Jornal dos Desportos

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Modalidades

Estrangeiros no GP Zé Du

Helder Jeremias - 04 de Julho, 2016

Certame está marcado para segunda quinzena de Agosto no circuito Jorge varela

Fotografia: M.Machangongo

A Associação Provincial de Motocross de Luanda pretende homenagear o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, com o Grande Prémio Zé Dú no próximo mês de Agosto revestido de pompa e circunstância. A direcção de Carlos Soweto pondera trazer ao país alguns convidados estrangeiros para abrilhantar a corrida no circuito Jorge Varela.

Carlos Soweto assegurou ao Jornal dos Desportos que, "é apanágio da Associação de Luanda brindar o aniversário natalício do Presidente da República, a celebrar a 28 de Agosto, com pompa e circunstância". Para o efeito, trabalha com afinco na criação de condições técnicas e administrativas alusivo ao 74º aniversário natalício.

"Tudo está a ser feito para que os meios necessários sejam alocados nesse sentido. O motocross continua erguido. Todos quanto se revêem nesta modalidade dão parte do seu tempo para que a empreitada seja, de facto, um sucesso", disse Carlos Soweto.O dirigente desportivo realçou que a presença de pilotos estrangeiros no Grande Prémio Zé Du "é uma possibilidade que está a ser analisada" face ao aperto financeiro do país.

Na agenda de trabalho da direcção da Associação dominam, entre outras matérias, questões em torno do aluguer de máquinas para procederem aos trabalhos de requalificação da pista, obtenção de cisternas de água e prémios para os pilotos. Para a obtenção de melhores resultados, as tarefas estão divididas dentro do elenco composto por Carlos Soweto, Jandir Talaia (vice-presidente) e Eduardo Lusito André (secretário geral).

Na ânsia de proporcionar uma prova à altura da dimensão da efeméride e oferecer momentos de grande emoção ao público amante de motocross, Carlos Soweto assegurou que a equipa de trabalho apresenta elevados níveis de optimismo. As pessoas singulares e colectivas estão a colaborar e juntam-se a todos os parceiros.

AVALIAÇÃO
INTERNA

Depois de disputar a quinta a jornada, assiste-se a um interregno no campeonato provincial de Luanda de motocross. Em período de defeso, o antigo piloto da categoria de 250cc e actual presidente da associação vislumbra um semblante de alegria e satisfação. Na sua avaliação, ressalta o empenho do grupo de trabalho.

"Graças ao empenho de todos os membros, começámos o campeonato provincial e somos regulares na realização das cinco jornadas da primeira metade do ano. Por isso, vamos procurar manter-nos na mesma sintonia e melhorar o trabalho para que no final da época nos possamos orgulhar pelo balanço do nosso primeiro mandato", disse.

Enquanto esteve no activo, Carlos Soweto foi detentor de vários troféus. O presidente é transversal na ideia de que "o legado das gerações anteriores está a reflectir-se no aparecimento de uma classe de pilotos com os requisitos necessários para firmar uma carreira desportiva de sucesso".Para o efeito, justifica, "só pode ser concretizado, caso a disciplina for um factor imperativo na conduta dos jovens". Carlos Soweto acrescenta que "em nada vale uma aposta sem o cumprimento dos fundamentos desportivos".

O vínculo dos antigos praticantes com a juventude tem sido uma das divisas da família do motocross, de acordo com o Carlos Soweto. Mesmo com a conjuntura económica a obrigar uma gestão mais parcimoniosa, a passagem de testemunho é um facto. Um grupo de antigos pilotos consegue suportar um ou mais pilotos com os parcos recursos.O antigo craque das acrobacias acredita em dias mais promissores para o motocross nacional, em função das ilações absorvidas na primeira etapa do campeonato provincial de Luanda.

EM CONVALESCÊNCIA
Carlos Moreira chora por Yane Oliveira

O director do Team Kawashi da Lunda Sul, Carlos Moreira, está optimista quanto a célere recuperação do piloto Yane Oliveira "Busha", que fracturou o pulso esquerdo na sequência de uma queda aparatosa na primeira manga da terceira jornada do Campeonato Provincial de motocross de Luanda, da categoria dos 250cc, disputada em Abril do ano em curso no circuito do Gamek.

