Jornal dos Desportos

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Federao Internacional recua na deciso

09 de Abril, 2016

As equipas venceram no brao de ferro com a FIA na quinta-feira

Fotografia: AFP

As equipes saíram vencedoras da batalha que travaram com a FIA e a FOM e conseguiram o regresso do sistema de classificação usado até o ano passado na F1. Em 2016, o Mundial  lançou mão a um formato complicado que eliminava um piloto a cada 90s. O modelo não caiu nas graças dos pilotos e fãs e acabou por ser alvo de críticas.

As equipas venceram a luta do braço com a FIA na quinta-feira dia7 de Abril. E os dirigentes que comandam a F1 — leia-se  Jean Todt e Bernie Ecclestone — tiveram mesmo de acatar o desejo das equipas e aprovar o regresso do sistema de classificação que foi usado até o ano passado no Mundial. E é esse formato que passa a valer a partir do GP da China, que acontece na próxima semana e pelo restante da temporada 2016, em consequência.

Na verdade, a F1 vivia um impasse numa batalha política entre os dirigentes e as equipas. Isso, porque o presidente da FIA e Ecclestone não queriam voltar ao sistema antigo, defendiam que o actual precisava de ser aprimorado.

Ambos também recusavam-se a dar às equipas a opção de voltar ao modelo de 2015. Só que para qualquer mudança no regulamento neste estágio, exige-se um acordo unânime entre as partes. E, esse entendimento veio depois de muita pressão.

Na tensa reunião realizada entre Todt, Ecclestone, as equipas e a Pirelli ficou decidido abolir o modelo de “dança das cadeiras”, que foi introduzido às presas para esta temporada, e volta ao sistema de definição da grelha que foi usado entre 2006 e 2015. O formato de eliminação de um piloto a cada 90s foi alvo de críticas de todos os lados e não durou mais que duas etapas.

Antes do encontro, as 11 equipas da F1 ainda se juntaram e exigiram, por meio de uma carta, a volta do formato antigo que deixou a entidade sem opção para propor um método alternativo. As equipas rejeitaram o sistema de classificação agregado proposto pela FIA, em reunião ainda durante o GP do Bahrein, na semana passada.

A oferta apresentada pelos dirigentes seguia a essência do que foi a classificação até o ano passado com os pilotos a  marcarem duas voltas cronometradas em cada um dos três períodos da classificação — Q1, Q2 e Q3 —, valendo então os tempos agregados para definir a posição de cada piloto nas fases do treino classificatório.Em nota, a FIA afirmou que "diante do pedido unânime das equipas e pelo interesse do campeonato, Jean Todt e Bernie Ecclestone aceitaram a proposta de voltar ao sistema de classificação de 2015". O comunicado ainda revelou que uma nova solução para 2017 pode ser estudada.

Apesar da insistência em voltar ao modelo de 2015, as equipas  mostraram-se abertas à discussão de uma actualização do formato, incluindo até mesmo modelos mais radicais, mas apenas para o fim da temporada e se o título já estiver decidido. Ou ainda somente para 2017.

Em declaração ao site da revista inglesa 'Autosport', Ecclestone admitiu que depois da carta das equipas, foi difícil tentar qualquer proposta para alterar o novo sistema de classificação. "Não sinto que agora seja possível encontrar uma solução para o futuro", disse.

"As pessoas parecem esquecer o que estamos a fazer, que é tentar embaralhar a grelha, porque o que vimos não fez muita diferença. Lewis Hamilton ajudou-nos com as suas más partidas e a Ferrari parece ter evoluído, então talvez as coisas mudem um pouco", completou o inglês. "E, quanto ao formato, a menos que possamos encontrar um entendimento entre todos, não vamos a lugar nenhum. É simples assim", acrescentou o dirigente.

Agora, todo um processo vai começar para tornar a regra oficial. Primeiro, a proposta vai ser colocada na mesa pelo Grupo de Estratégia e pela Comissão de F1, para então ser ratificada pelo Conselho Mundial da FIA.


África do Sul
Kyalami termina estágio


O histórico autódromo sul-africano de Kyalami, casa da F1 por 20 GPs válidos pelo Mundial entre 1967 e 1993, está a passar por grandes reformas conduzidas pela Porsche África do Sul. A expectativa é que os três estágios planeados estejam prontos e de acordo com as exigências internacionais da FIA, ainda no primeiro semestre deste ano.

O histórico autódromo de Kyalami está a receber uma enorme reforma de revitalização para que seja reaberto ainda na fase final de 2016. A primeira das três partes da reforma  finalizou no começo desta semana.

