Jornal dos Desportos

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Modalidades

Falta de clubes na Huíla emperra desenvolvimento

Gaudêncio Hamelay, no Lubango - 06 de Maio, 2014

Na Huíla há vontade de trabalhar para um maior desenvolvimento do voleibol

Fotografia: José Soares

A falta de capacidade de absorção das equipas de voleibol vindas das escolas de formação por parte dos clubes está a dificultar o desenvolvimento da modalidade na província da Huíla.
A revelação é do vice-presidente para área técnica da Associação Provincial de Voleibol da Huíla, António Quilala, que defendeu a observância das etapas de desenvolvimento da modalidade para conhecer nova dinâmica. Justificou que o grande problema é que o desporto na sua forma geral deve ser desenvolvido em cadeia e por etapas."Quando uma das etapas se rompe temos grandes dificuldades", disse.

De acordo com o vice-presidente para área técnica da Associação de Voleibol da Huíla, é exactamente isso o que acontece com a modalidade localmente.
“Começamos muitas vezes a massificação do voleibol, mas massificar para quê, se temos de ter um objectivo? Ao massificar, estou a formar e depois de passar pelos escalões de formação onde é que vou colocar esses atletas se os nossos clubes da província, não têm capacidade de absorção das equipas de voleibol vindas das escolas?”, questionou António Quilala, acrescentando que há cinco anos a associação está empenhada no processo de formação, porém, quando os atletas atingem a categoria de juniores e seniores não têm um clube onde se integrar.
António Quilala acrescentou que o trabalho feito durante esse tempo acaba por se quebrar. Por isso, não se pode falar do desenvolvimento do voleibol, ao nível do escalão sénior, em virtude de não existir capacidade de absorção por parte dos clubes das equipas de voleibol que chegam a seniores depois de terem começado pelos escalões inferiores. 
“Não há clubes locais que absorvam esses atletas. Então, essa é uma das dificuldades que o voleibol na Huíla tem”, lamentou.
Henrique Gama, secretário-geral da associação local de voleibol admitiu que a modalidade vive momentos críticos.
“Infelizmente, o voleibol na Huíla não se encontra de boa saúde como nós desejaríamos que estivesse. Situações várias, que ultrapassam a boa vontade dos membros da associação provincial de voleibol, fizeram com que a modalidade se encontre na actual situação.

Desejávamos que estivesse bem melhor de saúde. E temos estado a lutar para que tal aconteça mas, infelizmente, nem sempre as coisas são bem concretizadas”, esclareceu. O responsável referiu que a associação não faz o voleibol. Quem faz o desporto são os clubes e alguns núcleos desportivos. Henrique Gama apontou que, infelizmente, o que tem acontecido na Huíla é que a associação e alguns núcleos de colégios é que têm feito o voleibol em vez dos clubes.

“Temos os nossos filiados que são os clubes da província mas nas suas agremiações não fazem constar essa modalidade. Se continuarmos a pensar que o voleibol é das modalidades pobres e que não é prioridade no seu meio, vai ser difícil”, ressaltou.

Avançou que a associação tem estado a envidar esforços junto dos amantes da modalidade e dos pequenos núcleos para continuarem a praticar o voleibol a fim de se manter ainda activa nas paragens huilanas.

O dirigente defendeu a necessidade de se traçar políticas a nível dos clubes para a absorção de atletas das várias modalidades.
“Temos de continuar a batalhar e a bater a portas bem como conversar com as direcções dos clubes para ver se aceitam a modalidade de voleibol nas suas agremiações. O voleibol é uma das modalidades mais baratas e fáceis de praticar exceptuando aquelas especificidades que são da própria modalidade.

Mas tem de haver uma política juntamente com as direcções dos clubes para a sua absorção. Contudo, primeiro é a aceitação da modalidade como um desporto de nível nacional”, frisou António Quilala.

O secretário-geral sustentou que quando se fala do voleibol é sempre complicado pois as pessoas indicam vários factores para que essa modalidade não seja aceite. “Mas acredito que se trabalharmos mas com as direcções dos clubes, já será possível num futuro muito breve”, finalizou.