Jornal dos Desportos

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Federaes querem maior fatia no OGE

JOO FRANCISCO - 22 de Novembro, 2015

Fotografia: APF

As Federações Nacionais devem discutir os assuntos orçamentais em três níveis de concertação social, a começar pelos municípios (na presença dos Administradores), depois provinciais (com governadores) e foros nacionais (com representantes do Executivo), antes de chegarem ao Parlamento. A sugestão é Manuel Júnior, presidente da 5ª Comissão da Assembleia Nacional.

O deputado do MPLA teceu as considerações no encontro mantido com os representantes das 23 federações nacionais desportivas reconhecidas em Angola, na última quarta-feira, em Luanda, perante os presidentes das dez comissões de trabalho da Assembleia Nacional.

Manuel Júnior sustentou que o cumprimento rigoroso desses passos evita as apreensões manifestadas pelos representantes das instituições desportivas na concertação com os deputados. O  Orçamento Geral do Estado (OGE) já foi aprovado na especialidade e aguarda a aprovação final na generalidade agendado para o próximo dia 11 de Dezembro do ano em curso.

Numa discussão, que se prolongou por 3h30, os representantes das 23 federações nacionais desportivas manifestaram reservas quanto aos orçamentos atribuídos pelo Ministério da Juventude e Desportos para o ano económico de 2016.

COA CONTESTA
MILHÃO DE USD

No encontro de concertação social, coube ao vice-presidente do Comité Olímpico Angolano (COA), Mário Rosa, dar o pontapé de abertura. O dirigente manifestou alguma reserva sobre o valor atribuído ao COA. Rosa sustentou que um milhão de dólares norte-americanos é insuficiente para levar a bom porto a missão olímpica aos Jogos do Rio de Janeiro em 2016. O vice-presidente justificou que só o andebol feminino, a única  modalidade colectiva apurada para o Rio'2016, tem um orçamento para a preparação estimada em dois milhões de dólares, mais meio milhão do que foi alocado na globalidade.

Acrescido a outros desportos, como natação, também apurado através de Pedro Pinotes, o atletismo e provavelmente o voleibol de praia e o judo, o orçamento atribuído não permite custear as despesas de preparação. Mário Rosa, que deve ser o "Chefe de Missão" olímpica de Angola no Rio de Janeiro'2016, questionou o valor atribuído ao Hospital Américo Boavida, uma das muitas unidades de saúde. Para o dirigente, não é compreensível o alto orçamento daquele instituição de saúde comparativamente ao do Desporto no OGE.

Pela importância da prática do desporto na saúde dos cidadãos, Mário Rosa sugeriu que se fizesse uma correcção aos recursos a atribuir ao COA para a missão olímpica do Rio de Janeiro.

Mário Rosa, que já foi secretário-geral do COA, não revelou os valores que recebe de patrocinadores oficiais para esse e outros compromissos nacionais e internacionais.


FUTEBOL
Desporto-rei
sem dinheiro


O desporto-rei está de mal a pior. O afastamento da selecção nacional de honras na última eliminatória de acesso à fase de grupos para o mundial da Rússia veio justificar os prognósticos do Orçamento Geral do Estado. Depois de "estragar" muito dinheiro, o futebol não tem contemplados verbas avultadas no OGE de 2016.

No encontro de concertação com os deputados à Assembleia Nacional, o secretário-geral da Federação Angolana de Futebol, Cardoso Lima, assegurou que uma hipotética qualificação do país para o próximo campeonato africano das nações e, consequentemente, o campeonato mundial, não haveria garantias de pagamento de despesas. O dirigente desportivo ressaltou que esses compromissos não constam do OGE de 2016.

O representante do futebol insurgiu-se contra o investimento em infra-estruturas desportivas. Cardoso Lima procurou chamar a atenção dos deputados à Assembleia Nacional sobre projectos desportivos que fazem parte dos investimentos públicos. Para o secretário geral da FAF, a reabilitação do Estádio das Cacilhas (Huambo), Centro de Medicina Desportiva e da Piscina do Alvalade, apesar de constarem anualmente no OGE, dão prejuízos aos cofres do Executivo por estarem estagnados.

Cardoso Lima justificou que, recentemente, visitou as obras de reabilitação do Estádio das Cacilhas, no Huambo, e o espaço tornou-se para a prática de delinquência e vandalismo que envergonham o país.


OGE'2016
Desportos de lutas
defendem aumento


No foro promovido pela Assembleia Nacional para auscultar os parceiros sobre os dinheiros públicos, os representantes dos desportos de lutas, mormente, o jiu-jitsu, ju-jitsu, judo e boxe defenderam igualmente a atribuição de mais verbas para além dos valores que variam entre os sete e dez milhões de Kwanzas, que recebem anualmente. 

Este agrupamento de modalidades desportivas, a par das outras especialidades individuais, como o karaté, taekwan-dó, ciclismo, xadrez, ginástica, natação, ténis de mesa, ténis de campo, tiro, bem como as modalidades colectivas, como patinagem, voleibol, futebol de salão, desportos náuticos e desportos Universitários, consideradas de “parentes pobres” do desporto, manifestaram inquietações sobre os valores exíguos que recebem. Os representantes defendem que vão sentir-se minimamente satisfeitos, quando lhes forem alocados verbas na ordem de 21 milhões de kwanzas.


ANDEBOL
Godinho defende alocação total


A modalidade desportiva rainha de Angola está em apuros. O andebol está a coleccionar um histórico negativo, depois de muitos anos de glória. Uma razão está a afectar o desporto. Dinheiro. O presidente de direcção da Federação Angolana de Andebol (Faand), Pedro Godinho, manifestou o desejo de ver atribuído as verbas financeiras na sua totalidade alocados no orçamento do Ministério da Juventude e Desportos. Para Godinho, muitos problemas com que as federações nacionais desportivas se debatem, estariam minorados.

O presidente da Faand revelou aos deputados à Assembleia Nacional que ponderou uma eventual demissão em bloco do seu elenco, depois de ter realizado dois torneios internacionais, sendo o primeiro qualificativo aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro'2016, que apurou Angola, e o alusivo aos 40 anos da independência nacional, assinalados a 11 do corrente, com as participações das selecções de Portugal, Brasil e duas de Angola.

As razões da hipotética demissão estiveram ligadas a dívidas acumuladas junto de diferentes instituições que prestaram serviços aos dois torneios.

Para se livrarem das cobranças dos devedores, Pedro Godinho e companheiros recorreram aos recursos obtidos de alguns patrocínios.

Sem recursos financeiros nas contas, Pedro Godinho revelou que suspendeu todos os programas de massificação de andebol sob a égide da Federação Angolana de Andebol. Os recursos previstos para essas acções foram utilizadas para pagar as dívidas.

A continuidade da selecção nacional sénior feminina de andebol no estágio que efectua nas terras lusas e espanholas para o Mundial da Dinamarca pode estar tremida. Pedro Godinho disse aos deputados que faltam recursos para suportar as despesas inerentes à preparação. A única saída é abortar o estágio e, consequentemente, a participação no campeonato mundial de Copenhague.

A situação das senhoras angolanas pode não atingir o extremo, graças às garantias dadas pelo Ministério da Juventude e Desportos em injectar algum recurso financeiro para o efeito.