Jornal dos Desportos

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Espanhol Marc Mrquez confirma quarto ttulo mundial

13 de Novembro, 2017

Piloto de Cervera tornou-se no mais jovem tetracampeo da classe rainha do Mundial de Motociclismo

Fotografia: PIERRE-PHILIPPE MARCOU | AFP

Que sensação maravilhosa!\". Assim se manifestou o tetracampeão mundial Marc Márquez, ontem, no final do Grande Prémio da Comunidade Valenciana, disputado em Espanha. A correr em solo pátrio, Marc Márquez conseguiu outra vez. Aos 24 anos e 268 dias, o piloto da Honda conquistou o quarto título na MotoGP, o sexto da carreira no Mundial de Motociclismo, o que faz do espanhol de Cervera o mais jovem tetracampeão da história do campeonato.
Emocionado pela conquista, o piloto da Honda realçou que \"foi fantástico\" alcançar mais um título da carreira. No seu estilo pessoal, celebrou a conquista com um pitada de loucura e paz. Marc Márquez fez da última corrida na época 2017 da MotoGP um resumo perfeito do que é na pista: jeito próprio de ser, arrojado, sem medo, perdeu a concentração algumas vezes, mas sempre consertou a situação antes de um desastre.
\"Durante a corrida, tentei controlar a situação, até que me senti bem o suficiente para forçar, mas na curva 1 perdi a concentração na hora de virar e perdi o controlo. O que importa é: estilo Márquez até o final \", disse aos risos.
O espanhol é tetracampeão mundial da categoria graças ao terceiro lugar conquistado ontem no GP da Comunidade Valenciana. Com uma carreira já marcada pela precocidade, chama atenção a maneira como Márquez chegou a este quarto título da divisão principal.
Se as duas primeiras conquistas foram calcadas pelo jeito explosivo e ‘moleque’ do número 93, o triunfo do ano passado foi cunhado pela versão 2.0 do piloto, que trabalhou muito mais com a consistência e deixou um pouco de lado o natural estilo ‘tudo ou nada’. Desta vez, Marc apareceu com uma nova variante: combinou os dois modos anteriores.
Naquele que é, possivelmente, a grelha com o maior volume de talento concentrado da história da MotoGP, com dez campeões mundiais que somam o recorde de 29 títulos, Marc Márquez precisou combinar a prudência e explosividade num campeonato que chegou até Silverstone, a 12ª etapa da época, com cinco pilotos vivos na luta pelo título.
Assim como aconteceu também em 2016, Marc Márquez começou o ano sem ter a melhor das armas, ou a moto dos sonhos, como chegou a definir. Assim como já fez tantas outras vezes, conseguiu superar a limitação do equipamento. Depois de começar o ano com um quarto lugar no Qatar, Marc Márquez caiu quando liderava na Argentina, mas manteve a tradição e conquistou uma vitória incontestável em Austin.
O número 93 voltou ao pódio em Jerez, segundo, mas viu a França e a Itália serem menos produtivas, com uma queda em Le Mans, enquanto caçava as Yamaha e um apagado sexto lugar em Mugello. Na Catalunha, o espanhol começou a reencontrar o seu caminho. A partir de então, se tornou presença constante no pódio, com excepção do GP da Grã-Bretanha, onde foi vítima de uma incomum quebra no motor Honda.
O equilíbrio, porém, permaneceu, embora pouco a pouco os candidatos ao título tenham ficado pelo caminho. Valentino Rossi, por exemplo, viu as suas oportunidades minguarem com a ausência em Misano por causa de uma dupla fractura na perna. Dani Pedrosa, por sua vez, tem sofrido para aquecer os pneus e não faz uma das suas melhores épocas. Maverick Viñales, por outro lado, sofreu com a performance irregular da Yamaha, embora tenha chegado à penúltima etapa com 50 pontos de desvantagem sobre o líder, não tinha mais oportunidades de virar o jogo.
O foco era no confronto entre Márquez e Andrea Dovizioso por razões que iam além dos pontos mostrados na tabela de classificação.
Dez anos depois de conquistar o primeiro e único título na MotoGP, em 2007 com Casey Stoner, a casa de Bolonha voltou à luta com o número 4 a aparecer na sua melhor forma. Além da força da Desmosedici, também salta aos olhos o facto de o piloto de Forlimpopoli ter batido o número 93 em dois confrontos ‘mano-a-mano’.
Mas chegou Phillip Island e o fabuloso traçado australiano acabou por atingir em cheio as pretensões de Andrea Dovizioso. Apagado na pista de Victoria, Dovizioso assistiu Márquez a conquistar o sexto triunfo do ano e abrir 33 pontos de vantagem no topo da tabela. Era o cartão de acesso ao primeiro match-point do ano.
Andrea Dovizioso tinha as suas cartas na manga. Forte no seco e na chuva, o número 4 preparou-se para o GP da Malásia da melhor maneira que pôde e conseguiu fazer o necessário para adiar a decisão do título. Com a vitória e o quarto lugar de Marc Márquez em Sepang, Andrea partiu para Valência com 21 pontos de desvantagem.
Com as estatísticas a seu favor, Marc Márquez não deixou passar a oportunidade de chegar ao tetra. Depois de um fim de semana dominante em Valência, conseguiu executar mais uma das suas surpreendentes salvadas e conquistou o tetracampeonato ao terminar a corrida atrás de Dani Pedrosa e Johann Zarco.

