Jornal dos Desportos

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Erro na partida irritou Rosberg

30 de Dezembro, 2015

Niki Lauda explica o lado emocional de Nico Rosberg no GP de EUA

Fotografia: AFP

O ano de 2015 termina amanhã e o director não - executivo da Mercedes, Niki Lauda, avaliou que a irritação de Nico Rosberg após o Grande Prémio dos EUA deveu-se mais ao erro do que à disputa entre pilotos da equipa alemã. Rosberg errou na primeira curva, que foi bem aproveitada por Lewis Hamilton, para celebrar a vitória e o terceiro título.

Após a prova, Nico Rosberg fez uma cara de pouquíssimos amigos, principalmente na conferência de imprensa dos três primeiros classificados da prova, em Austin, vencida por Lewis Hamilton. O britânico garantiu o tricampeonato com três provas de antecedência.

Para Niki Lauda, director não - executivo na Mercedes, a irritação de Rosberg é totalmente compreensível, já que o erro cometido pelo alemão permitiu a Lewis Hamilton vencer e sagrar-se campeão da época'2015. O austríaco, acredita que o erro incomodou mais o alemão do que a questão dividida com Hamilton na primeira curva, após a largada em Austin.

“Aquele final de semana foi complicado para Nico, pois tinha a prova na mão e colocou tudo a perder por um erro. As coisas pioram, quando passa por um incidente com o seu companheiro de equipa na primeira curva da corrida, e de sobra, sagra-se campeão do mundo", disse.

Niki Lauda assegura que Rosberg sofreu com isso durante dois dias. Depois, foi preciso trazê-lo para cima novamente, em que se privilegiou a reflexão sobre o que aconteceu e perguntar a si mesmo “porque raios saiu da pista na hora errada?” e encerrar a situação. Feito esse exercício, Rosberg recomeçou no México e terminou em Abu Dhabi com vitórias.

OPORTUNIDADE
PERDIDA   

Embora as oportunidades de título de Rosberg fossem remotas, Lauda acredita que o alemão podia ter alguma satisfação se vencesse e  adiasse o terceiro título de Lewis Hamilton. O ex-piloto relembra o GP da Holanda de 1985, quando venceu o duelo na pista contra Alain Prost e adiou a conquista do francês.

“Estive em diversas situações, em que fiquei furioso comigo mesmo, por ter estragado tudo. É o tipo de coisa que acontece; pilotos cometem erros. Ele não venceria o campeonato, mas poderia ter adiado a conquista de Lewis. Fiz algo semelhante, adiando o título de Prost ao vencer em Zandvoort em 1985, só para dizer 'dane-se, amigo'. Nico perdeu essa oportunidade, por que estava irritado", disse.

"BRONCA"
PARA HAMILTON

Lauda abordou, por fim, os comentários do chefe da Mercedes, Toto Wolff, sobre a necessidade de uma conversa com Lewis Hamilton para falar sobre o excesso de agressividade do britânico sobre Rosberg, na partida do GP dos Estados Unidos.

“Na primeira curva houve algo que não foi bom  de se ver e Nico não gostou. Compreendo. Depois, teve a corrida sob controlo, e cometeu um erro. Diria a Lewis que forçou demais na primeira curva, atingiu Rosberg e isso foi desnecessário. Tivemos uma breve conversa, mas fez um óptimo trabalho", completou.

ÉPOCA 2016
Desenvolvimento da Mercedes é reduzido


As declarações, de Niki Lauda à imprensa, raramente são triviais. O tricampeão do mundo declarou ao jornal italiano Gazzetta dello Sport que a Ferrari é o adversário mais difícil do próximo campeonato. "A Ferrari vai ser capaz de desenvolver a unidade de chassis, aerodinâmica e potência mais facilmente em comparação a nós.

A Mercedes tem trabalhado muito na unidade de potência, para estar pronta na nova era de propulsão híbrida, mas a nossa margem de desenvolvimento, neste momento está reduzida", disse.  Lauda revelou que em Maranello sempre se disse que tinham mais experiência com o híbrido em comparação à concorrência e esta vantagem permitiu à equipa alemã manter uma margem até o final da última época. Lauda acredita que o início da época vai ser primordial para o restante do ano.

"As três primeiras corridas da época vão ser cruciais, para entender como vai ser o campeonato. A Ferrari vai estar competitiva e vamos ver o quanto se recuperou de 2014 e 2015", disse. Além de contar com o avanço da equipa italiana, Niki Lauda dedicou palavras de elogio a Sebastian Vettel.
"Vettel continua a ser um piloto rápido, ganhou corridas e a sua fome de vitória só aumenta. Está no caminho certo", disse.

