Jornal dos Desportos

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Federer deixa novo legado

01 de Fevereiro, 2018

Tudo indica que Federer reassuma a liderana do ranking mundial e ultrapasse o espanhol Rafael Nadal

Fotografia: WILLIAM WEST / AFP

No primeiro torneio oficial, desde a pausa por lesão, Federer também venceu o Open da Austrália. Ganhou mais um Grand Slam, em Wimbledon. Quando o corpo deu sinais de fraqueza, em forma de dores nas costas, o suíço desistiu de Roland Garros, em que tem  retrospecto ruim e torneios menores, para se preservar para o ATP Finals de Londres, em Novembro. Em 2017, o tenista conquistou sete troféus, com o retrospecto de 52 vitórias e apenas cinco derrotas.
O roteiro previsto para 2018 é similar ao do ano passado. Começou com a Copa Hopman, torneio misto que não vale pontos para o ranking da ATP. Depois do Grand Slam australiano, Federer vai jogar em eventos de piso duro nos Estados Unidos (Masters 1000 de Indian Wells e Miami). Antes disso, deve reassumir a liderança do ranking mundial e ultrapassar o espanhol Rafael Nadal. Espera-se que participe de torneios preparatórios para Roland Garros e Wimbledon, mas tudo depende da motivação de Federer no decorrer da temporada.
\"Senti a mesma coisa, durante 15 anos. Em toda a partida, eu entrava à espera de vencer, ir longe no torneio. Desde a lesão que tive (no joelho, em 2016), houve uma espécie de reinício na mente, no corpo e na minha abordagem das partidas\", explicou Federer no domingo, depois de bater o croata Marin Cilic na final em Melbourne.
Há outro factor que impacta no calendário: a família. Com a excepção dos Grand Slams ou de algum torneio em que precisa de estar presente por contrato, o suíço também leva em conta o tempo que deve ter ao lado dos quatro filhos, na hora de definir para qual torneio parte. A esposa, Mirka Federer, está quase sempre presente, até por agenciar a carreira do marido. \"A Mirka torna tudo isso possível. Sem ela, eu já tinha deixado o ténis há muito tempo. No dia em que ela disser \'não\', acabou. Até porque não estou mais disposto a ficar duas semanas longe dos meus filhos\", revelou.
Obviamente, Federer aproveita a condição de ser Roger Federer, para ficar mais selectivo com a carreira. Com 96 títulos de simples conquistados e 302 semanas totais na liderança do ranking mundial, ele não tem mais nada a provar em termos de performance, e ainda se dá ao luxo de ver alguns de seus rivais históricos nas últimas duas décadas, como o espanhol Rafael Nadal, o sérvio Novak Djokovic e o britânico Andy Murray. Não é uma coincidência que os três, todos mais jovens, estejam a penar  fisicamente para cumprir um calendário desgastante.
Enquanto, os tenistas questionam a ATP e procuram alternativas para tornar a rotina de competição menos desgastante e diminuir a incidência de lesões, Federer pode deixar um novo legado para o ténis: colocar a condição física em primeiro lugar, como já admitiu Chris Kermode, presidente da Associação dos Tenistas Profissionais.
\"Esse é o debate sobre ser bom, ter Roger a jogar aos 36 anos -  é bom, mas ele vai jogar menos e trabalhar de facto por um calendário com menos partidas disputadas - ou você ter um sistema, em que as pessoas joguem em excesso e se magoem?\", questionou o dirigente, em entrevista à TV britânica Sky Sports, em Dezembro.
Existe a possibilidade de a ATP realizar mudanças no sistema de pontuação e calendário a partir de 2019. Mais uma temporada bem-sucedida de Federer deve ter um impacto imediato, por um circuito menos sufocante para os tenistas da elite.