Jornal dos Desportos

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Modalidades

Espanha desconhece peixe do Lobito

05 de Abril, 2015

Mar do Lobito de exemplares convencionados pela comissão organizadora da competição mundial

Fotografia: Jornal dos Desportos

A falta de conhecimento, das espécies de peixes nos mares do Lobito, está na base do alcance do oitavo lugar da selecção espanhola, na 24ª edição do campeonato mundial de pesca desportiva ao corrico de alto mar, que decorreu na província de Benguela de 28 de Março a 3 de Abril. A justificação é do capitão da equipa de Espanha, Leonel Pereira, no final da competição na sexta-feira.

Leonel Pereira lamentou a prestação negativa e justificou que o grupo desconhecia a existência no mar do Lobito de exemplares convencionados pela comissão organizadora da competição mundial, mormente, marlim azul, veleiros, dourados, wahoo.

“Enfrentamos dificuldades para obter a pontuação mais alta, senão os 23 pontos que nos relegaram para o oitavo lugar”, disse em declarações à Angop.
O capitão da selecção espanhola assegurou que no Oceano Atlântico, concretamente, na parte ibérica de Portugal como na mediterrânica de Espanha “não existe peixes de grande tamanho, como é o caso do Marlim Azul e Veleiros”, que predominam nos mares de Angola. “Por isso, foi difícil competir com equipas potentes como Angola, México e Brasil”, disse.

Leonel Pereira justificou que os espanhóis não estão habituados ao tipo de material de pesca utilizado no Campeonato Mundial de 2015, uma vez que usam meios diferentes.

A MÉDIO PRAZO
Muandumba garante mais eventos


O Ministro da Juventude e Desportos, Gonçalves Muandumba, garantiu que o Governo pretende albergar a médio prazo mais eventos internacionais de pesca desportiva, devido à excelente prestação dos atletas angolanos que conquistaram o troféu da 24ª edição do campeonato do mundo desta modalidade em alto mar, que decorreu de 28 de Março a 3 de Abril, no Lobito.

No discurso de encerramento do campeonato mundial de Pesca Desportiva de Alto Mar, Big Game Angola'2015, Muandumba evocou as boas condições climáticas, aliada à hospitalidade dos lobitangas, como um dos motivos que fazem as autoridades albergar outros certames em próximos tempos.
O ministro disse estar satisfeito pela excelência na organização da competição, que reuniu a nata dos pescadores desportivos em alto mar, mas aponta o fim da prova como um novo princípio, visto ser este o momento de começar a pensar na realização do 25º Campeonato, a ter lugar em 2016 no México, onde Angola vai defender o título revalidado.

O titular do pelouro dos Desportos em Angola reconhece que as 15 equipas de nove países participantes, aliaram o desporto à competição, à destreza, à aventura, ao fair-play, ao companheiro e à alegria, tendo por isso saudado todos os atletas deste Campeonato do Mundo de Pesca Desportiva. Para Gonçalves Muandumba, a calorosa saudação estende-se também a todos quantos com o seu profissionalismo, a sua juventude e o seu labor tornaram possível o evento. 

Da mesma forma, o governo de Benguela mereceu agradecimentos do ministro, que destaca o apoio dos patrocinadores, do labor da Polícia Nacional, das equipas médicas, do Clube Náutico do Lobito, dos Bombeiros e da juventude angolana sempre presente aos desafios que se lhe colocam.

“O nosso obrigado aos benguelenses e muito particularmente aos lobitangas por nos terem recebido e acarinhado, num momento em que tanto precisam de todos nós”, disse.

Às delegações estrangeiras, o ministro fez votos de boa viagem e um excelente regresso, disse esperar que tivessem desfrutado da hospitalidade angolana e apelou-os a voltar sempre em visita como turistas ou investirem em Angola.

“Estaremos para vos receber com a maior satisfação e alegria que nos caracteriza”, convidou Gonçalves Muandumba.
Assistiram ao acto de encerramento da prova, que teve lugar no jango do Hotel Restinga, o governador de Benguela, Isaac dos Anjos, o administrador do Lobito, Amaro Ricardo, o Secretário de Estado dos Desportos, Albino da Conceição, o Secretário de Estado do Turismo, Alfredo Caputo, a par do presidente da Federação Angolana de Pesca Desportiva (FAPD), Fernando Santos, e do vice-presidente da Federação Internacional da modalidade (FIPS-M), o senegalês Wahid Harati.
Estiveram igualmente presentes deputados, membros do governo provincial de Benguela, dirigentes desportivos, desportistas, entre outros convidados.

Ma exibição da selecção da croácia

O capitão da Croácia, Boris Zupannovic, confessou que a sua equipa não conseguiu dominar os peixes pescados e o desempenho na 24ª edição do Campeonato Mundial de Pesca Desportiva de Corrico do Alto Mar é para “esquecer”.

Boris Zupannovic admitiu que a situação impediu de ascender a lugares cimeiros da tabela de classificação, posto de um país com tradição na modalidade. Em três dias de competição, a Croácia arrecadou 36 pontos em último lugar.

