Jornal dos Desportos

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Escândalos do HSBC atingem pilotos

11 de Fevereiro, 2015

Alonso está triste por ver o nome na lista do Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo

Fotografia: AFP

O escândalo do caso Swiss Leaks pode causar grandes dissabores fiscais a Fernando Alonso, Michael Schumacher e Valentino Rossi dentro de pouco tempo. Os nomes do ex-piloto alemão de Fórmula 1, do actual piloto da McLaren (Fórmula 1) e da Yamaha (MotoGP) constam de uma lista com mais de 100 mil clientes do banco HSBC - e  20 mil sociedades offshore - que devem ter transferido dinheiro para a filial suíça daquele banco britânico, com o propósito de ocultar a dimensão das respectivas fortunas.

O total movimentado na filial de Genebra (HSBC Private Bank), apenas no período entre Novembro de 2006 e Março de 2007, ascende a 100 mil milhões de dólares (87.300 milhões de euros). A lista foi obtida através de informações prestadas por Hervé Falciani, ex-funcionário do banco, que colabora com as autoridades desde 2009. Entre os nomes constam ainda o antigo tenista russo Marat Safin, o actor norte-americano John Malkovich, o músico Phil Collins e o falecido ex-presidente do banco Santander, Emilio Botín.

FERNANDO ALONSO
ENTRA NA JUSTIÇA

O espanhol Fernando Alonso afirmou em comunicado emitido na noite da última segunda-feira, que vai entrar na justiça por causa do seu nome constar de uma lista com possíveis infractores fiscais, oriunda de uma investigação feita por jornalistas de 45 países, chamada “Swiss Leaks”.O caso começou quando Henry Falciani, um ex-funcionário da filial suíça do HSBC, vazou dados confidenciais às autoridades francesas e denunciou irregularidades e antiética da empresa. O banco britânico admitiu os erros por não ter agido de modo correcto.

A investigação foi revelada no último domingo pelo Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo (ICIJ, na sigla em inglês). Além de Fernando Alonso, outros actores do mundo do automobilismo apareceram na lista de 61 perfis, como Flavio Briatore e o hexacampeão de MotoGP, o italiano Valentino Rossi.Na nota, o espanhol bicampeão de Fórmula 1 faz críticas ao tratamento da sua honra e imagem por parte de vários veículos de imprensa, por supostos delitos fiscais: “Fernando Alonso Díaz ordenou aos seus advogados a imediata e urgente interposição de várias demandas por infracção ao seu direito de honra, diante dos distintos meios de comunicação como consequência da publicação de informações em que se vincula a sua imagem em eventuais delitos fiscais e a posse de património não declarados às autoridades fiscais competentes”.

Em entrevista ao diário espanhol Marca, um assessor afirmou que Fernando Alonso pagou todos os impostos enquanto morava na Suíça. O piloto da McLaren teve a conta no HSBC entre 2002 e 2010. A investigação focaliza informações de 2006 e 2007. Em 2011, o asturiano voltou a morar no seu país de origem e chegou a dizer: “não sou pobre agora, apenas menos rico”.“Fernando vivia na Suíça e pagou lá os impostos. Nunca teve nada em Espanha desde que foi viver em Inglaterra com uma mão à frente e outra atrás. O fisco nunca nos pediu nada. Coloca-se sob suspeita um comportamento inatacável, que é o que Fernando teve durante todos esses anos”, declarou o assessor.

Flavio Briatore não ficou atrás e também emitiu comunicado na última segunda-feira. O documento não faz menção de grandes detalhes, mas avisa de que o italiano cumpriu com todas as exigências do fisco suíço e da Itália.“As contas e as cifras mencionadas são de mais de dez anos. Por isso, o senhor Briatore não sabe confirmar ou negar os detalhes apontados pelo Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo.

O senhor Briatore pode confirmar que ele e algumas das suas propriedades eram administradas na Suíça e que tinham algumas contas bancárias naquele país de modo perfeitamente legal e respeitaram todas as leis e regulamentos fiscais”, explicou. O documento acrescenta “de qualquer forma, Briatore não mora na Itália faz mais de 25 anos e, portanto, não está sujeito às leis das autoridades fiscais italiana. As contas que tinha no HSBC foram notificadas há anos à autoridade judicial italiana, que nunca encontrou nenhuma irregularidade fiscal nelas”.

MCLAREN GT
Bruno Senna
é piloto de testes


A McLaren GT anunciou, na última segunda-feira, a contratação do brasileiro Bruno Senna como piloto oficial de fábrica da McLaren GT em 2015. O piloto junta-se a Rob Bell, Kevin Estre e Álvaro Parente no programa de desenvolvimento dos modelos 650S GT3 e 650S Sprint.“É uma grande honra integrar-me na McLaren, uma equipa pela qual o meu tio obteve tanto sucesso e uma das mais famosas do automobilismo mundial. 2015 vai ser um grande ano para toda a McLaren e sinto-me bem por fazer parte de tudo o que está a acontecer”, disse Bruno.