A cumprir um repouso de três meses, Yane Oliveira inscreve-se entre os pilotos mais promissores da actualidade. Na categoria dos 150cc, teve uma passagem triunfal com a colecção de três títulos consecutivos. Esse facto lhe catapultou para a ascensão à categoria rainha (250cc) na presente época, ao lado de outros nomes de referência como Augusto Congo "Agugu", Garcia Silva e Alfredo Chilola.

O piloto forjado na Escola de Motocross de Viana voltou a dar cartas na estreia com vitória na primeira manga da jornada inaugural. Muito cedo, começou a evidenciar algumas debilidades do ponto de vista físico que se traduziram em quedas sistemáticas ao longo das duas provas subsequentes. Na terceira jornada, manifestou o afastamento prematuro das competições, depois de o corpo de emergências médicas o ter levado ao Hospital Maria Pia e receber uma tala que permanecerá 90 dias.

Apesar da sua passagem efémera pela categoria maior do motocross, Carlos Moreira acredita num regresso de Yane Oliveira "Busha"pela porta grande. O dirigente aposta que na fase derradeira do Provincial, o jovem vai conquistar lugares de destaque de forma a projectar a próxima época. Em 2017, o objectivo é a luta pelos lugares mais prestigiantes.
"Foi um golpe duro o Busha ter parado no ano de estreia na categoria rainha. Trata-se de um piloto com grande valor que poderia trabalhar para uma boa classificação e, na próxima época, lutar pelo título", disse.

Para consolação pessoal, Carlos disse perspectivou: "A vida tem dessas surpresas. Não devemos ficar desmoralizados por esse pequeno contratempo. Vamos olhar para o futuro com optimismo".

Carlos Moreira não esconde a desolação perante a impossibilidade de ver o pupilo a dar alegria à vasta legião de adeptos do município de Viana. O formador de pilotos continua de pedra e cal com apostas noutros jovens que buscam pela afirmação no motocross de Luanda, como é o caso de Rui Moreira "Pituca", cuja ascensão permite vislumbrar maior produtividade em tempos vindouros.

LEGADO
Vitó satisfeito com nova geração


O antigo piloto da categoria dos 250cc, Victor Silva "Vitó" mostrou-se satisfeito pelo crescente número de pilotos inscritos no Campeonato Provincial de motocross de Luanda e defende a necessidade de haver a massificação à escala nacional para que se possa contar com uma competição mais alargada.Victor Silva considera a nova geração de mais feliz, por "existir maior facilidade na obtenção de meios". O antigo craque de motocross justificou que, em tempos passados, "esses meios inviabilizaram a evolução técnica de jovens dotados de talento". Aquela geração estava limitada pela escassez de motorizadas, peças e equipamentos.

No dizer de Vitó, a estabilidade que se vive no país, como fruto da paz, representa uma grande vantagem para que o motocross possa chegar a todos os cantos, onde haja jovens que gostam de desporto motorizado. O desejo só pode ser materializado, caso haja projectos bem definidos e a criação de núcleos desportivos nas províncias.Apesar da antiga geração de pilotos não contar com os meios que hoje o mercado disponibiliza, argumentou Victor Silva, o trabalho dos mais velhos deixou um legado muito importante se tiver em conta que os mais jovens continuam a seguir as pegadas dos antecessores quer nas competições quer no dirigismo desportivo. Isso é óbvio em sociedades organizadas.

Em jeito de conselho, Vitor Silva apelou aos agentes desportivos a canalizar apoios aos jovens talentosos e à actual direcção, liderada pelo ex-piloto Carlos Soweto e outros jovens que terminaram a carreira há pouco tempo, deve "continuar com a mesma determinação que os moveu a dedicarem-se a causa desportiva". O antigo piloto acrescenta que "só com esmero se pode alcançar as grandes proezas em qualquer domínio da vida social".