ÚLTIMA CORRIDA
Dani Pedrosa vence em Valência


A época da MotoGP terminou com uma corrida que fez jus ao ano 2017: cheia de momentos inesperados. Estreante na MotoGP, Johann Zarco esteve perto da sua primeira vitória, mas foi batido por Dani Pedrosa. O resultado do número 26, porém, não foi suficiente para impedir o tetracampeonato de Marc Márquez.
O piloto da Tech3 assumiu a liderança ainda nas voltas iniciais ao superar Marc Márquez. Depois de abrir uma ligeira vantagem, Johann foi caçado por Marc, mas o piloto da Honda levou um belo susto na curva um de Valência e caiu para a quinta posição.
Dani Pedrosa passou a liderar a caçada a Johann Zarco, que resistiu o quanto pôde, mas foi batido por 0s337 na volta final. Marc Márquez conseguiu o terceiro lugar, mais de 10s atrás do companheiro de Honda.
Do lado da Ducati, um fim de semana de emoções a flor da pele. A largar mais à frente, Jorge Lorenzo manteve-se à frente de Andrea Dovizioso, apesar da insistência da casa de Bolonha de ordenar a troca de posições. A fábrica italiana começou pelo mesmo ‘mapping 8’ da Malásia, mas depois foi mais explícita ao colocar um ‘-1’ no pit-board do espanhol.
Jorge Lorenzo insistiu, mas, com sete voltas para o fim, caiu e despediu-se da prova. Pouco depois, Andrea Dovizioso foi quem foi ao chão e despediu-se mais cedo de uma época que modificou o seu status no desporto.
Assim, Marc Márquez foi promovido ao pódio, com Álex Rins em quarto, à frente de Valentino Rossi, Andrea Iannone, Jack Miller, Cal Crutchlow, Michele Pirro e Tito Rabat.
Foi um fim de semana para esquecer. Maverick Viñales terminou isolado na 12ª posição entre Bradley Smith e Danilo Petrucci.
Com o resultado, Marc Márquez, aos 24 anos e 268 dias, torna-se no mais jovem tetracampeão da história do Mundial de Motociclismo ao superar Mike Hailwood, que conseguiu a marca aos 25 anos e 107 dias em 1965.
Além disso, o espanhol também superou Valentino Rossi como o mais jovem a chegar a seis títulos mundiais. O número 46 tinha 25 anos e 244 dias quando conquistou o título de 2004 da MotoGP, a sua sexta coroa da carreira.
Márquez comemorou a vitória e reconheceu que errou o ponto de travagem, o que deu abertura para a ultrapassagem. Aproveitou a ocasião para felicitar o seu adversário italiano Dovizioso.

MOTO 2
Oliveira repete receita do ano


Franco Morbidelli despediu-se da Moto2 a lutar até o final para igualar o recorde de vitórias numa época de Marc Márquez. O final de ano foi totalmente de piloto português: depois de triunfar na Austrália e na Malásia, Miguel Oliveira ultrapassou o italiano, quando faltavam seis voltas do final, após óptima recuperação, e venceu mais uma. Brad Binder completou o pódio e Eric Granado terminou no 17º lugar no seu regresso à categoria.
Franco Morbidelli passou Aléx Márquez após troca constante de posição dos companheiros de equipa, até conseguir abrir. Mas segurar Oliveira e a sua óptima fase foi impossível. Morbidelli não conseguiu igualar o recorde de Márc Márquez e terminou o ano, na sua despedida da Moto2, com oito vitórias.
Brad Binder completou o pódio, com Eric Granado em 17° em seu retorno à categoria na qual vai correr, oficialmente, em 2018.
\"Não foi fácil passar Marc Márquez. Quando vi Franco à frente, percebi que não estava longe, não estava a abrir vantagem. Não quis forçar para não cometer erros. Quando senti que dava, passei e fui em frente. Não tenho palavras para descrever estas últimas três corridas. Estamos muito confiantes para a próxima época\", declarou o vencedor após a corrida.
Oliveira não foi o único contente. Morbidelli não viu motivos para se despedir da Moto2 com tristeza, mesmo sem a vitória ou recorde.
\"Tentei, com certeza, passar Oliveira. Tive um bom começo, óptima batalha com Álex. Forcei e achei que podia escapar, mas a KTM ia chegar, sabia. Quando passei a ver Oliveira como segundo, sabia que tinha problemas por vir. Tentei, dei tudo para segurar a posição, mas Oliveira estava mais rápido que eu. Uma boa maneira de dizer adeus à Moto2. É hora de começar um novo capítulo na minha carreira\", afirmou Franky.

