Jornal dos Desportos

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Filho de medalhada quer fazer histria como gerao promissora no Rio 2016

21 de Julho, 2016

Filho de um criador de cavalos com uma das principais jogadoras da histria do basquetebol brasileiro,

Fotografia: AFP

Antes mesmo de nascer, a presença do desporto na sua vida já era inevitável. Filho de um criador de cavalos com uma das principais jogadoras da história do basquetebol brasileiro, João Marcari prepara-se para a sua primeira Olimpíada, aos 20 anos de idade. A falta de referência não deve ser problema para o cavaleiro, revelou ter conversado com mãe, que foi medalha olímpica para ficar inteirado sobre o que o espera em Agosto, no Rio de Janeiro.

A competir para o adestramento, modalidade apontada como a mais frágil entre as três que engloba o hipismo brasileiro (salto, concurso completo de equitação e adestramento), João Marcari faz parte da geração que quer mudar a escrita. Integrante de uma equipa jovem, o sorocabano acredita que apesar da pouca experiência , é possível levar o Brasil ao segundo dia de competições, onde vão estar apenas os melhores cavaleiros do mundo, que lutam pelas primeiras posições.

“O adestramento, não era  citado antes, era muito inferior. Agora, já subiu muito o nível e pelo menos temos uma equipa nas Olimpíadas, porque normalmente nem isso conseguimos ter. O nível aumentou muito e já estamos a pensar no segundo dia, isso antes, era um sonho. Acho que a ida para o segundo dia pode valer como uma medalha para nós do adestramento, e estou muito contente, estamos bem falados mundialmente.

Não me sinto ofendido pelo facto do adestramento ser o mais inferior dessas três modalidades. Vamos para lá, para mostrar uma boa montaria, estamos fortes para o futuro, e estamos a montar bem. Com certeza somos a equipa mais jovem das Olimpíadas, com essa idade ,os outros países têm apenas cavaleiros júniores ou young riders”, apontou o atleta, sem esconder o orgulho.

Para o Rio 2016, João vai montar o Xamã dos Pinhais, cavalo lusitano que o atleta conhece bem. Segundo o cavaleiro, a sua equipa comandada pela técnica Marriete Whitages está bem respaldada, é justamente por isso, que mostra resultados expressivos, durante a preparação para os Jogos Olímpicos. Na sua visão, os cavaleiros brasileiros recebem uma estrutura que não fica atrás de nenhuma outra, dada aos principais cavaleiros do mundo.

“A evolução do adestramento, em um curto período, que começou no último Mundial até os esses Jogos Olímpicos, foi muito grande, uma melhora de mais de 4 por cento e penso que se em dois anos melhoramos tudo isso, imagina em 40 anos. Vamos estar muito fortes, temos tudo para isso, e o adestramento brasileiro pode  tornar-se uma referência mundialmente.

Só dependemos de bons cavalos, bons treinadores e foco para chegarmos lá. Temos as mesmas oportunidades que os outros cavaleiros do mundo, moramos lá fora, temos óptimos treinadores e o único problema é que ainda somos jovens e precisamos de tempo”, ressaltou o cavaleiro.

Com chegada na Vila Olímpica, prevista para o dia 1 de Agosto, João revelou sua conversa com a mãe Hortência Marcari.  A ex- desportista que foi medalha de prata em Atlanta 1996, procurou passar  ao filho a sua experiência em Olimpíadas, para que  possa focar 100 por cento nos Jogos, mesmo  o facto de que possa passar dez dias apenas a treinar antes de estrear em Deodoro, local das provas de adestramento do Rio 2016, na zona oeste da cidade.

“Minha mãe não costuma opinar muito sobre o hipismo. Ela prefere  afastar-se um pouco dessa parte, para ter mais autonomia. Recentemente, nós conversamos, tivemos uma conversa não de mãe e filho, mas de atleta para atleta. Ela passou-me algumas instruções de como comportar-me numa Olimpíada, essa parte da rotina, treino, alimentação é muito importante”, finalizou o atleta, que agora volta para a Alemanha antes do início dos Jogos.