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Falta de dinheiro complica a conta

Rosa Napoleão - 14 de Setembro, 2016

Auxílio Jacob exibe os certicados de participação da selecção angolana no Campeonato Africano da Namíbia

Fotografia: Jornal dos Desportos


A falta de verbas na presente época desportiva foi a causa principal do não pagamento da dívida à Federação Internacional de Ginástica. A informação foi prestada ontem por Auxílio Jacob, presidente cessante da Federação Angolana de Ginástica, em conferência de imprensa, realizada na sede social da instituição.

Auxílio Jacob defendeu que a Federação não teria a necessidade de remeter a dívida ao Ministério da Juventude e Desportos se tivessem recebido a verba anual estimada em 10 milhões de kwanzas."Já passámos por situações em que tivemos de pagar as contas inerente a competições e sempre o fizemos. Desta vez, sentimo-nos impossibilitados de fazer o pagamento", disse.

Auxílio Jacob esclareceu que "muitas federações não estão a beneficiar das verbas que outrora o Ministério da Juventude e Desportos dava". A ginástica também "não recebeu nada e não tinha como liquidar a dívida, senão encaminhá-la ao Ministério como órgão de tutela do desporto".

A dívida acumulada repercutiu-se na presença do país no Campeonato Africano realizado na Namíbia. Os atletas nacionais não puderam subir ao pódio para receberem as medalhas correspondentes, conquistadas no evento. O Comité organizador fez a retenção das 64 medalhas conquistadas até o pagamento da dívida.O dirigente aclarou que o país falhou à participação das provas de apuramento aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro devido a problemas financeiros.

"Infelizmente, não fomos aos campeonatos do mundo, apesar de termos sido apurados nos campeonatos africanos de 2014. Concordamos com essa falta, porque temos a consciência da situação económica do país. Tivemos o cuidado de avisar o Ministério da Juventude e Desportos que tínhamos uma dívida com a Federação Internacional e a única via de não sermos expulsos do órgão era participar do Campeonato Africano da Namíbia", disse.

Auxílio Jacob explica que teve o cuidado de remeter atempadamente ao Minjud, o documento da Federação Internacional e da União Africana de Ginástica, que atestavam a participação da selecção nacional no campeonato africano. "Tão logo recebemos este comunicado, remetemos ao Minjud e de imediato recebemos o despacho do Estado a autorizar a nossa participação no campeonato africano.

Esse despacho está datado de 12 de Julho de 2016. Nessa altura, tivemos o cuidado de informar o Minjud que iríamos participar do campeonato como a única alternativa para evitar a expulsão do país no Congresso da Federação Internacional de Ginástica (FIG) a realizar-se em Outubro, no Japão", esclareceu.A dívida angolana à FIG consta desde o ano anterior e foi confirmada em Março do corrente.

MINISTÉRIO PEDE
MAIS ESFORÇO


Auxilio Jacob revelou que sabiam da participação de Angola no campeonato africano da Namíbia a custo zero. "Tínhamos conhecimento de que não havia dinheiro para a participação de Angola nesta prova. Como queríamos evitar o pior  (a expulsão), decidimos recorrer ao nosso único patrocinador, no caso a Unitel, e tomamos a liberdade de comunicar a este órgão para proteger a imagem do país e evitar a expulsão da Angola da FIG", disse.

Auxílio Jacob ressaltou que a sanção da FIG teria peso nas contas da instituição. Para a readmissão, Angola teria de pagar uma multa avaliada em 150 mil dólares norte-americanos e não participação no Congresso da FIG. O readmissão teria de ser feito só em 2024."Os dinheiro da Unitel serviram para custear os bilhetes de passagem, Seguros e taxa de inscrição na prova.

Comunicamos à instituição africana e as inscrições estiveram condicionadas à participação após o pagamento da dívida", disse. Auxílio Jacob esclareceu no momento das transições das preliminares para as finais, a FIG convocou o chefe da missão angolana para lhe informar que não iriam considerar Angola para as finais, enquanto não liquidasse a dívida.

LINHAS DE FORÇAS
Tóquio'2020 é a meta princip
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O principal objectivo do elenco de Auxílio Jacob no ciclo olímpico 2016-2020 é levar Angola a disputar o torneio de ginástica dos Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão. O trabalho é árduo e conta com a experiência dos membros que integraram o mandato cessante.Vamos trabalhar para garantir a nossa presença aos próximos Jogos Olímpicos. Vamos tratar da melhorar as condições de trabalho para as selecções nacionais no sentido de conseguirem os mínimos para o Tóquio'2020", apostou.

Ontem, em conferência de imprensa, Auxílio Jacob enalteceu o apoio do grupo na condução da instituição.Uma das razões que me leva a insistir no mesmo grupo é a experiência para dar maior dinamismo aos novos propósitos que defendemos, apesar de realizarmos reajuste ligeiro ao elenco sem fugir à base central", esclareceu.Durante a execução das tarefas projectadas para o quadriénio 2016-2020 ressalta-se também o sector da formação. O dirigente reafirmou que "vai ser uma prioridade".

"Vamos apostar na formação de treinadores, monitores e juízes de elite; vamos realizar um esforço para que os nossos juízes possam ganhar maior credibilidades nas instâncias internacionais. É momento dos angolanos merecerem indicações para os grandes eventos desportivos do mundo", idealizou.

A extensão da prática activa da ginástica em toda a extensão vai passar para a realidade. "É nosso interesse ter a prática da modalidade em todo território nacional. A equipa técnica da federação vai engajar-se para que se torne realidade de imediato. O Moxico e Cuando Cubango vão ser reorganizado para voltarem ao convívio. Também, vamos criar as condições para o Bengo e Zaire", finalizou. Á .A