Jornal dos Desportos

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Expectativa

09 de Março, 2016

Desempenho da confiabilidade da W07 assustou as principais equipas de fábricas

Fotografia: AFP

O domínio da Mercedes nas duas últimas edições do campeonato mundial criou grandes expectativas aos adversários, na nova época que começa a 20 de Março, com o Grande Prémio da Austrália. A performance nos testes colectivos não convenceram as equipas rivais. Os bicampeões mundiais são acusados de não mostrar tudo que podem fazer na presente época.

O chefe de motores da Renault, Remi Taffin, assegurou que a estratégia da Mercedes reserva um avanço tecnológico para o meio do campeonato, apesar da responsabilidade de começar na liderança da competição. \"Sinceramente é difícil comparar-se com a Mercedes. Estão a esconder o jogo e vão mostrá-lo quando chegarmos no Q3 em Silverstone!\", disse Taffin ao referir-se ao Grande Prémio da Inglaterra, em Julho.

O dirigente afirmou que a Renault  tem um plano de desenvolvimento para o seu motor ao longo do ano, ainda que tenha de respeitar o uso de 32 fichas de desenvolvimento, na soma de todas as homologações feitas ao longo de 2016, incluindo a especificação com que a própria equipa Renault e a cliente Red Bull vão usar na primeira etapa, na Austrália.

\"Acredito que estejamos mais perto deles. Dependendo de como formos neste ano e dos passos que conseguirmos dar, acho que o objectivo ainda é no começo de 2017 lutar com eles, se conseguirmos fazer um carro bom\", disse Taffin. A meta de um grande salto em 2017 tem a ver com a nova regra, que vai começar a valer na próxima época. A partir de então, os motores podem ser alterados sem qualquer tipo de limite, diferentemente do que acontece até agora.

\"O programa está montado. Sabemos quando queremos introduzir a nova especificação. Depois vamos estar de olho em 2017 também. Há muitas coisas que queríamos mudar no motor, e vamos mudar tudo de uma só vez\", disse.

CORRIDAS IMPREVISÍVEIS
A partir desta época, a FIA estabelece limites de comunicação entre pilotos e equipas por meio do rádio, durante as provas do Mundial de F1. Na visão de Toto Wolff as restrições vão deixar as corridas menos previsíveis, porque vão explorar a inteligência e a capacidade de improviso de cada piloto.

Uma das poucas mudanças no que diz respeito ao regulamento para a época\'2016 do Mundial de F1 está na comunicação via rádio, entre os pilotos e as equipas. A partir deste ano, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) determinou uma série de restrições e limitou o que pode ser transmitido de informação ao longo das provas, tudo com a intenção de explorar melhor o trabalho dos competidores.

Na visão de Toto Wolff, a medida vai ser boa para o espectáculo porque pode tornar as corridas menos previsíveis, abrir mais espaço para erros, por exemplo, além de exigir do piloto uma capacidade maior em termos de inteligência e improviso.

A redução da comunicação via rádio é resultado de uma interpretação mais rigorosa do artigo 20.1 do regulamento desportivo, que estabelece que \"o piloto deve conduzir o seu carro sozinho e sem ajuda”. O objectivo da FIA é garantir que os pilotos recebam o mínimo de assistência possível do pit -wall no futuro durante as corridas.

Em conferência de imprensa, durante a segunda semana de testes de pré-época em Barcelona, o chefe da Mercedes aprovou as novas regras de comunicação.

“Diante das novas regras vamos ter muito mais restrições na troca de informação aos pilotos durante a corrida. Tais restrições vão estar centradas em termos de estratégia, mapa do motor, escolha de pneus e inclusive, o momento de fazer um pit -stop. Muita coisa vai ficar a cargo do piloto”, declarou.

“Haverá mais espaços para erros. O piloto vai ser o responsável pela tomada de decisões e não vai ser tão controlado por um controlo remoto desde as boxes”, analisou o austríaco. O responsável justificou que \"é um passo absolutamente positivo, porque o objectivo é tornar as corridas menos previsíveis, mais variáveis e é isso o que vai acontecer\".

\"Agora, há potencial para que as corridas se desenrolem de forma diferente. Se um piloto tem de julgar por si mesmo qual é a configuração do motor a usar para desempenhar estratégias distintas, vai haver menos optimização do carro, já que os pilotos vão usar modos distintos de potência na corrida em momentos distintos”, emendou.

Para Toto Wolff, a partir de agora, \"o planeamento antes da corrida vai ser crucial e vai depender da inteligência do piloto, de acordo com o plano, além de depender da inteligência e instinto para fazer o certo no momento certo, num improviso da corrida\". \"Gostamos do rádio e da emoção que traz. Por isso, foi inventado há 15 anos”, avaliou Wolff.

O austríaco ainda não tem a total certeza sobre como os espectadores vão lidar com o conjunto de restrições. “Agora, estamos a tentar reduzir um pouco, mas se isso vai ser melhor para os fãs, não tenho a certeza. Vão entender agora menos do que acontece no carro, porque o piloto não vai poder falar pelo rádio. Mas como vai haver mais erros e variabilidade vai ser melhor para o desporto.”, finalizou.