Jornal dos Desportos

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Festa memorvel

Silva Cacuti - 06 de Agosto, 2018

Abraos na celebrao do Petro de Luanda

Fotografia: Joo Gomes | Edies Novembro

O sucesso de grandes festas tem muito a ver com o grau de dificuldade encontrado na sua preparação. É preciso critério na escolha do lugar, dos convidados, música, quitutes e outros para que ela ganhe a reputação. A festa dos campeonatos nacionais seniores masculino e feminino de andebol teve um pouco de tudo. Desde o  palco, que  não podia ser melhor. A velha Cidadela conserva o estatuto, apesar de ter de lidar com a concorrência de outras salas, ditas modernas. Ela acolhe com facilidade singular adeptos vindos de vários quadrantes da urbe Luanda. Ainda mais quando o espectáculo é, infelizmente, grátis.
Os convivas para a prova feminina vieram de Luanda e de Benguela,  num total de oito; ao passo que Cabinda mandou a Luanda a equipa das Organizações Joyce Mambo para evitar o formato do campeonato provincial de Luanda.
Cada equipa cumpriu à risca o seu plano de preparação e colheu frutos segundo o seu plantio.
A arbitragem, que tem ficado na ociosidade, para depois exibir níveis incompatíveis com o andebol jogado, desta vez preparou-se e apanhou desprevenidos muitos treinadores habituados a atitudes à margem das leis do andebol.
No campo, os atletas corresponderam e deram a ver andebol de nível internacional, tanto em femininos como na classe masculina.
O nível de organização patenteado foi  do bom, também saudado por Carlos Almeida, Secretário de Estado para o Desporto, que felicitou a Federação Angolana pelo feito.
Alegria, choro, distinções, surpresas e desenganos, houve de tudo!
Nas distinções individuais, a organização escolheu Cláudio Lopes, da Marinha de Guerra, e Helena Paulo, do 1º do Agosto, como jogadores revelação da prova. Os critérios usados para os encontrar são desconhecidos. Se com Cláudio foi feita alguma justiça, Helena deve ter recebido o prémio, mais pelos serviços prestados à selecção júnior. Basta lembrar que a jovem foi a melhor marcadora do campeonato passado. Como se revelaria neste em que não marcou tantos?
A organização não distinguiu o \"sete ideal”.
O Petro de Luanda, feminino, e o 1º de Agosto, masculino, foram justos vencedores. Aqui podemos também distinguir as decepções da prova. A Marinha de Guerra, feminino, e Petro de Luanda, masculino, ficam bem estes adjectivos.
Se quiséssemos alargar as distinções, então a Casa do Pessoal do Porto do Lobito e as Organizações Joyce Mambo seriam as equipas revelação.

OUTRO NÍVEL
DA ARBITRAGEM

Um dos aspectos marcantes da prova foi a actuação dos juízes. Tanto os árbitros como oficiais de mesa deram uma demonstração de que podem atingir os níveis que são exibidos pelas equipas.
Oportuna foi a formação obtida na véspera, em que o português António Goulão, instrutor IHF, foi prelector. Uma arbitragem que vem fazer pedagogia à actuação de nossas atletas, quando em provas internacionais, uma vez que se pautou no rigor das regras mais recentes da modalidade. Cometeu alguns erros, mas, quem os viu, quem os vê? Dá para felicitar os árbitros.

Joyce Mambo celebra estreia auspiciosa

O restaurante Quintal da Tia Guida II foi, na tarde de sábado, o local escolhido para o almoço de confraternização entre os atletas, técnicos e direcção do clube Organizações Joyce Mambo pela prestação no campeonato nacional sénior masculino, que jogou pela primeira vez.
Os cabindenses atiraram o Petro de Luanda, vice-campeão provincial, para o último lugar. E foi "sem bolas à trave validadas como golo”, como fez questão de frisar um dos atletas.
A almoçarada foi prestigiada pela presença do presidente da Associação de Andebol de Cabinda, Jean Mary. O ambiente era de alegria e de sentimento de dever cumprido.
Até chegar ao campeonato nacional, a equipa, única do escalão na província, tinha apenas um jogo oficial diante da Marinha de Guerra. Estevão Mambo, proprietário do clube, criado em 2003, estava orgulhoso.
"Quando decidi inscrever a equipa não estavam em questão os resultados ou a classificação. Queria dar-lhes a oportunidade de competir. Quando vi a primeira parte do jogo com o Interclube, estremeceu-me, senti que têm potencial. Vamos trabalhar nesse potencial. Não esperava algo mais do que fizeram, surpreenderam-me a vencer o Petro de Luanda. Em termos de estrutura, todos os adversários que tivemos são de instituições do Estado. E quando se fala de equipa privada, estes atletas bateram-se por um nome. Por isso, estamos neste clima de festejo", disse.
Cláudio Sessão, 27 anos, formado no clube, é o capitão. Teve uma breve participação na selecção júnior masculina, crê que muita coisa vai mudar no clube, depois desta participação no campeonato.
"Creio que vai mudar tudo. Ganhámos a maturidade desportiva, uma coisa que é de agradecer. Queremos mostrar que em Cabinda também se faz andebol. Não foi fácil capitanear uma equipa em que todos estamos a aprender. Unimos esforços, tentamos equilibrar o grupo e mantê-lo o mais unido possível com a graça de Deus", comentou.
Jean Mary, da Associação de Cabinda, considera razoável a participação do seu filiado.
"É a única equipa que só treina entre eles. Em Cabinda, apenas temos equipas juvenis e juniores. Não podíamos deixar que se chamasse campeonato nacional de Luanda. Faltam as condições para o desenvolvimento do andebol, mas temos de enaltecer estes jovens corajosos como o Senhor Mambo”, disse.
O dirigente enalteceu o empenho dos jovens atletas que alguns (quatro) estudam no Lubango e apenas se juntaram ao conjunto nos últimos dias da preparação da equipa.
A confraternização dos ateltas e dirigentes da equipa de Cabinda durou até a noite anunciar-se e Estevão Mambo renovou o seu empenho, enquanto patrocinador do clube, para os novos tempos da equipa. Silva Cacuti