Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Ferrari aposta na melhoria do motor

26 de Abril, 2016

A Ferrari esperava lutar por vitórias com a Mercedes na presente temporada desportiva

Fotografia: AFP

Preocupada com a deficiência de potência observada nas primeiras provas, a Ferrari pode antecipar a primeira actualização do seu motor já para a quarta etapa do campeonato mundial, na Rússia.A mudança, que significa a troca das unidades de potência de ambos os pilotos e o uso de "tokens" de desenvolvimento, estava prevista para acontecer no GP da Espanha, quinta etapa, mas pode acontecer na prova marcada para dia 01 de Maio.

A equipa tem nove "tokens" disponíveis e usaria três deles para a actualização, que busca melhorar a eficiência do turbo. Depois de ter feito grandes alterações no motor para este ano, a escuderia sofre para manter as rotações altas por longos períodos, além de não conseguir um modo de classificação tão potente como os Mercedes, que conseguem usar configurações mais agressivas.

A mudança significa que Vettel usará a terceira ICE (central electrónica) à qual tem direito na temporada já na quarta etapa. Porém, mesmo com o limite de cinco por temporada, a Ferrari não acredita que o piloto sofrerá punições, pois poderá voltar a usar a configuração antiga do motor nos treinos livres, que representam de 30 a 40% da quilometragem.

A Ferrari esperava lutar por vitórias com a Mercedes neste ano, mas ainda não conseguiu demonstrar o seu verdadeiro ritmo, com problemas - inclusive nos motores - e toques que prejudicaram tanto Vettel como Raikkonen. Após três etapas, a equipa tem 61 pontos, contra 114 da Mercedes.

F-1 DAS ULTRAPASSAGENS
VÊ RIVAIS PERTO DA MERCEDES

O expressivo aumento do número de ultrapassagens, de mais de 200% em relação à média do ano passado, leva a crer que a Fórmula 1 vive uma das temporadas mais competitivas dos últimos anos. Por outro lado, Nico Rosberg venceu as três primeiras provas do ano, duas delas com bastante tranquilidade, e a Mercedes fez todas as "pole positions".

Os números das primeiras etapas apontam que sim. No terceiro ano de um regulamento técnico relativamente estável, a Mercedes dá sinais de que está a perder parte do domínio que marcou as últimas duas temporadas. Desde a introdução dos motores V6 turbo híbridos, a equipa só perdeu seis provas das 41 disputadas.As estatísticas que compilam as voltas mais rápidas dadas por cada carro nas três primeiras etapas mostram uma diferença de 4,89% (a percentagem é utilizada para desconsiderar as diferenças de tempo de volta entre as pistas) do primeiro para o último carro, ou seja, da Mercedes para a Manor. O ano passado, esse número era de 6,39% ao final da temporada. Desde 2014, a diferença nunca foi tão pequena.

Isso fica mais claro comparando directamente os números dos GP da Austrália, Bahrein e China de 2015 e 2016: em Melbourne, a vantagem da Mercedes neste ano foi de 0s8, contra 1s3 na temporada anterior. Na prova barenita, ela se manteve estável, em 0s5. E na China, caiu de 0s9 para 0s5.Essa queda da vantagem já foi observada pelo chefe da equipe alemã, Toto Wolff. "Quanto mais tempo as regras permanecerem estáveis, maior é a tendência de convergência entre as performances, e é isso que temos visto agora", avaliou.E, mesmo ainda tendo uma vantagem considerável, a equipa tem motivos para se preocupar, uma vez que espera-se que Ferrari e Red Bull, as duas rivais mais próximas dos líderes, tenham ganhos significativos nas próximas etapas.

Enquanto os rivais não melhoram o suficiente para assaltar a liderança da Mercedes - e Lewis Hamilton não consegue ter uma corrida limpa - Nico Rosberg aproveita para abrir uma vantagem importante na liderança do campeonato, com 75 pontos, contra 39 do inglês. O terceiro classificado é Daniel Ricciardo, da Red Bull, com 36.