O ano de 2015 começou com um susto para a Mercedes. A vitória de Vettel na Malásia representou um alerta de perigo. No entanto, nas corridas seguintes viu-se que a Ferrari ainda não tinha um carro tão rápido quanto o da Mercedes, apenas as circunstâncias da corrida em Sepang, com grande calor, foram vitais para este resultado.

RENAULT
Red Bull arrependida de críticas


Niki Lauda afirmou que a única opção que resta a Red Bull em 2016 é continuar a usar os motores fornecidos pela Renault. O colega Helmut Marko (consultor desportivo) está arrependido das críticas públicas da equipa austríaca à fabricante francesa, segundo o director não - executivo da Mercedes.

Insatisfeita com a performance nos últimos dois anos, a Red Bull decidiu encerrar a parceria com a Renault. Insatisfeita também, a fabricante comprou a Lotus para ter uma equipa própria na Fórmula 1. Sem motores, a equipa austríaca já levou uma resposta negativa da Mercedes e da Ferrari. O tricampeão mundial afirmou que a Red Bull também não conseguiu um acordo com a Honda, em razão do veto de Ron Dennis, sócio da McLaren. 

Como a ideia de Bernie Ecclestone de ter um motor padrão de baixo custo só deve ficar para 2017, não resta alternativa à Red Bull, senão fechar um acordo com a Renault. “Não há motor (novo) alternativo para o próximo ano. O que faria se fosse a Red Bull? A Ferrari não tem motor, a Mercedes não pode, porque já tem quatro equipas. Há apenas a Renault”, disse.

A Red Bull assinou um contrato com a TAG Heuer, que vai estampar a marca no carro da empresa de bebidas energéticas. Com o patrocínio, a tetracampeão mundial de construtores está em condições de equipar os monolugares com motor Renault.

ELOGIO DE ROSBERG
Niki Lauda é pacificador


O vice -campeão dos dois últimos anos, Nico Rosberg,  não acredita que seja subestimado dentro da equipa Mercedes. O alemão reconhece a importância do ex-piloto.

Atrás de Lewis Hamilton, desde que a parceria entre os dois na Mercedes começou em 2013, Nico Rosberg enfrentou problemas com o inglês a partir de meados de 2014. Porém, tudo tem sido contornado internamente, dentro da equipa. Niki Lauda tem sido um bom pacificador dentro da Mercedes, após todos os incidentes, segundo o piloto alemão.

"Niki está a fazer um grande trabalho no seu departamento. É certamente muito bom no seu papel. Na pista, também é o pacificador. Se as coisas dão erradas, diz: 'Oh, não importa. Vamos sentar e resolver isso'. Então, aplica a sua mentalidade ", disse à Motorsport-Magazin.com. O alemão também disse que não se sente subestimado pelas pessoas e nem pela Mercedes.

“Não houve qualquer crítica dirigida pessoalmente a mim. Consequentemente, é difícil para mim responder a essa pergunta. Não posso dizer que estou a ser subestimado. Essas são opiniões de outras pessoas  e não ouço muito. Essa não é a razão pela qual corro. Estou nessa para ganhar. E eu tenho tido sucesso e respeito.” disse.

LEWIS HAMILTON
Equipa ganha mais

com os pilotos sérios

O tricampeão da F1, Lewis Hamilton, tem mostrado várias facetas dentro e principalmente fora da pista. Está constantemente ligado a notícias, no showbusiness, com produções até mesmo das suas próprias músicas. Muitas pessoas não aprovam este tipo de comportamento, mas Lewis Hamilton desfruta o momento em que pode ser ele mesmo.

"A Fórmula 1 precisa de personalidades e cada um tem a sua própria", disse o piloto para a TV3. O piloto britânico assegurou que "eles têm de aprender que estão a ficar cada vez mais chatos" e  acredita que "eles são diferentes quando chegam a casa". "Como indivíduos, isso seria óptimo para o desporto", retorquiu.

O britânico admite que o seu estilo de vida fora do trabalho tem impacto positivo no seu rendimento na pista. "Isso me ajudou a ser mais bem sucedido. Infelizmente, a F1 é um desporto, muito comercial. As corridas podem estar emocionantes, mas o resto está obsoleto. Como piloto, você precisa de ser chato para estar no desporto. Também acreditava nisso durante um bom tempo", disse.

O tricampeão rebateu a postura dos seus detractores. "Quando estava ali, não estava seguro sobre o meu futuro. Agora, não importa o que os outros dizem. É assim que sou. Se não aceitam, não importa. Não ser você mesmo é o maior crime que se comete", disse.