Jornal dos Desportos

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Modalidades

Equilíbrio nos jogos de juvenis

Gaudêncio Hamelay-Lubango - 12 de Janeiro, 2015

A segunda fase dos campeonatos nacionais de andebol em juvenis reatam amanhã no Lubango com despique entre as principais equipas das províncias de Luanda e de Benguela

Fotografia: José Cola

Os atletas participantes dos campeonatos nacionais de juvenis e de juniores, que decorrem na cidade de Lubango, realizam hoje passeios turísticos a diferentes rencantos da província da Huíla, no âmbito da primeira folga do evento. Os jogos vão ser retomados amanhã com a abertura da segunda fase.

Para retemperar as energias, os atletas vão tomar contacto com a Serra da Leba, Cascata da Huíla, Fenda da Tundavala, Monumento do Cristo Rei, Capelinha de Nossa Senhora do Monte, entre outros lugares de interesse.

A escolha dos espaços dentro da cidade de Lubango resulta da falta de transporte em quantidade suficiente para levar os atletas a lugares distantes. Para colmatar o vazio, a organização aliou o desporto ao turismo para que os petizes conheçam a potencialidade turística da cidade capital da Huíla.

REUNIÃO TÉCNICA
A segunda reunião técnica dos “nacionais” acontece hoje, às 16h00, na sala de conferências do Pavilhão Multiusos da Nossa Senhora do Monte. Os directores dos clubes vão tomar conhecimento do programa de jogos da segunda fase dos campeonatos nacionais. Amanhã começam a ser disputadas as classificativas do nono ao 16º lugares.

A atitude do Kabuscorp do Palanca vai ser diferente na segunda fase. O director do andebol da equipa do bairro Palanca, em Luanda, João Pedro, ressaltou que a equipa vai entrar com outra “postura, mais ousada e forte” para corrigir o desprezo feito ao primeiro adversário da competição. A maneira como o tratou está a complicar as contas.

O Kabuscorp do Palanca tem a intenção de “ganhar o título” e deve apresentar-se com “dignidade”. João Pedro avaliou o nível organizacional do evento como  “positivo” e o competitivo  “aceitável”.

CLASSIFICAÇÃO
À entrada da última jornada, o 1º de Agosto é líder da série A, masculino, com oito pontos, seguido do Petro de Luanda (4), Kabuscorp do Palanca (2).
Na série B, Interclube da Huila comanda com seis pontos, seguido de Lumege (2) e Onze Bravos do Maquis (2). Na série C, o Renascimento comanda com seis pontos. Ferroviário de Luanda (4) e 4 de Abril (4) ocupam lugares subsequentes.

FEMININO
Na série A, 1º de Agosto comanda com oito pontos, sob olhar de perto do ASA (6), Petro de Luanda (6). No grupo B, 1º de Agosto de Benguela ocupa a primeira posição com oito pontos, seguido do Sporting do Lubango (6) e Promaz (4).
Na série C, a liderança é do Nacional de Benguela com seis pontos, secundado pela Casa Pessoal do Porto do Lobito (6), Ferroviário de Luanda(4).

CONSTATAÇÃO
Técnicos avaliam jogos “equilibrados”


Os jogos dos campeonatos nacionais de juvenis, que decorrem na cidade de Lubango, província da Huíla, estão cada vez mais equilibrados, à medida que se preparam para as fases cruciais do evento. A constatação é do coordenador técnico da Associação de Andebol do Namibe, Jujú Alberto.
Em declarações ao Jornal dos Desportos, o especialista assegurou que os níveis competitivos estão equilibrados em função da organização das séries e do aumento do limite de idade de 16 para 17 anos. Jujú Alberto exemplificou que as equipas de Benguela estão a encontrar dificuldades perante as formações de Luanda e as da Huíla e Huambo que efectuam “excelente campeonato”.

A primeira fase, que terminou ontem, foi jogada sob “o signo de equilíbrio” e agora começa a discussão do título entre as equipas de Luanda e Benguela, principais pólos de desenvolvimento do andebol no país, de acordo com Jujú Alberto.

A equipas namibenses estão em formação para competir em pé de igualdade com os principais papões do andebol nos escalões seniores e juniores. O projecto inclui participação em todas as provas nacionais e já vai na terceira edição. Jujú Alberto realçou que as metas estão a ser cumpridas e o alcance de um título não vai ser concretizado no Lubango, apesar de ter chegado às meias-finais na última edição.

O Atlético do Namibe e a Escolinha do Namibe fazem parte de um projecto de sustentabilidade de jogadores para as selecções nacionais, com vista os Jogos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), nos escalões de cadetes. A presença nos “nacionais” do Lubango enquadra-se na rodagem competitiva dos atletas.

Jujú Alberto assegurou que a treinadora da selecção nacional é do Namibe e a Associação local está empenhada em proporcionar as condições para que as duas equipas possam dignificar a província no evento nacional.
O equilíbrio de jogos também foi corroborado por Eugénio Nunes, treinador do Ferroviário de Luanda. O especialista assegurou que as equipas do litoral do país apresentam boa capacidade física e estão a criar dificuldades. O nível técnico e físico das equipas surpreenderam-lhe na primeira fase.  

