Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Estádio em Tóquio gera conflitos

20 de Maio, 2015

Governador de Tóquio Yoichi Masuzoe indignado com Hakubun Shimomura, devido a "atitudes irresponsáveis"

Fotografia: AFP

Tóquio é a anfitriã dos Jogos Olímpicos de 2020. Entretanto, o governador da cidade, acusou o Governo japonês de se comportar como o “exército imperial da II Guerra Mundial” no projecto de financiamento do novo estádio olímpico.

Yoichi Masuzoe acusou o ministro do Desporto, Hakubun Shimomura, de “atitudes irresponsáveis” por não ter ainda informado, formalmente, o município dos valores que vão caber a Tóquio para custear o novo estádio, cujo orçamento global está estimado em 1,2 mil milhões de euros, conforme a agência noticiosa AFP.

“Fala-se de 50 mil milhões de ienes (cerca de 355 milhões de euros). Até agora não recebemos qualquer comunicação formal sobre o assunto. É uma atitude irresponsável, porque temos de pensar nos nossos contribuintes”, comentou Masuzoe à imprensa japonesa.

Para Masuzoe, o Governo dizer que pode construir o estádio, sem saber à partida se Tóquio tem capacidade para avançar com um terço do orçamento “é como o exército imperial na II Guerra, quando dizia que estava a ganhar e, realmente, perdeu”.

O governador de Tóquio recusa-se em financiar uma ‘fatia’ de um estádio “de cariz nacional e não local, só porque o Governo é incapaz de cobrir as despesas”.

“Se o país não pode pagar, então devemos considerar a possibilidade de construção de um estádio municipal”, sugeriu Masuzoe.
A construção do novo estádio olímpico, cujas obras devem começar em Outubro, tem dominado o debate no Japão desde que Tóquio foi eleita para albergar os Jogos de 2020 ao ponto de o orçamento original ter já sofrido um corte de 40 por cento.

GREVE
A menos de um ano e três meses para o início dos Jogos Olímpicos de 2016, a organização dos Jogos tem mais um problema para resolver. O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias da Construção Pesada (Sitraicp) anunciou greve nesta segunda-feira, e os mais de 12 mil trabalhadores do sector que participam de obras directas e estruturais para o evento, paralisaram as suas actividades.

O motivo da greve é a reivindicação de um reajuste de 8,5 por cento no salário dos trabalhadores e também na melhoria dos benefícios da cesta básica. A paralisação não é total e o Sindicato é obrigado a manter 30 por cento do efectivo em secores essenciais das obras, como os que garantem segurança ao património público e empresarial.

A greve deve durar no mínimo até esta sexta-feira, altura em que está marcada uma audiência no Tribunal Regional Trabalhista do Rio de Janeiro (TRT-RJ), que envolve representantes legais dos trabalhadores e dos patrões.

As principais obras, nos quais os trabalhadores da categoria concentram-se, são o Estádio Engenhão, o Parque Olímpico de Deodoro, a Linha 4 do Metrô, o Aeroporto do Galeão e o Sistema TransBrasil.

Enquanto algumas concessionárias, como a  Rio Galeão, responsável pela reforma do Aeroporto, negaram que de facto 70 por cento do efectivo de trabalhadores da construção pesada tenham parado e que os cronogramas normais vão ser mantidos, outras esperam a resolução rápida do impasse. O Consórcio Engenhão e a Concessionária Porto Novo, por exemplo, ressaltaram que cumprem as legislações trabalhistas, mas que esperam que a situação seja definida para que as operações normais sejam retomadas.