A atravessar um momento nada positivo, o capitão da Selecção de Espanha ressaltou que a fraca participação é o ponto negativo do campeonato mundial do Lobito. Boris Zupannovic comparou que as 15 equipas de nove países, participantes em Angola, estão distantes dos números do Grande Prémio da Croácia em pesca desportiva, que acolheu 65 barcos, 300 pescadores e 10 mil turistas aficionados da modalidade.

Antes, o pescador da selecção da Croácia realçou a elevada qualidade de organização de Angola, mormente, as excelentes condições de alojamento disponibilizadas para as nove selecções participantes.

A selecção lanterna vermelha da prova mundial foi constituída pelos pescadores Gorran Govorcinovic, Drrazen Horvat, Bruno Dragicevic e Jurica Volarevic. Angola revalidou o título e tornou-se tri-campeã mundial, Na presente edição do mundial, a África do Sul ocupou a segunda posição e a Itália B, a terceira.
A nota de realce vai para a selecção de México B, que ocupou o quarto lugar, seguido de Angola A, Brasil B, Brasil A, Espanha B, Itália A, Senegal B, Alemanha, México A, Espanha A, Senegal A e a Croácia.

O próximo Campeonato do Mundo de Pesca Desportiva disputa-se em 2016 no México, conforme anunciou a Federação Internacional de Pesca Desportiva (FIPS-M).

RESULTADO
Vitória de Angola
encanta lobitangas


Depois da catástrofe do dia 11 de Março, a vitória de Angola na 24ª edição do campeonato mundial de pesca desportiva ao corrico de alto mar é motivo de alegria entre os cidadãos de Lobito, palco da competição. A satisfação resulta dos resultados finais, para além da coroação como campeão mundial, à semelhança de Senegal em 2013, quando organizou e venceu o segundo título.

Em declarações à Angop, o empresário Henrique Sprota assegurou que o campeonato do mundo proporcionou o renascer da vida normal dos citadinos do Lobito, depois da tragédia.

“Desde a chegada das Selecções à cidade do Lobito notou-se a alegria, satisfação e vontade na recepção dos participantes ao campeonato mundial de pesca desportiva. Louvo a capacidade técnica da selecção de Angola”, disse.

O estudante universitário, Ângelo Martinho, sentiu-se animado com o movimento da cidade do Lobito desde os preparativos da prova mundial. Por esse motivo “é um orgulho para Angola, organizar e vencer uma prova desta dimensão”.

O estudante do ensino médio, Lutaco Malungo, justificou que a vitória de Angola resulta do conhecimento do mar e a Selecção Nacional teve a capacidade de controlar o campeonato depois de começar mal. O importante é que “o título é uma realidade”.

O motorista Caetano da Silva Reis acompanhou o campeonato mundial  de pesca pelos órgão de comunicação social, o profissional de volante enalteceu o Governo Provincial de Benguela pelo esforço feito para que a província fosse mais atractiva no campo económico e social.

SENEGAL
Moussa Mbengue
lamenta avaria


O senegalês, Moussa Mbengue, atribuiu o fraco desempenho da sua selecção na segunda jornada do Campeonato Mundial de Pesca Desportiva de alto mar a uma avaria ligeira verificada na embarcação e que atrasou 30 minutos o embarque dos pescadores para a competição.

O senegalês acrescentou, que apesar de não ter sido uma avaria grave, o atraso baixou de algum modo a expectativa que inicialmente traziam para a segunda ronda. Em função disso, salientou que o grupo fez algumas capturas e solturas, mas insuficientes para evitar a décima posição que ocuparam na competição e que os afastou da luta do troféu como objectivado no princípio.

O Senegal é bicampeão mundial, títulos conquistados em 2002, no Reino de Espanha, e um ano depois no seu próprio território, quando organizou e venceu a maior prova mundial de pesca de alto mar.

KEVIN JONGSCHAAP
Angolano eleito
melhor da prova


Kevin Jongschaap, integrante da selecção de Angola A, foi eleito o melhor pescador do 24º Campeonato do Mundo de Pesca Desportiva de Alto Mar, realizado na baía da cidade do Lobito, onde o conjunto angolano B revalidou o troféu de 2014.

Além de Kevin Jongschaap, da equipa Tudo Fish, o júri presidida pelo angolano Horácio Pina, nomeou também os três melhores skippers, designadamente José Martins (tripulou o barco Dou't Cabo do Senegal A), Vitomir Ross (Relaxing Tools –Angola A) e Júlio Magalhães, o “comandante” da embarcação Fin Chaser, utilizada por Angola B.

Os distinguidos, anunciados durante o encerramento da prova, foram contemplados com prémios consubstanciados com estatuetas de exemplares de peixes convencionados para esta competição, como é o caso do valioso marlim azul.

Durante três dias, as 15 equipas, num total de nove países, capturaram e devolveram com vida ao mar 278 exemplares, 203 veleiros, 66 dourados, cinco atuns, três marlins azuis e um marlim branco pescados nos três dias de competição.

Nesta edição, que teve o Lobito como sede, não houve nos mares da costa angolana captura dos wahoos, um dos peixes mais rápidos do mar e que atingem velocidades acima de 80km/h, enquanto, em Novembro de 2014, no Estado de Vitória do Espírito Santo (Brasil), foram pescados três exemplares dessa espécie pelágica, que realiza migrações sazonais em algumas áreas do Pacífico e do Atlântico.