INQUIETAÇÃO
Desequilíbrio técnico
preocupa treinadores


O desequilíbrio técnico entre as equipas do litoral e do interior do país preocupam os treinadores dos principais pólos de desenvolvimento do andebol no país. A realização de eventos desportivos regulares, nas zonas regionais definidas, é a solução para equilibrar o nível competitivo entre as equipas nacionais. A apreciação é do coordenador técnico da equipa feminina de andebol da Casa Pessoal do Porto do Lobito, Lucas Condomínio.

“O desequilíbrio entre equipas é muito grande nos nacionais do Lubango. Há aquelas que estão a engatinhar e não nos interessa participar nos campeonatos sem competitividade”, disse.

O responsável ressaltou que o cumprimento rigoroso das deliberações da Federação Angolana de Andebol (Faand), quanto a zonas regionais, vai reduzir as assimetrias que se constata na prova que decorre na cidade de Lubango.

“Reconhecemos que as provas nacionais servem de incentivos às equipas das províncias do Cunene, Cuando Cubango, Moxico, Zaire, Uíge, entre outras, mas estamos a vir de muito longe; temos atletas que vão transitar para os escalões de juniores e devem participar de provas competitivas. Um resultado de 71- 6 verificado nessa prova não dignifica o próprio campeonato nacional, disse.

Lucas Condomínio manifestou o seu desagrado pela violação de uma deliberação aprovada em Assembleia Geral da Faand, de que os campeonatos nacionais devem ser disputados por 12 equipas, das quais Benguela deve apresentar três, Luanda com quatro, e as zonas devem fornecer uma equipa cada uma.
Lucas Condomínio disse que a alteração do programa sem o beneplácito dos técnicos deve ser tema de discussão nas próximas reuniões da Faand para evitar as imposições de força que ferem o bom desenvolvimento do andebol.

A Casa do Pessoal do Porto do Lobito perdeu os campeonatos realizados em Luanda e no Lubango. A experiência acumulada dá-lhe gabarito para discutir os títulos em todas provas. 

EQUIPA DO CUNENE
Treinador recorre a crédito bancário para jogar


O treinador do Desportivo do Cunene, Edson Kissanga, recorreu a empréstimo bancário para custear as despesas do clube nos campeonatos nacionais de andebol, em juvenis. que decorrem na cidade de Lubango, província da Huila. A revelação foi feita na última sexta-feira, em declarações ao Jornal dos Desportos.
Edson Kissanga assegurou que o dinheiro emprestado serve para custear a alimentação das atletas e o combustível da viatura que os transportou da província do Cunene à cidade de Lubango. O gesto resulta do amor ao andebol.

“Para vir a Lubango com a equipa feminina, recorri a um empréstimo bancário para sustentar as atletas e o combustível do carro, enquanto à masculina beneficiou de apoio de uma pessoa de boa fé”, disse.

As entidades governamentais da província estão aquém da promoção da prática dos desportos. A prova disso é a ausência de um representante do “executivo local” na competição para apoio moral. Todas as responsabilidades são assumidas pelo treinador.
“Sinto-me sozinho e triste. Todas as delegações provinciais têm um representante oficial, menos o Cunene”, disse.

O regresso das duas equipas à província do Cunene estão condicionadas. Edson Kissanga não dispõe de dinheiro para custear as despesas de transporte. Com os olhos no pós-campeonato nacional de juvenis, as esperanças do treinador recaem a um amigo de bom coração: “Possivelmente, essa pessoa de boa fé virá buscar-nos”.
Perante a situação, Edson Kissanga clama à sociedade nacional apoios para desenvolver o andebol naquela parcela do território nacional, sem constrangimentos. A modalidade enfrenta dificuldades de ordem material, financeiro, transporte, infra-estruturas e formação de treinadores. 

O treinador assegurou que os jovens da província do Cunene manifestam interesse de praticar o desporto, mas não há condições de trabalho. Por esse motivo, os apoios devem ser encaminhados para tirar a juventude da prostituição, droga, delinquência e outros males. A estreia das equipas numa prova nacional vai impulsionar os jovens do Cunene. Edson Kissanga está esperançado que as portas podem abrir-se, quando voltar a batê-las. Durante a preparação, o treinador revelou que as entidades competentes do governo local permitiram a utilização do pavilhão gimnodesportivo apenas por uma semana.

OBJECTIVOS
Equipas do Cunene
ganham experiência


As duas equipas da província do Cunene  participam nos campeonatos nacionais de andebol, em juvenis, na cidade de Lubango, para ganharem experiência. A afirmação é do treinador da equipa masculina, Edson Kissanga.

O especialista justificou que não há competição interna na província do Cunene e as provas do Lubango servem para dar a conhecer aos atletas, o andebol de alto rendimento praticado nos principais pólos de desenvolvimento do país.

“Não viemos para ganhar jogos nesses campeonatos, mas para participar e receber a experiência das equipas de Luanda e de Benguela, principais focos do andebol no país. Os campeonatos de juvenis são competitivos e duros”, disse.

Edson Kissanga assegurou que os atletas vão regressar ao Cunene com mais conhecimentos e nas próximas edições podem surpreender os papões do andebol, desde que haja mais apoios das entidades competentes.

O treinador disse que os “vexames” vivenciados nesse campeonatos podem ser ultrapassados. A equipa jogou sem banco e as atletas foram obrigadas a sacrificar-se durante todas as partidas, o que viola os princípios desportivos. Cada uma das equipas levou ao Lubango apenas dez atletas.                              

GH