália. Mas, depois de se naturalizar britânico, ganhou os fãs e também um título de Sir. Fez a melhor marca da época para ganhar a prova em 26min49s51. Dos atletas que o seguiram no Top 10, seis fizeram o melhor da carreira.

Mas Piedra não conseguiu sequer se aproximar do que melhor sabe fazer. Enquanto os primeiros completavam, estava no começo da sua penúltima volta. Quando encerrou a prova, todo o mundo já estava a descansar. O público reconheceu o esforço e o aplaudiu de pé.

“A Europa tem uma cultura muito bonita no desporto. É diferente da América do Sul. As pessoas são muito afectuosa, fazem uma grande festa”, comentou.

Piedra, com 28min50s72, nem foi o último da prova, mas porque o australiano Patrick Tiernan desistiu nas últimas duas voltas e passou a apenas a andar. De qualquer forma, equatoriano disse que veio ao Mundial só para ganhar velocidade para correr a Maratona de Nova Iorque.