 A grande reforma começou no mês passado, impulsionada pelo novo dono, Toby Venter. Venter é director - executivo da Porsche, na África do Sul e tem expectativas de colocar o autódromo no caminho do desporto internacional.

"A primeira fase do projecto inclui uma grande redefinição e recalcamento dos 4.522 km de pista completa. O traçado recebeu um asfalto especializado e grandes melhoras para segurança de pilotos, fiscais e espectadores. Tudo de acordo com as exigências da FIA", disseram em comunicados os responsáveis da reforma.

A segunda fase do trabalho começa imediatamente e está programada para terminar em Maio. Neste momento, vai ser construído o novo pit-lane e a estrutura das boxes, assim como um centro de convenção. Segundo os organizadores, o centro é "moderno, espaçoso com ar condicionados e 2.770 m² com um espaço para eventos com tectos de generosos 9 m e pronto para transformações que se adaptem".

A terceira fase do projecto inclui a construção de duas áreas de exibição para dois diferentes circuitos, que podem ser utilizados independentemente ou conectados para formar um traçado maior, com variedade de curvas e declives. Uma porção do circuito pode ser irrigada para simulações de treino em condições de pista molhada.

O novo autódromo vai ter não apenas espaço para corridas como monopostos e turismo, mas também uma pista de off -road  que concentre vários aspectos dos desportos a motor. Se tudo foi de acordo com o planeado, o novo Kyalami pode começar a ser testado em Junho.


Após acidente
Fernando Alonso intensifica treinos


Depois de vetado pelos médicos e ficar de fora do GP do Bahrein devido a uma fractura na costela causada pelo acidente sofrido na primeira prova do ano, na Austrália, Fernando Alonso volta gradualmente aos treinos físicos. O piloto corre contra o tempo para estar apto a correr na próxima etapa, que vai ser no dia 17 do mês em curso, na China.

No Bahrein, o espanhol foi substituído pelo estreante Stoffel Vandoorne, que teve um grande desempenho e pontuou com a McLaren. Nos últimos dias, Alonso utiliza as redes sociais para demonstrar que está a trabalhar para voltar rapidamente.

Na quinta-feira, o espanhol postou um curto vídeo em que aparece a submeter-se ao tratamento de um aparelho que gera ondas eléctricas para curar lesões mais rapidamente e disse tratar -se "do primeiro aparelho de hoje (quinta-feira)". Mais tarde, publicou uma foto a treinar.

"Pouco a pouco chego à normalidade, treino na bicicleta estacionária e com elásticos (ou pelo menos faço os movimentos que uma costela fracturada permite). Estou feliz com os resultados." Para regressar ao cockpit da McLaren,  Alonso precisa de passar por um novo exame de médicos da FIA, que se realiza na quinta-feira anterior à prova, dia 14.

O grande temor dos profissionais é que o piloto corra sem que a fractura esteja completamente curada, gerando o risco de uma perfuração de pulmão no caso de um novo acidente.


Descontente
Kimi Raikkonen pressiona a Ferrari


A Ferrari conquistou dois pódios nas duas primeiras etapas da temporada de 2016 e  mostrou-se  bem mais forte em relação à Mercedes e relativamente às mesmas corridas do ano passado. No entanto, a equipa sofreu duas quebras de motor, uma com Kimi Raikkonen, na Austrália, e outra com Sebastian Vettel, no Bahrein.

Para o piloto finlandês, é crucial para a equipa resolver os problemas da unidade de potência para as próximas etapas, a começar pelo GP da China, dia 17 de Abril.

"Estamos na direcção certa, mas obviamente não é ideal para a equipa ter apenas um carro terminando as corridas", observou Raikkonen. "Neste desporto, sempre levamos tudo ao limite e às vezes as coisas podem dar errado. Não é o que queremos, mas faz parte."

Mesmo com as quebras, o finlandês deixou clara a sua satisfação com os avanços que a Ferrari obteve com o carro este ano. "Sabemos que o carro é muito bom, mas há certas coisas a serem melhoradas." A equipa identificou problemas diferentes nos motores de Raikkonen e Vettel. No caso do finlandês, a falha ocorrida na Austrália foi no turbo e não houve necessidade de troca. Quanto ao  motor do alemão ficou inutilizado com a quebra ainda na volta de apresentação no Bahrein. Uma investigação conduzida pela equipa concluiu  que isso ocorreu por uma falha num software, no que foi classificado pela equipa como "uma combinação de circunstâncias muito incomum".

Cada piloto tem direito a usar cinco unidades de potência por temporada.