Jornal dos Desportos

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Filmon Kacomo aponta fragilidade no Nacional

Jlio Gaiano, no Lobito - 04 de Fevereiro, 2019

O secretário-geral do Clube Desportivo Baixa de Cassanje de Malanje, Filémon Baca Kacomo, considerou uma farsa o Campeonato Nacional de hóquei em patins de juvenis, prova disputada na cidade do Lobito de 23 a 31 de Janeiro, tendo por isso, responsabilizado a Federação Angolana de Patinagem (FAP) pelo sucedido.
“O que vimos aqui (no Lobito) pode ser tudo, menos um campeonato nacional. Confesso que fomos traídos pelas expectativas criadas em volta da competição.
 A FAP é culpada pelo que sucedeu. Repare que, pela primeira vez na história de patinagem, as delegações tiveram de fazer face às péssimas condições. A alimentação foi um caos. Tivemos que nos virar e fazer de tripas o coração para se conseguir comida para dar de comer as nossas crianças (os jogadores) ”, denunciou.
Filémon Kacomo acusou a FAP de faltar com a palavra dada no que toca aos apoios às equipas participantes do campeonato. “Garantiram-nos que iriam comparticipar nos gastos quer na alimentação quer no alojamento. Infelizmente, não foi isso que se constatou no terreno. Fomos abandalhados, pura e simplesmente. Empurraram-nos numa escola entregues aos mosquitos e nada mais do que isso”.“É uma experiência que adquirimos e que fica de emenda para as próximas participações nossas”, acrescentou o dirigente da colectividade malangina, para quem a organização deixou muito a desejar por culpa da Federação Angolana de Patinagem que, na sua óptica, não soube desempenhar o seu papel, como assegurar o alojamento e comparticipar nas despesas para a alimentação das equipas.
O Jornal dos Desportos soube do responsável da Baixa de Cassanje que a sua delegação foi alvo de um assalto justamente defronte ao Pavilhão da Casa do Pessoal do Porto do Lobito, palco da competição. De acordo com a informação prestada por Filémon Kacomo, do assalto os supostos meliantes subtraíram um par de patins e outros objectos de valor que pertencia a um dos seus atletas.

ORGANIZAÇÃO DA PROVA
MINIMIZA O PROBLEMA

Em reacção aos pronunciamentos de Filémon Baca Kacomo, o secretário-geral da Associação Provincial de Patinagem de Benguela (APPB), Serafim Alberto disse que tudo foi feito o cuidado necessário no sentido de manter a máquina funcional.
Por isso, no seu dizer, os clamores apresentados pelo dirigente do Baixa de Cassanje não devem ser levados em conta.
“Não foi bem assim. A organização, em coordenação com a FAP, fez o possível no sentido de proporcionar às equipas o essencial, isto é, desde a alimentação ao alojamento; claro que neste quesito, não foi lá grande coisa, mas serviu para manter a máquina funcional. É normal que o dirigente da Baixa de Cassanje reaja daquela forma. Se calhar esperava que lhe oferecer melhor serviço, o que desde já pedimos as nossas sinceras desculpas”, tranquilizou.
No entanto, fez questão de lembrar que em momento algum a FAP comprometera-se a arcar com as despesas das equipas no local da competição. “Cabe aos clubes criarem as condições materiais, financeiras e logísticas para a sua própria sustentação enquanto durar a competição.
Mas, por uma questão de solidariedade, a província organizadora julga-se na necessidade de comparticipar nos gastos das despesas, como foi o caso de Benguela. Atenção, é uma questão de solidariedade. Não constitui regra em parte nenhum, mesmo assim fazemo-lo (…) ”, justificou.


Constatação
“Futuro do hóquei
está comprometido”

O secretário-geral da Baixa de Cassanje-Malanje, Filémon Kacomo, manifestou o seu desapontamento face as irregularidades denotadas nas idades em determinados jogadores que participaram no Campeonato Nacional de hóquei em patins na categoria de juvenil masculino disputado na cidade do Lobito.
O dirigente do grémio malangino lamenta o facto de a Federação Angolana de Patinagem (FAP) a fazer “vista-grossa” diante dos murmúrios que se fazem no seio dos agentes da modalidade. Na sua óptica, há muita “falsidade” nas idades de determinados jogadores e as pessoas de direito de dar basta nisto.
“Foi uma grande aldrabice o que se assistiu neste campeonato. Julgávamos que estariam aqui equipas de juvenis a competir. Para o nosso espanto, a realidade foi estrondosamente contrária. Defrontámos jogadores adultos e que se encaixam perfeitamente na dupla categoria (juniores/seniores).
 “Infelizmente, esta é um mal que a FAP diz combater, mas que na prática, revela-se impotente; ou seja, pactua com a falsidade, evocando provas documentais, o que é deveras perigoso para o futuro da modalidade no país (…) ”, deplorou o dirigente de Baixa Cassanje, para quem as pessoas deviam sentir vergonha da falsidade que semeiam no hóquei em patins.
Lembrar que o presidente do Hóquei Clube 2000 de Luanda, Carlos Freitas, foi o primeiro a manifestar o seu descontentamento face à desconfiança das idades atribuídas a determinados atletas que evoluíram no campeonato nacional que a cidade do Lobito acolheu de 23 a 31 de Janeiro.
O dirigente da formação luandina foi mais longe. Retirou a sua equipa da competição, arriscando penas pesadas da FAP. Para ele, “antes isso que pactuar com falsidades”.  O 1º de Agosto sagrou-se campeão nacional com 18 pontos, revalidando título que ostenta desde a temporada transacta.