Jornal dos Desportos

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Escassez dificulta desenvolvimento

Gauncio Hamelay no Lubango - 25 de Março, 2019

Pugilistas treinam em locais inapropriados

Fotografia: Edies Novembro

A inexistência de um ringue, ginásio, material desportivo, mormente, luvas, sacos, cordas, calções, camisola e factos olímpicos dificultam o desenvolvimento de boxe na província da Huíla. A carência está a tirar a dinâmica pretendida na cidade do Cristo-Rei, segundo o treinador, Domingos Luciano.

Dos equipamentos em falta, o treinador assegurou que o ringue é o mais importante na organização e na realização de competições internas para aumentar o nível competitivo dos pugilistas.Para encontrar as soluções, as preocupações vão ser manifestadas junto das entidades competentes da província, sobretudo, na pessoa do Director do Gabinete da Cultura Turismo Juventude e Desportos da Huíla.

“O elenco governativo é novo. Estamos a dar o tempo de adaptação. Tudo está planificado. Sei que o Gabinete provincial da Cultura Turismo Juventude e Desportos local poderá reunir com todas as Associações. Quando chegar a hora e estivermos reunidos, vamos expor todas as nossas preocupações e esperar a solução da nova direcção”, frisou.

Para o capitão da equipa de boxe AD Bambino, Paulo Catumua, os dirigentes da província devem olhar para os praticantes que enfrentam dificuldades.“Estamos a preparar-nos para representar a província nos campeonatos nacionais, onde podemos surpreender os adversários. Precisamos de apoios moral e material para as nossas deslocações às províncias”, apontou.Com os apoios, disse Paulo Catumua, o atleta vai bem preparado e sem os quais fica triste.\"O boxe está a morrer devido à falta de acompanhamento dos dirigentes. Que a província olhe por nós\", apelou. 

               BOXE
Pugilistas huilanos solicitam espaços adequados


Em 43 anos de independência nacional, a província da Huila nunca beneficiou de um espaço condigno para a prática de boxe. As Escolas de Lubango e da ADC Bambino, localizadas nas instalações cedidas pelo Comando Provincial de Protecção Civil e Bombeiros da Huíla, apresentam-se em estado avançado de degradação. Os espaços estão inadequados à formação de atletas e são fontes de lesões. O objecto social do recinto está invertido: Em vez dos atletas buscarem a competência desportiva, são brindados com contusões.

A situação não deixa desesperado os mais de vinte puglistas de diferentes categorias. Cada um dos integrantes das equipas guarda no seu íntimo os choros e as lamentações.As lágrimas recusaram cair dos rostos, quando os olhos se depararam com a realidade dos espaços. O chão perdeu a exuberância há muito tempo. O cimento está vencido. Paredes sem reboques. Tijolos envelhecidos. O edifício é antiquado. Tem mais idade que a nação angolana.Domingos Luciano, o treinador, passa o olhar pelo empreendimento e solta a lamentação.

\"Treinamos em péssimas condições. O espaço é inadequado, está mal cimentado e corremos os riscos de sermos golpeados durante os treinos. Tememos contrair lesões que possam colocar-nos fora do desporto\", disse.Domingos Luciano olha pelo espaço e a noite viajava em velocidade de cruzeiro. Fecha os olhos e concentra-se nas paredes envelhecidas. Em voz humilde, solta a solidão: \"Não temos outro sítio e não soubemos como fazer mais\".

A persistência é alimentada pelo amor à camisola. O boxe corre-lhe na veia à semelhança de atletas. Luciano e pupilos agradecem a instituição pela disponibilidade da infra-estrutura: \"Agradecemos a boa vontade do Comando Provincial de Protecção Civil e Bombeiros da Huíla pela cedência do recinto, pois quem não tem cão, caça com gato\".Domingos Luciano exalta o grupo de trabalho pelo \"sacrifício e a luta constante\" diante de dificuldades. É a valência de \"sete vidas\" do gato.\"Estamos a fazer grandes lutas e graças a boa vontade dos atletas, pois mostram-se interessados em praticar o boxe\", exaltou-os.

O treinador assegurou que não há simetria nas políticas de desenvolvimento desportivo no país. A Huila, concretamente, na cidade de Lubango, há muita potencialidade de jovens amantes de boxe, mas o contraste está nos ginásios inapropriados.\"Não conseguimos absorver o pessoal interessado em praticar o boxe por falta de condições. Esperemos que a nova governação na província nos traga apoios. Solicitamos ao novo governo provincial a olhar os desportistas, especialmente, os de desportos de combates\", disse.