O brasileiro vai continuar  a sua carreira de piloto na Fórmula E com a Mahindra Race.O director geral da McLaren GT, Andrew Kirkaldy, comemorou a contratação de Senna. O responsável lembrou o legado do famoso sobrenome. “Estamos contentes por contar com o Bruno para a formação da nossa equipa da fábrica e vai ser óptimo trazer de volta o nome Senna à McLaren. Os nossos pilotos já são dos melhores da grelha e o Bruno vai acrescentar mais força. Embora jovem, já acumula vasta experiência e resultados nas principais categorias, como Fórmula 1, Le Mans Series, Campeonato Mundial de Endurance e Blancpain Endurance Series”, declarou.
O brasileiro vai ter o seu programa de trabalho divulgado nas próximas semanas.

WILLIAMS
Pat Symonds aponta título à equipa


Pat Symonds foi contratado pela Williams em meados de 2013 para assumir o cargo de director técnico. Desde a integração, participou activamente da ressurreição da equipa, que teve um dos melhores carros da Fórmula 1 e ficou em terceiro lugar no Mundial de Construtores no ano passado. Satisfeito, o dirigente explicou ao site oficial da Fórmula 1 que a meta da equipa em 2015 é manter-se entre as três primeiras classificadas, conquistar vitórias e incomodar mais a Mercedes. “Quero ver a manutenção e a melhoria do nosso carro a partir de onde estamos. A última época foi óptima com o terceiro lugar e foi uma pena que a Williams não tenha vencido uma corrida ao longo da temporada. Por isso, seria bom ganhar este ano”, disse.

Pat Symonds ressaltou que se concentra em “metas aspiracionais” e o seu alvo para a presente época é ser melhor do que foram no ano passado.Para Symonds, a Williams tem as condições de voltar a vencer um campeonato num curto espaço de tempo. A última conquista da tradicional equipa inglesa foi em 1997. “Tenho de vencer outro campeonato antes de me aposentar”, afirmou o director técnico.Com a experiência acumulada nos trabalhos com grandes nomes da história da Fórmula 1, como o brasileiro Ayrton Senna, o alemão Michael Schumacher e o espanhol Fernando Alonso, Symonds está crente que a conquista pode ser obtida com Valtteri Bottas, a principal revelação do último campeonato. O dirigente realçou que vê as características de grandes campeões no piloto finlandês.

“O que vi em grandes pilotos com quem trabalhei, também vejo em Valtteri. O finlandês considera quase como uma certeza que vai ser campeão. Existem outras características do chamado ‘gene campeão’, como atenção aos detalhes e ética de trabalho. Essas coisas não vêm facilmente. Em Valtteri, vejo todas essas coisas que vi noutros ao longo dos últimos 30 anos. Então, tenho toda a esperança de que vai ser um campeão”, afirmou.

Symonds não deixou de elogiar Felipe Massa. O director lembrou que o brasileiro esteve muito perto de ser campeão mundial em 2008, mas depois sofreu uma queda de rendimento muito forte. Porém, o dirigente acredita que o brasileiro renasceu na segunda parte do campeonato de 2014 com a Williams e agora pode voltar a vencer. “Fizemos despertar a Williams e se construirmos um carro bom, o suficiente, há possibilidade de Felipe também ganhar. Na última parte da época de 2014, foi uma revelação, um Felipe que não tínhamos visto nos últimos anos”, comentou.

HELMUT MARKO
Mudança trouxe
“antigo” Vettel


A mudança de ares está a fazer muito bem a Sebastian Vettel. Contratado pela Ferrari após seis anos na Red Bull, o tetra-campeão mundial de Fórmula 1 voltou a ser bem humorado, segundo o consultor da equipa austríaca, Helmut Marko.A época'2014 não foi nada fácil para Sebastian Vettel, que não se adaptou ao novo regulamento da categoria e terminou com o quinto lugar, sem nenhuma vitória na competição. No entanto, a viagem a Maranello trouxe de volta o humor e a motivação ao alemão de 27 anos.“Ele está de bom humor, voltou a escrever-me mensagens de texto impertinentes e engraçadas e a ser o antigo Sebastian”, disse Marko em entrevista ao jornal alemão Bild.Após os quatro dias de testes em Jerez de la Frontera, em Espanha, as equipas vão ter dez dias para fazer ajustes. A segunda sessão de treinos colectivos da pré-época acontece entre 19 e 22 de Fevereiro em Barcelona.