Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Ferrari tenta revolucionar motor esta época

14 de Fevereiro, 2016

As alterações no carro já têm sido amplamente divulgadas pela imprensa italiana especializada

Fotografia: AFP

A Ferrari prepara uma extensa mudança na sua unidade de potência para lutar de igual para igual com a Mercedes na próxima temporada. Além de alterações na parte dianteira do carro, a equipa italiana está a fazer uma verdadeira revolução no seu motor.

As alterações no carro já têm sido amplamente divulgadas pela imprensa italiana especializada: para adoptar o bico mais curto, tendência dos demais carros, a Ferrari vai abandonar a suspensão pullrod, cuja geometria dificultava a alteração do bico. A ideia de encurtar a parte dianteira é melhorar a alimentação de ar no assoalho do carro.

Mas as grandes mudanças devem acontecer debaixo da carenagem: de acordo com informações do site oficial da F-1, apenas um elemento - a unidade de recuperação de energia calorífica, o MGU-H - deve permanecer inalterada.

O intercooler será dividido em duas partes, com a intenção de canalizar melhor a mistura ar/combustível durante a combustão e aumentar a potência do motor. Já o MGU-K (sistema de recuperação de energia cinética) mudará de lugar para possibilitar a adopção de uma caixa de câmbio menor, o que pode trazer ganhos aerodinâmicos. Por fim, o novo reservatório de óleo ficará localizado mais perto do assoalho, melhorando o centro de gravidade.

A Ferrari vem de uma temporada em que conseguiu grandes ganhos, especialmente com alterações em seu motor. Depois de ter um dos piores campeonatos dos últimos 20 anos e não vencer nenhuma prova em 2014, os italianos conseguiram três triunfos e se tornaram a grande ameaça ao domínio da Mercedes, que venceu com facilidade os últimos dois campeonatos

Entretanto, o presidente da Ferrari, Sergio Marchionne, defende a volta da Alfa Romeo, uma das marcas que pertence a montadora italiana, à Fórmula 1. Segundo o dirigente, esta seria uma óptima maneira da marca recuperar o bom nome no mercado. Marchionne já havia tentado fazer com que a Toro Rosso, equipa satélite da Red Bull, fechasse um acordo para utilizar motores Alfa Romeo.

“Para poder restaurar o nome deles, eles devem considerar o regresso à F1. Eles provavelmente trabalhariam com a Ferrai. A Alfa Romeo é capaz de fazer seu próprio chassi, assim como são capazes de fazer seu próprio motor”, declarou em entrevista ao jornal italiano La Gazzetta dello Sport.

Apesar de Marchionne ter comentado que a Alfa Romeo poderia trabalhar em conjunto com a Ferrari, o dirigente acredita que a marca italiana tem potencial para produzir seu próprio chassi e seu próprio motor. Questionado se poderiam resgatar o bom nome em uma outra categoria do automobilismo como Le Mans, respondeu: “Eu prefiro vê-los na F1”.

A falta de fornecedores de motores na Fórmula 1 acabou dificultando as negociações da Red Bull na temporada passada, que não ficou satisfeita com os motores Renault e rescindiu o contrato com a montadora francesa. No entanto, pela falta de novos fabricantes, a equipa austríaca foi obrigada a regressar a parceira para se manter na principal categoria do automobilismo em 2016. Com o ressurgimento da Alfa Romeo, as equipas teriam mais uma opção de fornecedor para o futuro.

“Concordo com as pessoas que dizem que a Red Bull foi muito dura com o fornecedor de motores deles, mas no fim, o desporto tem que continuar. O importante é que outro grande fabricante entre no desporto”, finalizou.


 Revelação
Jornal apresenta carro da equipa


As especulações de que a Ferrari pode adoptar tons de branco em seu carro para 2016 devem se tornar um fato. Segundo o jornal italiano La Reppublica, as máquinas que serão guiadas por Vettel e Raikkonen na nova temporada da Fórmula 1 resgatarão os traços do carro que abandonou o vermelho absoluto pela primeira vez em 1975.

Na sua primeira aparição com o carro mesclado de branco e vermelho, a Ferrari acabou facturando o título mundial com Niki Lauda. Nos anos 90, mais precisamente em 1993, um modelo aparecido voltou a aparecer. Agora, a equipa italiana aposta no mesmo design para acabar com a seca de títulos e, enfim, frustrar os planos da Mercedes.

O próprio presidente da Ferrari afirmou que o fato da equipe ficar dez anos sem conquistar um título mundial seria uma tragédia e todos os integrantes da equipa parecem apostar em uma volta por cima para acabar com a soberania dos rivais alemães.

O lançamento oficial do carro da temporada de 2016 está programado para acontecer no próximo dia 19 de Fevereiro. Os primeiros compromissos dos pilotos serão os testes em Barcelona e, logo após, o primeiro GP, na Austrália.


