Jornal dos Desportos

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Modalidades

Esperança Elavoko ganha estágio

Silva Cacuti - 11 de Março, 2014

Esperança Elavoco é uma das atletas escolhidas no Cuando Cubango para o estágio

Fotografia: Eduardo Pedro

Esperança Elavoko, corredora do Núcleo de Atletismo do Cuando Cubango, que em 2013 foi apontada como futura estrela da modalidade, depois de ter deixado referências em testes médicos realizados no Centro de Medicina Desportiva e do Exercício (Cardiomex), segue hoje para Lisboa, onde vai trabalhar em regime de estágio, para desenvolver as suas potencialidades.

A informação foi avançada por Carlos Rosa, presidente de direcção da Federação Angolana de Atletismo (FAA) que garante que o estágio é para o que resta do ciclo olímpico.

“Vamos enviar a Esperança Elavoko com outros colegas, nomeadamente a Avelina Ngueve e o Moisés Pedro, para trabalharem no Centro de Alto Rendimento da Cruz Quebrada, a fim de evoluírem e quem sabe podermos obter através deles marcas que sejam relevantes para a nossa modalidade”, anunciou.

Em 2013, o médico da Cardiomex, João Mulima, actual director do Centro de Medicina Desportiva afecto ao Minjud, referenciou vários indicadores da corredora, mas destacou o teste de esforço cardiopulmonar.

O teste de esforço cardiopulmonar determina a capacidade máxima do corpo de um indivíduo em transportar e fazer uso do oxigénio durante um exercício físico e reflecte a aptidão física deste indivíduo.

Para exemplificar, o especialista realçou que um atleta de alto rendimento, adulto, deve consumir um mínimo de 60 ml de oxigénio, por quilograma, por minuto (ml/kg/min) de forma relativa ao peso do indivíduo.

A atleta do Cuando Cubango, na altura, de 14 anos de idade, consumiu 57 ml.
Além deste teste, a atleta, segundo o médico, mobiliza rapidamente o ácido láctico e não tem tecido adiposo.

“O que mais impressiona é ela ter estes indicadores aos 14 anos e considerar que fizemos os testes numa esteira e foi para ela a primeira vez”, alertou na altura.

Naquela altura, o médico aconselhou a Federação e outros agentes do desporto a assegurar condições para explorar ao máximo as potencialidades da atleta. A opção de mandar para o estrangeiro, a um país de referência da modalidade, foi o quadro apresentado por Carlos Rosa e que hoje se materializa.

 “Vai a Portugal porque pensamos que tem condições mínimas lá, diferentes do Cuando Cubango, onde a atleta trabalhava sem o mínimo de condições”, disse.

Com Esperança Elavoko seguem viagem igualmente os atletas Avelina Ngueve, também do Cuando Cubango, que recentemente sagrou-se campeã nacional de corta-mato em juvenis, na cidade do Huambo, e Moisés Pedro, velocista e saltador do 1º de Agosto.