Jornal dos Desportos

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Federao pode reduzir prmios

14 de Novembro, 2017

Os prmios atribudos s equipas dependem dos lucros que a F1 produzir

Fotografia: AFP

Os planos da Liberty para a F1 são ambiciosos, e já foram várias vezes falados. Os novos donos da F1 não estão a olhar a meios, para levar o projecto avante. E, para já, esse esforço está a acontecer nos lucros, que diminuíram face aos números registados em 2016, o que pode afectar directamente as equipas.
Os prémios atribuídos às equipas, dependem dos lucros que a F1 produzir, 68 por cento desse lucro reverte para as equipas, dividido depois segundo a classificação obtida (sem contar com as famosas cláusulas da Ferrari, McLaren, Red Bull e Mercedes). Acontece desde a entrada da Liberty,  houve uma queda nos lucros, o que significa que as equipas têm menos 35 milhões de euros, para dividir entre si.
Um dos dados que permite ver as acções da Liberty ,têm provocado uma baixa no valor da F1, é a bolsa de valores. Um dos métodos de pagamento da Liberty aos vendedores da F1, foram acções em bolsa da F1. A maioria dos grandes detentores de acções venderam uma percentagem significativa das suas partes até Setembro, o que provocou um decréscimo, no valor do Grande Circo. Um dos motivos para as vendas, pode ser a pouca confiança, no caminho seguido pela Liberty. O grupo (Bernie incluído) que vendeu a F1, tinha em sua posse 64.7 por cento das acções, número que baixou para…3 por cento.
A juntar a esta situação, há um aumento de 75 milhões em custos administrativos, que incluem um aumento significativo em pagamentos de salários a novo pessoal, que entrou pela mão da Liberty. Há também um aumento da dívida, e com isso, o pagamento de juros.
No total, existe uma perda de 137 milhões de euros, face ao registado no ano passado. São números, que podem causar desagrado nas equipas de F1, pois, essa queda afecta directamente o bolso de cada uma delas.
A juntar a este desagrado, é necessário juntar o cada vez maior número de pistas que pretendem sair do calendário, com a Malásia fora do calendário para o futuro próximo. Silverstone pode seguir o exemplo, em breve, e mesmo Interlagos não é certo que continue. Não houve, também, nenhum acréscimo ao número de patrocinadores oficiais da prova.
Não se põe em causa a necessidade de investimento, mas muitos questionam a pertinência de alguns gastos, como é o caso dos novos escritórios em Nova Iorque, que não agrada à generalidade dos serviços. E, há poucas semanas, falava-se da possibilidade da aquisição de um túnel de vento, para que a equipa de Ross Brawn pudesse fazer o trabalho de investigação, quanto aos futuros regulamentos da F1, um gasto claramente questionável.
Esta onda de insatisfação, pode estar também relacionada com a vontade de colocar um tecto orçamental para as equipas, algo que não agradou às grandes equipas, que não têm medo a gastos,  que lhes confere uma vantagem. Há também a possibilidade da diminuição de prémios atribuídos, o que não vai provocar motivos de festa a ninguém, e pode implicar dificuldades nas negociações da Liberty com as equipas, cujo contrato com a F1 termina em 2020. Ninguém duvida, que as equipas como a Ferrari, McLaren e até Red Bull tenham interesse em manter-se na F1, e mesmo se a Mercedes deve querer continuar. As negociações devem ser complicadas e as ameaças de saída devem suceder-se, sobretudo, se a Liberty não aumentar o número de patrocinadores, não garantir o interesse por parte dos circuitos, e não abrir a porta do mercado americano, à grande aposta da “nova gerência” sem ainda garantias de sucesso, até pelo decréscimo em receitas por parte da NASCAR.
O público americano tem NASCAR, IndyCar, IMSA, tudo competições puramente americanas , e num país dado ao nacionalismo,  apresenta um produto deveras atraente para mudar o foco de público, que não aprecia a filosofia da F1 actual. As contas continuam a ser feitas, mas sabe-se que enquanto os indicadores não mostrarem lucros, o descontentamento vai manter-se.