Jornal dos Desportos

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Fequangola agenda presença na Assembleia Geral da FEI

Paulo Caculo - 24 de Outubro, 2015

Dirigentes angolanos levam alguns assuntos para discussão na Assembleia Geral da Federação Equestre Internacional

Fotografia: José Soares

A Federação Equestre de Angola (Fequangola) participa de 10 a 13 de Novembro próximo, na Assembleia Geral da Federação Equestre Internacional (FEI), agendada para a cidade de São João, no Porto Rico.

 A comitiva angolana ao evento, a ser integrada pela vice-presidente, Ginga Almeida e o secretário-geral, Paulo Alexandre, têm viagem para o palco da reunião magna do órgão reitor do desporto hípico mundial prevista para o próximo dia 7 de Novembro, ou seja, três dias antes da abertura dos trabalhos.

 De acordo ao que fez questão de esclarecer ontem, ao Jornal dos Desportos,  Paulo Alexandre, o principal executivo da Feguangola, a presença de Angola no Porto Rico vai marcar a viragem de uma nova página nos vários projectos concebidos pela federação. Após a admissão como membro de pleno direito da FEI, já só bastará aos angolanos tornar realizado os seus principais projectos.

"A nossa federação não era reconhecida internacionalmente e a nossa entrada na FEI, como membros, foi um grande processo que, primeiro, nos levou como observadores e, depois, como membros efectivos. Este ciclo permitiu que fossemos a reunião de Genebra, em 2013, e também como observadores,  em 2014, no Azerbaijão, onde acabamos eleitos como membro de pleno direito da FEI", adiantou-se a esclarecer o secretário-geral da Fequangola.

 Paulo Alexandre referiu, por outro lado, que neste seu primeiro ano, a federação não teve assento como membro efectivo e, mas garantiu que ao contrário da reuniões anteriores, em Porto Rico Angola já terá direito a voto, facto que considera marcante na historia da Fequangola.

 "Vamos poder votar e trabalhar em várias matérias que a FEI vai discutir na planificação. Vamos poder dar o nosso contributo no grupo 9, onde estão todos os países da África Austral e o Senegal e a RDC. Angola é um novo membro e todos foram unânimes em aceitar que fizéssemos parte da FEI e de mais esta Assembleia, que acontece em Novembro próximo", acrescentou.

 Uma das grandes preocupações a serem levadas a esta reunião da FEI, segundo ainda Paulo Alexandre, prende-se com as várias questões endémicas da região. A ideia reside, ainda, no facto de convencer a própria FEI e a Organização Mundial de Saúde Animal que não existem perigos de epidemia com os cavalos angolanos e que a questão endémica está salvaguardada.

 "Vamos ter também encontros com a FEI, para discutirmos os programas de solidariedade, que contempla os atletas, os centros hípicos e um programa de desenvolvimento que beneficia Angola e outros países. Iremos planificar actividades conjuntas, principalmente com países limítrofes e congéneres, onde é possível a movimentação de cavalos, como são os casos da África do Sul, Namíbia, Zâmbia e RDC, que fazem competições anualmente onde Angola tem sido convidada".


José Alfredo “Ekuikui”
“Queremos  competir nos Jogos Olímpicos”


 O secretário-geral da Fequangola confessou que paralelamente a grande aposta da federação ver encerrada a restrição que impede Angola de competir com os seus cavalos a nível regional, a presença nos Jogos Olímpicos de 2020 representa o grande desafio do elenco presidido pelo general José Alfredo "Ekuikui".

 Apesar de não esconder, também, a ambição da federação em ver concretizado os projectos de massificação da modalidade, propósito que concorda não ser possível de alcançar, enquanto a Fequangola conviver com dificuldades para obtenção de um centro hípico independente, Paulo Alexandre acredita que existem motivos para se aspirar por um futuro brilhante.

 "Queremos massificar o desporto equestre no país. Por isso, a grande aposta é termos um Centro Equestre de pertença da federação, onde podemos contar com a colaboração de muita gente praticante, para desmistificar a ideia de que o desporto equestre é um desporto de elite. Conseguimos provar isso durante uma actividade no Centro hípico da Funda, onde vários atletas, que vivem nas redondezas do centro hípico, puderam participar. Demos oportunidade a estes atletas para que montassem os cavalos, e isso é tornar o desporto equestre acessível", disse.

 "O grande objectivo é que Angola possa estar em condições de começar a ombrear com os demais países, de forma a que tenhamos nível que nos permita competir em provas internacionais, porque o nosso grande desafio é competir nos jogos olímpicos de 2020", asseverou.   
PC


VILAMOURA
“A experiência foi muito positiva”


Angola estreou entre os meses de Março e Abril último, no primeiro concurso internacional de salto, dominado " CSI 4 Estrelas de Angola", realizado na cidade portuguesa de Vilamoura, a sua primeira selecção de desporto equestre, constituída no período pós-independência.

Em jeito de balanço da prova, Paulo Alexandre afirmou, ao nosso jornal, ter sido uma agradável surpresa para todos os intervenientes na competição, o facto de Angola ter sido capaz de ocupar lugares antes impensável de alcançar.

 "Foi a primeira participação da primeira selecção que se formou após a independência, formada por oito atletas e tivemos a competir num universo de 600 cavalos, com mais de 30 países. Angola era o país mais novo e quase todos estiveram a participar com os seus cavalos", lembrou o principal executivo da federação.  "O nosso país participou num conselho que existe que é o de cavalos emprestados, mas no fundo são alugados, e tivemos a colaboração do melhor cavaleiro português, que participou numa competição com os nossos atletas e, desta participação, ficaram boas memorias", esclareceu Paulo Alexandre.

 O secretário-geral da Fequangola recordou, ainda, que apesar de Angola não ter levado os seus próprios cavalos, teve uma participação brilhante, pois conseguiu ficar classificado em oitavo lugar e alcançou outros dois nonos lugares.
 PC