Jornal dos Desportos

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Filipe Cruz reencontra irmão

Silva Cacuti, Rio de Janeiro - 16 de Agosto, 2016

Filipe Cruz reencontra irmão

Fotografia: AFP

O indivíduo chegou junto de nós, trazia uma lata de cerveja "skol" já a meio. Não era a primeira que ele tinha mandado lá para dentro. Pelo seu estado, já muito líquido lhe tinha passado garganta adentro. Com alguma timidez, apresentou-se, mas com o som alto da banda musical não fixámos o nome. Queria que lhe mostrássemos onde estava a Luísa Kiala, porque, afinal era parente. Não conhecia a Luísa e, nem dela era conhecido. À distância, indicámos-lhe a Luísa, mas estávamos noutra tarefa e não pudemos acompanhar aquele reencontro familiar.

Filipe Cruz, seleccionador nacional, tinha abandonado o seu lugar, estava a demorar. Ainda perguntámos a Edgar Neto, seu adjunto, mas meneou a cabeça a dizer que desconhecia o paradeiro.Um pouco distante daí, dois jovens, um mais franzino, conversavam sobre assunto que parecia sério. Tinham-se afastado, para fugir ao ruído musical.Reconhecemos a silhueta de Filipe Cruz e aproximámo-nos deles.

 O seleccionador parecia em choque, enquanto o outro, emocionado, pedia ao nosso Kindala que batesse uma foto dos dois. "É meu irmão!" exclamou.  Repetiu, ante a nossa indiferença. O "coach" das meninas via a reacção moral do seu parente e, certo da nossa incredulidade, confirmou que era seu irmão, à moda angolana. Explicaram-nos a sua irmandade. Um deles era filho da irmã da mãe do outro.Paulo Monteiro deixou o Rangel há 17 anos.  Soube que o primo estava no comando da selecção, ia ao Arena Futuro apoiar a selecção de andebol, mas a segurança é rigorosa, e nunca chegou perto.

"Eu agradeço às pessoas que organizaram este encontro aqui, estamos a falar directamente com estas guerreiras que vemos na televisão e o mais importante é que encontrei o meu irmão", disse, no momento em que entendemos deixá-los a sós, para falarem mais um com o outro.Estávamos satisfeitos, Tínhamos acabado de testemunhar um momento único, daqueles que só a olimpíada sabe proporcionar.

REVELAÇÃO
Vitórias do andebol
galvanizam músicos


Até abraçar a música, aos 16 anos, o guitarrista Moreira Filho, um dos fundadores da banda Maravilha jogou futebol. Pai de dois desportistas ligados à equipa de futsal da Coprate, Moreira e a sua banda fazem parte do grupo de artistas que no Brasil animam espectáculos com a comunidade angolana, no âmbito dos Jogos Olímpicos.O andebol, principal rosto da nossa missão, conseguiu a inédita passagem para a segunda fase da competição e este facto não passou despercebido ao veterano da música angolana, 45 anos de carreira.

Os anos ensinaram-lhe a perceber quando é que está a tocar para uma plateia satisfeita."O tipo de actividade é diferente, viemos para animar a nossa comunidade e preencher os tempos livres da nossa missão nos Jogos Olímpicos e isso leva-nos também àquele sentido de querer vencer. Sentimos o mesmo que os atletas nestas circunstâncias, é o sentimento da bandeira. Viemos para empurrar os nossos atletas para as vitórias e quando vencem também ficamos mais galvanizados", exteriorizou.É uma situação que Moreira Filho teve dificuldades em explicar. É sangue angolano. Igual ao sentimento que move os adeptos em relação aos seus clubes.

O repertório da banda Maravilha não tem músicas viradas para o desporto, mas nem por isso a "Maravilha" deixa de cantar para desportistas e amantes do desporto."Não temos letras que fazem referência ao desporto, por isso, nestes casos cantamos aquelas músicas que obriguem as pessoas a saltar, a ficarem alegres e puxarem pelas nossas selecções.

O sucesso "ente eme pemba", original de Dionísio Rocha é uma destas músicas que mexeu muito com a comunidade, na Casa de Angola, nas favelas, em Caxias, Salvador da Baía e todos os outros espectáculos do grupo.Além da banda estão também os músicos Don Caetano, Legalize e Kizua Gourgel."Tem sido muito interessante o contacto com a comunidade angolana aqui no Rio”.