Jornal dos Desportos

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FAJ acusa COA de falsificar documento para os Jogos Olímpicos

21 de Setembro, 2016

António Nzinga acusa o Comité Olímpico Angolano de facilitar presença de pessoa estranha à Federação

Fotografia: Augusto Narciso

A Federação Angolana de Judo nunca excluiu competidores nem tão pouco levou pessoas extra-instituição às competições internacionais. As palavras são do  presidente da Federação, Paulo Nzinga "Apoló".

Ontem, em reacção às acusações da campeã nacional de judo, Antónia de Fátima Faia, feitas à imprensa, segundo a qual a instituição exclui os atletas, aquando das participações nos campeonatos internacionais, Paulo Nzinga "Apoló" referiu que não são verdadeiras.

"A Federação de Judo nunca levou para competições pessoas ou familiares que não sejam de atletas. Se a Faia disse isso, deve provar com factos. Isso nunca aconteceu. Pessoalmente, estou muito magoado com essas declarações até, porque, fui que a lancei na modalidade", desabafou.

Paulo Nzinga nega a acusação de impedir a presença de um técnico nos Jogos Olímpicos do Rio'2016, segundo a Faia. A atleta disse que a ausência do treinador contribuiu negativamente na sua actuação em prova.

"Isso não corresponde a verdade. A Faia levou uma treinadora que, na verdade, não é treinadora, mas estava na Vila Olímpica. Tenho como provar isso. Tenho comigo a fotografia do passe de acesso dela e estava como técnica, mas nunca foi. O técnico de judo que deveria ir com o grupo era o Yuri Paim, mas não foi escolhido", disse.

Paulo Nzinga entende que a responsabilidade deve ser imputada ao Comité Olímpico Angolano que efectuou a inscrição dos atletas.

"Não podemos carregar uma culpa que não nos pertence. O COA deve explicar como esta treinadora apareceu na lista. A Faia disse ainda que fui como treinador. É uma mentira. Estive na competição como chefe de missão. Tenho aqui o meu passe para provar o que digo.

Só entrei em cena como treinador, porque não havia solução naquele momento. Não havia técnico e fiz esse papel no local com o passe de outra pessoa, no caso do chefe adjunto de missão", disse.

Mestre Apoló esclareceu que só não reagiu, aquando da sanção da Faia, por não estar credenciado como técnico.
"Ficamos impossibilitados de fazer algo junto da organização. Não conseguia fazer as manobras, porque estava aí ilegalmente. Portanto, tivemos de aceitar aquela decisão", justificou.

Paulo Nzinga prometeu trabalhar com o Gabinete Jurídico da Federação e com o advogado.
"Temos de limpar a nossa imagem, seja a nível do COA como no Ministério da Juventude e Desportos ou na Federação Internacional de Judo. Somos inocentes", asseverou. O dirigente afirmou que esta foi a melhor participação de Antónia de Fátima numa competição olímpica.

"Devemos reconhecer que esta foi a melhor actuação da atleta. O nosso elenco sempre trabalhou para isso. A Faia tem perdido sempre nos primeiros combates, mas, desta vez, conseguiu vencer o primeiro e só não obteve a medalha de prata por negligência. É actualmente a atleta que mais beneficia de ajudas tanto do Ministério, Fundo de Apoio a Juventude e Patrocinadores", esclareceu.

Quanto à indumentaria a que se referiu, ao dizer ter um contrato com a Adidas e não pode competir sem o símbolo, que pode resultar em pagamento de multa, Paulo Nzinga esclarece que esta situação não é da responsabilidade da Federação. O presidente pretende ver o documento da multa para atestar a veracidade. 

O Jornal dos Desportos tentou contactar a judoca Antónia de Fátima Faia, mas não obteve sucesso. A agente da campeã nacional referiu que a mesma não está disponível para prestar qualquer esclarecimento sobre o assunto.

BAMBINO REAGE
ÀS DECLARAÇÕES
DE N'ZINGA

O secretário-geral do Comité Olímpico Angolano, António Monteiro "Bambino" reagiu à Rádio 5 as palavras do presidente da Federação Angolana de Judo, Paulo N'zinga, como sendo falsas. O dirigente prometeu abrir um processo judicial e levar o dirigente do judo às barras do tribunal.