Jornal dos Desportos

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Equipa taurina acusa Ferrari

30 de Setembro, 2015

A Red Bull podia optar por barrar esta unanimidade, o que podia deixar o motor 2016 da Ferrari

Fotografia: AFP

Antes de oficializar o novo contrato com a Ferrari, para ser a nova fornecedora de motores a partir de 2016, a Red Bull está em pé de guerra com a fábrica de Maranello. Tudo isso, depois da crise deflagrada com a Renault que acabou por encerrar um casamento que rendeu nada menos que oito títulos mundiais da F1, entre os “anos dourados” de 2010 e 2013.

O facto é que a Red Bull bate o pé, exige que a Ferrari lhe forneça os motores de especificação de 2016. A equipa tetracampeã do mundo, não aceita receber um motor de especificação antiga, como acontece hoje com a Manor Marussia, que conta com uma unidade de força de 2014. Por tal indefinição, Helmut Marko, consultor da Red Bull, acusou a Ferrari de “estar a jogar” com a equipa de Milton Keynes, o que gera ainda mais insatisfação e aumenta o tom de ameaça de sair de vez da F1.

A Red Bull aceita fechar com a Ferrari, se for para contar com o mesmo motor da equipa de fábrica, conforme a publicação norte-americana ‘Motorsport.com’. Não se sabe, se a decisão da fábrica italiana se deve a problemas logísticos, ao preparar o equipamento e fornecimento aos outros clientes do ano que vem, leia-se, Sauber e Haas, ou por um temor de que a Red Bull possa superar a Ferrari dentro da pista, ao usar o mesmo motor da equipa de Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen.

Nervoso e irritado com a postura da Ferrari, Marko bradou contra a fábrica de Maranello. “Estão a jogar connosco. Mas não queremos jogar por muito tempo. A nossa consideração em sair está a ser alimentada cada dia mais”, disse o austríaco em entrevista à revista alemã ‘Auto Motor und Sport’. Helmut Marko assegurou, que “se trata de uma péssima jogada," oferecer as especificações do motor de 2015, quando ao mesmo tempo a Sauber e Haas F1 vão receber as especificações do motor de 2016.

Mesmo com poucas esperanças de persuadir a Ferrari a mudar o seu enfoque e entregar-lhe os motores de 2016, a Red Bull tem uma carta na manga, de acordo com o ‘Motorsport.com’. Em desenvolvimento das novas unidades de potência, a Ferrari planeia pleitear um prolongamento no prazo para a homologação, prevista para 28 de Fevereiro. Para que este prolongamento aconteça, é preciso um apoio unânime das equipas.

Sem essa aprovação, a Ferrari vai ter de  juntar-se a Honda, Mercedes e Renault e assegurar a homologação até o prazo dado pela FIA. A Red Bull podia optar por barrar esta unanimidade, o que podia deixar o motor 2016 da Ferrari mais atrás, em termos de desenvolvimento em relação ao que pudesse ser oferecido à própria Red Bull.

DESAVAÇÕES
Honda critica McLaren



Na esteira do GP do Japão, Yasuhisa Arai, deu uma entrevista muito franca ao diário espanhol ‘El País’. O engenheiro - chefe da divisão desportiva e de F1 da Honda, reconheceu que o trabalho feito pela fábrica de Sakura no seu regresso à categoria, não tem sido tão eficiente como esperado. Arai falou de calcanhar de Aquiles do motor Honda, o sistema de recuperação de energia,  acredita que a versão de 2016 vai ser melhor.

Por outro lado, o director -desportivo revelou alguma decepção em relação à parceira McLaren. No fim de semana do GP do Japão, a media inglesa disse que Ron Dennis pediu a cabeça de Arai por estar insatisfeito com o trabalho do engenheiro da Honda.
Arai que se mostrou chateado. No seu ponto de vista, a Honda está a levar toda a culpa, por uma falta de desempenho global do MP4-30.

O engenheiro de 58 anos admite, que o motor precisa de melhorar muito, mas o chassi construído pela equipa britânica também é pouco eficiente. Isso  mostra-se evidente ao longo de toda a época. O melhor resultado da McLaren foi alcançado por Fernando Alonso no GP da Hungria, quando terminou em décimo lugar. O GP do Japão, que em teoria devia ter sido de festa para a Honda, foi mais um capítulo de uma relação cada vez mais tensa com a McLaren. No calor da corrida, Alonso mostrou-se irritado ao ter sido ultrapassado com extrema facilidade por carros do pelotão intermediário da F1.