"É um grande orgulho para qualquer antigo piloto da minha geração ver os nossos miúdos a fazer um trabalho digno de realce, quer como pilotos, quer como dirigentes desportivos. Esta é a melhor prova de que o desporto representa uma actividade social benéfica para qualquer comunidade. Passámos o nosso legado e hoje vemos que os rapazes seguem o melhor caminho, evitando os maus hábitos que enfermam a vida, como o consumo desregrado de bebidas alcoólicas, tabaco e outras drogas", disse o antigo piloto.                                                  
 
INFRA-ESTRUTURA
Talaia defende integridade do circuito


A direcção da Associação Provincial de Motocross de Luanda continua a postular a salvaguarda do circuito para formação de jovens com habilidades no manuseio de motorizadas para que passem a canalizar o talento em busca de uma carreira desportiva auspiciosa, ao invés de fazer distúrbio na via pública. A constatação é do antigo secretário-geral da instituição desportiva, Roberto Talaia.

Em abordagem ao Jornal dos Desportos, Roberto Talaia defendeu a necessidade da preservação do circuito Jorge Varela, localizado no bairro do Gamek, para que a modalidade possa cumprir com o seu papel social.Nas veste de conselheiro da actual direcção, Roberto Talaia mostra-se preocupado com os indícios da existência de pessoas interessadas a apoderarem-se do espaço em que o circuito e a sede da Associação foram erguidos com o cumprimento de todos os pressupostos emanados pelas autoridades nacionais.

O dirigente reconhece que o crescimento urbano da cidade capital valorizou o terreno em questão, quando na altura da sua aquisição era considerada uma zona remota e inóspita. Daí que se opõe a qualquer intenção de "pessoas de má fé quererem usar influências para se apossarem do espaço sem que haja uma negociação que garanta os direitos das partes envolvidas".

"O circuito é uma propriedade da Associação provincial de motocross de Luanda, pelo que ninguém está no direito de prejudicar essa instituição sem que lhe seja garantida outro lugar com as características necessárias para se construir novo circuito. Temos a documentação em dia e vamos defender os interesses do desporto nacional", Garantiu Roberto Talaia.                   
                                             
ÉPOCA'2016
Team Orbel pisca pisca olho do título


O proprietário do Team Orbel, Orlando Almeida, está engajado na preparação das condições técnicas e logísticas para que os pilotos da sua equipa consigam arrebatar o troféu do Grande Prémio Zé Du, que o circuito Jorge Varela vai albergar na segunda quinzena de Agosto para homenagear o aniversário natalício do Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

Zé Cazenga e Ricargo Jorge, na categoria de 250cc, e Edson Miranda "Roquinho", na 450cc, apresentam bons indicadores à entrada da segunda metade da competição, que cumpre pausa prolongada. Com Zé Cazenga lidera a competição e Orlando Almeida está mais crente quanto ao resgate do título perdido na época transacta para o piloto do Team 2 Lemos, Custódio Neto "Toito". A ascensão de Ricardo Jorge nas duas provas representa um presságio de uma fase mais produtiva na segunda etapa.

Suportado por uma equipa de mecânicos eficientes, Orlando Almeida recorda que, na época passada, Zé Cazenga, vice-campeão, e Ricardo Jorge, terceiro classificado, foram relegados por Custódio Neto em virtude da ausência em três provas por questões alheias à sua vontade. Na fase final, a equipa obteve quatro vitórias numa evidência de boa forma desportiva. Agora, "os meus pilotos estão a trabalhar à feição e imbuídos no espírito de vitória, ao passo que os técnicos tratam das motorizadas com toda a cautela de forma a evitar sobressaltos".

Orlando Almeida reconhece que a equipa conta com adversários de grande nível técnico, mas a convicção assenta nas vistosas performances que os pupilos exibiram na primeira metade do campeonato. Edson Miranda, da categoria dos 450cc (moto quatro), manteve o domínio total. O mais directo adversário, Bruno Ferreira "Agai", ainda não colocou os pés no lugar cimeiro do pódio.

O ex-vice-presidente da Associação provincial de motocross de Luanda está satisfeito com a dinâmica da actual direcção e garante continuar a dar o seu apoio em prol da modalidade, não obstante o rompimento do vínculo com os órgão sociais. "Devemos apoiar a direcção por ser constituída por jovens que formámos e precisam de beber da experiência dos mais velhos para terem os créditos firmados. Pelo trabalho desenvolvido até a presente data, posso aferir que o motocross está entregue em boas mãos", rematou Orlando Almeida.