Jornal dos Desportos

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Modalidades

Falta de apoios preocupa Huíla

Gaudêncio Hamelay, no Lubango - 19 de Setembro, 2013

Apesar das dificuldades materiais os huilanos continuam a trabalhar na formação de jovens atletas que possam ingressar no futuro na Selecção Nacional nas várias categorias

Fotografia: Francisco Bernardo

A falta de apoios para impulsionar e incentivar os praticantes da modalidade de ginástica na província da Huíla preocupa o presidente da Associação Provincial dos Desportos Individuais, Juca Fernandes.

Juca Fernandes revelou que devido à falta de apoios materiais e fundamentalmente logísticos para os atletas tem contribuído para o decréscimo da ginástica na Huíla.

Os clubes preferem apoiar o futebol em detrimento de outras modalidades individuais consideradas pobres, disse. “A ginástica na Huíla está a decrescer porque não temos incentivos a nível da província. Os clubes apoiam única e simplesmente o futebol enquanto outras modalidades são postas de lado. Devido a essa situação, fica muito complicado trabalhar embora tenhamos muitos petizes em ambos os sexos a aderir à prática da modalidade. Mas quando o técnico não tem o apoio moral por parte dos dirigentes, fica difícil empreender esforços. Isto leva a um decréscimo da ginástica”, lamentou.

Juca Fernandes afirmou que a Huíla é a província da região sul bem servida em termos de número de atletas mundialistas nas especialidades de tambling e ginástica rítmica. Porém, não tem havido conjugação de esforços por parte das autoridades provinciais em apoiar a modalidade, disse Juca Fernandes.

O responsável avançou que nessa senda de dificuldades, a preparação das atletas mundialistas tem registado grandes impasses pois não se pode exigir muitos esforços ao longo de um determinado treino. Um praticante de ginástica despende muitos esforços, factor fundamental para o desenvolvimento físico, técnico e táctico do atleta, sublinhou. Exemplificou que enquanto no futebol se domina a bola, na ginástica o domínio recai totalmente no organismo, na inteligência, flexibilidade, força, velocidade e resistência.

“Por isso, fica extremamente complicado trabalhar na província da Huíla sem termos apoios necessários para desenvolver as capacidades motoras dos atletas. Daí estarmos decepcionados com essa situação”, manifestou.

O dirigente associativo referiu que o número de praticantes também se reduziu consideravelmente. Pontualizou que se outrora a modalidade abrangia mais de 100 praticantes, actualmente a cifra ronda entre os 50 e 58 atletas, com maior índice para o sector feminino.

“Estamos a dinamizar quase todas as especialidades. Mas por razão de material e como sabe os atletas da Huíla atingiram um nível superior, obriga-nos a reduzir o empenho das atletas porque torna-se um risco trabalhar com o material que possuímos”, frisou.

 Juca Fernandes disse que a associação provincial dos Desportos Individuais debate-se com a falta de colchões em condições, tapetes, entre outros. Esta situação faz reduzir o ritmo de trabalho. Juca Fernandes argumentou que apesar disso, a província continua a formar atletas para representar o país no geral e a província em particular em competições de carácter internacional.

MUNDIAL
Panguleipo ganha experiência

A ginasta Benilde Panguleipo, de apenas 16 anos de idade, na especialidade de ginástica rítmica, revelou que a participação no Campeonato do Mundo da modalidade realizado recentemente em Kiev, Ucrânia, serviu de experiência na sua carreira desportiva.

“A nossa participação no mundial da Ucrânia foi boa porque houve oportunidade de várias experiências apesar de sabermos de antemão que o nosso lugar é o que conseguimos alcançar. Porém, conseguimos aprender várias coisas com as outras atletas com mais capacidades que nós. Soubemos que podemos também conseguir noutros campeonatos internacionais representar o nosso país com sucesso”, ressaltou Benilde Panguleipo.

“A convivência com as colegas foi boa apesar de sermos de províncias diferentes. Conseguimos adaptar-nos com a diferença de cultura de cada um.” 
Benilde disse ter aprendido que o importante não é só ganhar, mas participar em eventos mundiais com orgulho para dignificar a bandeira do país. “Ganhámos experiências. E aprendemos que amizade não é só com pessoas com quem convivemos todos os dias, mas também de outros países”, salientou.

A atleta prometeu continuar a trabalhar arduamente para aprender mais, a fim de merecer confiança por parte da federação e representar o país noutros campeonatos.

As ginastas Benilde Panguleipo e Julmira Chepele Segunda, que tomaram terça-feira parte nas demonstrações de ginástica durante a inauguração do Pavilhão Arena de Luanda vão beneficiar de um estágio na província do Huambo e posteriormente em Portugal, tendo em vista o mundial de tambling.
Gaudêncio Hamelay, no Lubango