Jornal dos Desportos

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Faboxe constrói ginásios

Júlio Gaiano- Lobito - 28 de Outubro, 2014

Faboxe constrói ginásios

Fotografia: Jornal dos Desportos

Com vista a elevar o número de praticantes, bem como os níveis de competitividade, a direcção da Federação Angolana de Boxe (Faboxe) projecta a construção de ginásios em cada uma das sedes das 18 províncias do território nacional, a partir do próximo ano. As obras vão contar com o financiamento proveniente da Federação Russa (ver peça à parte). Estas declarações foram proferidas pelo presidente da Faboxe, Carlos Luís, à margem da Assembleia-Geral ordinária que a cidade do Lobito acolheu no passado sábado e analisou entre outros temas as relações instituições. “Este é o concretizar de um dos vários projectos que esta direcção eleita em Dezembro de 2012 espera implementar, a partir do próximo ano, de forma a desenvolver o boxe, a partir de uma base de formação e massificação nas 18 províncias do país”, disse.

Carlos Luís assegura que nos últimos dois anos o boxe tem dado mostras de progressão, tanto a nível interno como a nível internacional, concretamente na zona austral onde só é superada pela África do Sul. Todas essas conquistas alcançadas num curto tempo do seu mandato têm muito a ver com a dinâmica e a estratégia de trabalho empreendida pela actual direcção, que sem olhar a meios, tem feito tudo para tirar o boxe da letargia em que se encontra mergulhada nos últimos tempos.“Encontrámos uma Faboxe com problemas avultadas, sobretudo de ordem administrativa e financeira. Tivemos de partir do zero para seguirmos os propósitos que nos levaram a candidatar. Ou seja, colocar de lado as nossas diferenças e pensar unicamente no trabalho”, lembrou. 

No entender de Carlos Luís, o apoio do Executivo (neste caso o Ministério da Juventude e Desportos) e de algumas empresas patrocinadoras, sem esquecer o contributo dos governos provinciais e pessoas singulares, foram determinantes para aquilo que é hoje o boxe angolano. “Em menos de dois anos, os resultados estão à vista de todos. Hoje, o boxe angolano já é uma referência no continente. Estamos em nono lugar do Ranking Africano. Na nossa região, estamos atrás da África do Sul. Isso é obra”, enfatizou.Participaram da reunião magna as associações provinciais do Cunene, Huambo, Cuanza-Sul, Benguela e Moxico.

OPTIMISMO
Angola e Rússia assinam memorando


Um protocolo de cooperação com a Federação Russa de Boxe vai ser assinado em Dezembro próximo, conforme o presidente da Federação Angolana de Boxe, Carlos Luís. O memorando assenta na troca de experiências e os russos vão apoiar na formação e na assessoria de técnicos e dirigentes nacionais. No protocolo consta o financiamento para a construção de um Centro de Treinos e Desenvolvimento do boxe de alto rendimento na cidade do Huambo,  que vai abarcar uma pista de atletismo, uma piscina e pavilhão multiusos. Todos as infra-estruturas vão ter dimensões olímpicas.

“O nosso propósito é servir o boxe. Por isso, enquanto existir forças da nossa parte podem crer que vamos surpreender muito mais. O número de eventos que realizámos (interno e externo) em menos de dois anos é prova de que com um pouco mais de dinheiro, podemos fazer mais e melhor do que conseguimos até aqui”, precisou.O Jornal dos Desportos apurou que a Faboxe recebe do Ministério da Juventude e Desportos dez milhões de kwanzas, para o exercício de actividades em cada ano desportivo. A verba é considerada insuficiente para o cabal cumprimento das actividades programadas para cada ano. Para colmatar o vazio, a Faboxe recorre a empresas amigas e apoios de governos provinciais.  Na Assembleia-Geral extraordinária, que a cidade do Lobito acolheu no passado 25 do corrente, três assuntos estiveram na mesa para discussão. O caso que envolveu o então seleccionador nacional Boaventura Cardoso e o atleta Tumba Silva, no torneio de boxe dos Jogos Olímpicos de Londres, dominou o conclave.

ASSEMBLEIA ORDINÁRIA
“Caso Cardoso”
foi transferido


A questão do diferendo que envolve o então seleccionador nacional de boxe Boaventura Cardoso ao atleta N’Tumba Silva foi transferida para os órgãos competentes da Faboxe, para reapreciação, na esperança de que os resultados a apurar venham a ser matéria de discussão na próxima Assembleia-geral ordinária, que deve acontecer em Janeiro de 2015 e que pode ditar o futuro do técnico.Assim, os Conselhos Jurisdicional, de Disciplinar e Técnico foram chamados a analisar o assunto de forma minuciosa, com a promessa de que os resultados sejam apresentados na Assembleia-geral ordinária a ter lugar na cidade de Luanda, em data a anunciar.

Em reacção à decisão, alguns delegados presentes consideram sensata a decisão tomada sobre o “caso” Cardoso, porquanto,  vai apurar ao certo quem na verdade, pode ter estado por detrás da situação que acabou  por macular o boxe angolano num evento de cariz internacional.No torneio Olímpico de Londres de 2012, o pugilista angolano Ntumba Silva de 91 kg viu-se impossibilitado de disputar o duelo com o italiano Clemente Russo, por ter falhado à pesagem. De acordo com os regulamentos das competições de boxe, as pesagens antes do combate são de carácter obrigatório, pelo que a ausência do acto resulta na desqualificação automática do atleta. Ntumba Silva foi afastado por não se ter apresentado.

HISTÓRICO
Informações postas a circular, após os Jogos Olímpicos’2012, as evidências da ausência apontam culpas graves ao ex-seleccionador Boaventura Cardoso, pelo sucedido. Nas horas estipuladas para a pesagem dos atletas, o técnico estava a dormir. O gesto foi interpretado como desinteresse pela actuação do seu atleta na prova. Os regulamentos do torneio de boxe dos Jogos Olímpicos estipulam que os atletas e treinadores devem estar presentes no local da pesagem, com duas horas de antecedência. Mesmo assim, N’Tumba Silva ciente da responsabilidade que pesava sobre si, tomou a iniciativa de seguir para o local, na certeza de que o técnico fosse para lá em tempo, para as devidas formalidades de pesagem. Infelizmente, nada disso aconteceu.

À luz dos regulamentos da prova, o atleta não pôde realizar a pesagem e automaticamente foi desqualificado da competição. Delegados à Assembleia-Geral associaram a atitude do técnico a um ciúme manifestado contra o atleta. Fontes da Faboxe afirmaram que antes do combate, N’Tumba  deve ter recebido  garantia da parte do Ministério da Juventude e Desportos da concessão de uma moradia, numa das centralidades de Luanda, independentemente do resultado da luta com o campeão mundial.
JG