LUTA PELO TÍTULO
Dovizioso cai nas voltas finais


Andrea Dovizioso era o único piloto da MotoGP com oportunidades de tirar o título de Marc Márquez ontem em Valência. Mas o italiano não teve a sorte: foi prejudicado até mesmo pelo próprio companheiro de equipa e, no final, sofreu uma queda, dando adeus às oportunidades de alcançar o rival espanhol.
A faltar cinco voltas para o final, após muitas ordens da Ducati para que Jorge Lorenzo, então quarto classificado, abrisse para Dovizioso, que estava em quinto, serem negadas pelo espanhol, uma série de acontecimentos passou-se na pista.Primeiro Marc Márquez, que estava em segundo, quase caiu: escapou da pista, mas salvou-se da queda.
Logo depois, antes que a Ducati percebesse que as oportunidades havia aumentado ligeiramente, Jorge Lorenzo caiu. Parecia castigo.Segundos depois, Andrea Dovizioso perdeu o controlo da moto na curva 8 e, após insistir em tentar voltar ao comando, desistiu, caiu e abandonou a prova e a luta pelo título.

ENTRE PILOTOS
Ducati reitera tratamento igual


Andrea Dovizioso venceu seis corridas na época da MotoGP, uma menos que o tetracampeão Marc Márquez. Desde a nona prova da época, só os dois triunfaram e não é à toa. Apenas o italiano podia tirar o título do espanhol em Valência, ontem, por mais que pareça impossível.Mas algo aconteceu. Depois de tantas vitórias, deixou de ser impossível. Aliás, tornou-se provável e tudo indicava que terminava da maneira mais favorável possível para Dovizioso: a sua renovação de contrato com a Ducati.
Mesmo depois de perder o título no GP da Comunidade, Dovizioso conquistou argumentos suficientes para que o seu contrato, que se encerra ao final de 2018 com a Ducati, seja renovado com carinho.
Não é o italiano que afirma isso: quem disse, no último sábado, foi Paolo Ciabatti, director de projecto da Ducati, em conferência de imprensa em Valência.\"Poder na negociação é sempre conquistado com base em resultados\", declarou Ciabatti.
\"Com esse histórico de vitórias que Dovizioso conseguiu essa época, está em óptima posição para negociar a extensão do seu contrato. Tenho a certeza de que, na hora certa, vamos considerar isso. Espero que vença ainda mais pela Ducati\", completou.
Ciabatti também deixou claro que, mesmo sem vencer no ano, Jorge Lorenzo vai continuar a receber tratamento equitativo ao piloto que hoje conquista melhores resultados para a equipa.
\"Não muda a nossa posição (Dovizioso estar à frente de Lorenzo) ao menos na maneira com a qual trabalhamos. Colocamos os nossos dois pilotos em posição igual, de sorte que têm um óptimo relacionamento. É um respeito mútuo. A nossa maneira de trabalhar é dividir tudo com todos os pilotos. Tentamos encontrar a melhor solução para cada um\", afirmou.

CLASSIFICAÇÃO FINAL
MUNDIAL DE PILOTOS


Marc Márquez        -    298 pontos
A. Dovizioso              -    261 pontos
Maverick Viñales   -    230 pontos
Dani Pedrosa           -    210 pontos
Valentino Rossi      -    208 pontos
Johann Zarco          -    174 pontos
Jorge Lorenzo        -    137 pontos
Danilo Petrucci      -    124 pontos
Cal Crutchlow         -    112 pontos
Jonas Folger            -     84 pontos
Jack Miller                   -    82 pontos
Álvaro Bautista       -    75 pontos
Andrea Iannone    -    70 pontos
Scott Redding        -    64 pontos
Aleix Espargaro    -    62 pontos
Álex Rins                         -     59 pontos
Pol Espargaró        -    55 pontos
Loris Baz                         -    45 pontos
Tito Rabat                    -    35 pontos
Karel Abraham       -     32 pontos
Bradley Smith          -    29 pontos
Hector Barberá      -    28 pontos
Michele Pirro             -    25 pontos
Mika Kallio                  -    11 pontos
Sam Lowes                -     5 pontos
K. Nakasuga             -    4 pontos
Sylvain Guintoli       -    1 ponto
M.van Der Mark      -    0 ponto       
Takuya Tsuda            -    0 ponto
Hiroshi Aoyama     -    0 ponto

M.DE CONSTRUTORES

Honda    -    357 pontos
Yamaha -    321 pontos
Ducati     -    310 pontos
Suzuki     -    100 pontos
KTM          -     69 pontos
Aprilia      -     64 pontos

MUNDIAL DE EQUIPAS


Honda    -    508 pontos
Yamaha -    438 pontos
Ducati     -     398 pontos
Tech3       -      258 pontos
Pramac  -     188 pontos
Suzuki     -    130 pontos
M.VDS    - 117 pontos
LCR           -     112 pontos
Aspar       -    107 pontos
KTM          -    84 pontos
Avintia     -    73 pontos
Aprilia     -    67 pontos