 Na categoria 
Ex-campeão exalta competitividade


Muitas coisas mudaram na Fórmula 1 no decorrer dos anos. Ainda que a categoria venha recebendo inúmeras críticas actualmente, há quem a defesa. Mario Andretti, campeão mundial em 1978, acredita que a F1 esteja a viver a sua melhor época, e exaltou seu desejo de competir nos dias actuais.

"Haverá sempre o pessoal tradicional que vai dizer: 'os velhos tempos eram os melhores'. Mas eu sempre prefiro olhar para frente. Os dias de glória de Fórmula 1 são agora. Ela está desfrutando da maior popularidade da sua história em todo o mundo, e a tecnologia é a mais avançada. Eu gosto de como tudo progrediu. Eu daria qualquer coisa para ser 30 anos mais jovem e ser um piloto hoje", revelou o ex-piloto ao jornal espanhol El País.

A alta tecnologia empregada nos carros actualmente faz alguns fãs da categoria questionarem o talento dos pilotos, e comparações com aqueles mais antigos são constantemente observadas. Para Mario, tal crítica não tem fundamento, uma vez que todos têm os seus méritos.

"Os campeões hoje seriam campeões em outras décadas e vice-versa. Seria óptimo se pudéssemos colocar as duas gerações mas, infelizmente, isso não pode acontecer”, declarou.

Andretti ainda ressaltou sua maior expectativa para os carros, e a importância de tratar a Fórmula 1 como um grande evento, principalmente para os fãs.

"Como qualquer ex-piloto, eu diria que seria maravilhoso ter mais potência. Os pilotos querem sempre mais potência, e os fãs gostariam de ver os carros sendo mais velozes. Também acredito que a Fórmula 1 precise tentar ser mais amigável com a imprensa e também ter sessões de autógrafos às quintas-feiras. Os fãs são muito importantes, não se esqueça”, finalizou o ex-piloto


Contratação
Williams descarta
Fernando Alonso


O director técnico da Williams, Pat Symonds, explicou quais serão os rumos da equipa na temporada 2016 da Fórmula 1.

Em entrevista ao site Autosport, Symonds descartou a possibilidade de contratar Fernando Alonso, como vinha sendo especulado pela imprensa. De acordo com o executivo, a Williams vai priorizar outros pontos que foram identificados como deficientes ao invés de investir todo o orçamento de uma temporada para manter um piloto considerado top.

"Se o Alonso se juntasse a nós, gostaria de aproveita-lo por completo. Gostaríamos de dar a ele o que necessita para fazer um bom trabalho, mas se tivermos que pagar o seu saldo, talvez tivéssemos que ficar sem comer por um ano", brincou o dirigente.

Ainda segundo o executivo, a equipa teria condições de bancar a contratação de Alonso e tudo que envolveria seu contrato. Além disso, o executivo relembrou as dificuldades financeiras atravessadas pela companhia em 2014. Por fim, Symonds explicou que está bastante satisfeito com o trabalho dos pilotos da equipa, Felipe Massa e Valtteri Bottas, e que eles são os pilotos ideais neste momento.

"Creio que o Felipe e o Valtteri são perfeitos para a equipa, trabalham muito bem juntos. São como jogadores de equipa e tem um rendimento muito similar. Isso faz com que a equipa trabalhe no melhor ambiente possível. Sinceramente, se tivesse a liberdade para fechar com os pilotos que quisesse, optaria pelos que temos hoje e isso é algo que não é dito muitas vezes", concluiu o dirigente.


Nelsinho Piquet
comemora carreira

Longe da Fórmula 1 desde 2009, quando esteve presente no escândalo do GP de Singapura, Nelsinho Piquet exalta a carreira que tem construído em outras categorias, como a Fórmula E e a Nascar. Em entrevista ao jornal argentino Olé, o brasileiro reconheceu que não é mais possível regressar à F1.

"Sou muito realista quanto ao meu tempo na Fórmula 1. Agradaria a qualquer piloto estar numa equipa que permita vencer provas. Alguns pilotos possuem dinheiro e patrocínio, o que diminui muito a concorrência para que outros pilotem", explicou.

O piloto brasileiro se orgulha em ser o primeiro campeão da Fórmula E, revolucionária categoria de carros eléctricos, apesar das dificuldades de avanço nas corridas. "Hoje minha carreira está na Fórmula E, e não penso tanto em voltar à F1. Estive lá, mas em um lugar e momento errados", recorda.

"Depois da F1, corri dois ou três anos na Nascar, que acredito ser a mais competitiva do mundo. Tive uma experiência incrível no RallyCross em seguida, e agora estou na Fórmula E porque gosto de novos desafios, são carros diferentes e é divertido aprender a pilotá-los. Entretanto, se eu pudesse correr na Nascar e na Fórmula E, seria ideal", comentou Piquet.